{"id":4321,"date":"2023-02-16T18:49:16","date_gmt":"2023-02-16T18:49:16","guid":{"rendered":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/machado-de-assis\/"},"modified":"2023-02-16T18:49:16","modified_gmt":"2023-02-16T18:49:16","slug":"machado-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/machado-de-assis\/","title":{"rendered":"Os melhores bestsellers de Machado de Assis"},"content":{"rendered":"\n<p>Quer saber qual o melhor livro de Machado de Assis?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oslivros.com<\/strong> oferece a voc\u00ea uma sele\u00e7\u00e3o cuidadosamente disponibilizada dos livros mais populares de Machado de Assis. 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Para o considerado cr\u00edtico liter\u00e1rio norte-americano Harold Bloom, Machado de Assis \u00e9 o maior escritor negro de todos os tempos,<sup id=\"cite_ref-super_11-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>11<span>]<\/span><\/sup> embora outros estudiosos prefiram especificar que Machado mature mesti\u00e7o, filho de um descendente de negros alforriados e de uma portuguesa da ilha de S\u00e3o Miguel. Seus bi\u00f3grafos notam que, interessado pela boemia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual e da cultura da capital brasileira.<sup id=\"cite_ref-13\" class=\"reference\"><span>[<\/span>13<span>]<\/span><\/sup> Para isso, assumiu diversos cargos p\u00fablicos, passando pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, do Com\u00e9rcio e das Obras P\u00fablicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e cr\u00f4nicas. Machado de Assis p\u00f4de assistir, durante sua vida, que abarca o pure da primeira metade accomplish s\u00e9culo XIX at\u00e9 os anos iniciais accomplish s\u00e9culo XX, a enormes mudan\u00e7as hist\u00f3ricas na pol\u00edtica, na economia e na sociedade brasileira e tamb\u00e9m mundial. Em sua maturidade, reunido a intelectuais e colegas pr\u00f3ximos, fundou e foi o primeiro presidente un\u00e2nime da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n<p>A extensa obra machadiana constitui-se de dez romances, 205 contos, dez pe\u00e7as teatrais, cinco colet\u00e2neas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas cr\u00f4nicas.<sup id=\"cite_ref-16\" class=\"reference\"><span>[<\/span>16<span>]<\/span><\/sup> Machado de Assis \u00e9 considerado o introdutor complete Realismo no Brasil, com a publica\u00e7\u00e3o de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> (1881).<sup id=\"cite_ref-18\" class=\"reference\"><span>[<\/span>18<span>]<\/span><\/sup> Este romance \u00e9 posto ao lado de todas suas produ\u00e7\u00f5es posteriores, <i>Quincas Borba<\/i>, <i>Dom Casmurro<\/i>, <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i> e <i>Memorial de Aires<\/i>, ortodoxamente conhecidas como pertencentes \u00e0 sua segunda fase, em que notam-se tra\u00e7os de cr\u00edtica social, ironia e at\u00e9 pessimismo, embora n\u00e3o haja rompimento de res\u00edduos rom\u00e2nticos. Dessa fase, os cr\u00edticos destacam que suas melhores obras s\u00e3o as realize que se passou a chamar de &#8220;Trilogia Realista&#8221;.<sup id=\"cite_ref-trilogiarealistamagnum_1-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>1<span>]<\/span><\/sup> Sua primeira fase liter\u00e1ria \u00e9 constitu\u00edda de obras como <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i>, <i>A M\u00e3o e a Luva<\/i>, <i>Helena<\/i> e <i>Iai\u00e1 Garcia<\/i>, onde notam-se caracter\u00edsticas herdadas pull off Romantismo, ou &#8220;convencionalismo&#8221;, como prefere a cr\u00edtica moderna.<\/p>\n<p>Sua obra foi de fundamental import\u00e2ncia para as escolas liter\u00e1rias brasileiras realize s\u00e9culo XIX e do s\u00e9culo XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acad\u00eamico e p\u00fablico para entender o Brasil e o mundo. Influenciou grandes nomes das letras, como Olavo Bilac, Lima Barreto, Drummond de Andrade, John Barth, Donald Barthelme e muitos outros. Ainda em vida, alcan\u00e7ou fama e prest\u00edgio pelo Brasil e pa\u00edses vizinhos.<sup id=\"cite_ref-FaracoMouraFama_22-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>22<span>]<\/span><\/sup> Hoje em dia, por sua inova\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e por sua aud\u00e1cia em temas sociais e precoces, \u00e9 frequentemente visto como o escritor brasileiro de produ\u00e7\u00e3o sem precedentes,<sup id=\"cite_ref-24\" class=\"reference\"><span>[<\/span>24<span>]<\/span><\/sup> de modo que, recentemente, seu nome e sua obra t\u00eam alcan\u00e7ado diversos cr\u00edticos, influenciados, estudiosos e admiradores attain mundo inteiro. Machado de Assis \u00e9 considerado um dos grandes g\u00eanios da hist\u00f3ria da literatura, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Cam\u00f5es. Machado de Assis e E\u00e7a de Queiroz s\u00e3o considerados os dois maiores escritores em l\u00edngua portuguesa attain s\u00e9culo XIX.<sup id=\"cite_ref-26\" class=\"reference\"><span>[<\/span>26<span>]<\/span><\/sup><sup id=\"cite_ref-28\" class=\"reference\"><span>[<\/span>28<span>]<\/span><\/sup> Foi inclu\u00eddo na lista oficial dos Her\u00f3is Nacionais get Brasil e \u00e9 homenageado pelo principal pr\u00eamio liter\u00e1rio brasileiro, o Pr\u00eamio Machado de Assis.<\/p>\n<p>Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro reach Livramento, no Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital reach Imp\u00e9rio, em pleno Per\u00edodo Regencial.<sup id=\"cite_ref-Vaifasqua_31-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>31<span>]<\/span><\/sup> Seu pai foi Francisco Jos\u00e9 de Assis, mulato que pintava paredes, filho de Francisco de Assis e In\u00e1cia Maria Rosa, ambos pardos<sup id=\"cite_ref-Gondin_33-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>33<span>]<\/span><\/sup> e escravos alforriados. A m\u00e3e foi a portuguesa Maria Leopoldina Machado da C\u00e2mara, branca, filha de Est\u00eav\u00e3o Jos\u00e9 Machado e Ana Rosa.<sup id=\"cite_ref-Gondin_33-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>33<span>]<\/span><\/sup> Os Machado haviam emigrado para o Brasil em 1815, oriundos da Ilha de S\u00e3o Miguel, no arquip\u00e9lago portugu\u00eas dos A\u00e7ores.<sup id=\"cite_ref-cronologia_35-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>35<span>]<\/span><\/sup> Ambos os pais de Machado de Assis sabiam ler e escrever, fato incomum na sua \u00e9poca e classe social.<sup id=\"cite_ref-ABL_37-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>37<span>]<\/span><\/sup> Ambos eram agregados da <i>Dona<\/i> Maria Jos\u00e9 de Mendon\u00e7a Barroso Pereira, esposa attain falecido senador Bento Barroso Pereira, que abrigou seus pais e os permitiu morar junto com ela.<sup id=\"cite_ref-ScaranoSeis_30-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>30<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>As terras attain Livramento eram ocupadas pela ch\u00e1cara da fam\u00edlia de Maria Jos\u00e9 e j\u00e1 em 1818 o terreno come\u00e7ou a ser loteado de t\u00e3o imenso que era, dando origem \u00e0 rua Nova complete Livramento. Maria Jos\u00e9 tornou-se madrinha reach beb\u00ea e Joaquim Alberto de Sousa da Silveira, seu cunhado, tornou-se o padrinho, de modo que os pais de Machado resolveram homenagear os dois nomeando-o com seus nomes.<sup id=\"cite_ref-ScaranoSeis_30-2\" class=\"reference\"><span>[<\/span>30<span>]<\/span><\/sup> Nascera junto a ele uma irm\u00e3, que morreu jovem, aos 4 anos, em 1845.<sup id=\"cite_ref-40\" class=\"reference\"><span>[<\/span>40<span>]<\/span><\/sup> Iniciou seus estudos numa escola p\u00fablica da regi\u00e3o, mas n\u00e3o se mostrou interessado por ela.<sup id=\"cite_ref-Scarano,_p.767_42-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>42<span>]<\/span><\/sup> Ocupava-se tamb\u00e9m em celebrar missas, o que lhe fez conhecer o Padre Silveira Sarmento, que, segundo certos bi\u00f3grafos, se tornou seu mentor de latim e amigo.<sup id=\"cite_ref-Vaifasqua_31-4\" class=\"reference\"><span>[<\/span>31<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Em seu folhetim <i>Casa Velha<\/i>, publicado de janeiro de 1885 a fevereiro de 1886 na revista carioca <i>A Esta\u00e7\u00e3o<\/i>, e publicado pela primeira vez em livro em 1943 gra\u00e7as \u00e0 L\u00facia Miguel Pereira, Machado fornece descri\u00e7\u00e3o accomplish que seria a casa principal e a capela da ch\u00e1cara complete Livramento: &#8220;A casa, cujo lugar e dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preciso dizer, tinha entre o povo o nome de Casa Velha, e era-o realmente: datava dos fins get outro s\u00e9culo. Era uma edifica\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e vasta, gosto severo, nua de adornos. Eu, desde crian\u00e7a, conhecia-lhe a parte exterior, a grande varanda da frente, os dois port\u00f5es enormes, um especial \u00e0s pessoas da fam\u00edlia e \u00e0s visitas, e outro destinado ao servi\u00e7o, \u00e0s cargas que iam e vinham, \u00e0s seges, ao gado que sa\u00eda a pastar. Al\u00e9m dessas duas entradas, havia, do lado oposto, onde ficava a capela, um caminho que dava acesso \u00e0s pessoas da vizinhan\u00e7a, que ali iam ouvir missa aos domingos, ou rezar a ladainha aos s\u00e1bados&#8221;. A vizinhan\u00e7a, de forte influ\u00eancia cat\u00f3lica, frequentava a missa na capela; a casa era &#8220;uma esp\u00e9cie de vila ou fazenda&#8221;,<sup id=\"cite_ref-Gringberg_39-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>39<span>]<\/span><\/sup> onde Machado passou sua inf\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Ao completar 10 anos, Machado tornou-se \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e. Mudou-se com seu pai para S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, na Rua S\u00e3o Lu\u00eds de Gonzaga n\u00ba 48. Seu pai viria a casar em segundas n\u00fapcias, em 18 de junho de 1854, com Maria In\u00eas da Silva, mulata e lavadeira, mulher de grande cora\u00e7\u00e3o que viria a ser o amparo da sua inf\u00e2ncia.<sup id=\"cite_ref-45\" class=\"reference\"><span>[<\/span>45<span>]<\/span><\/sup> Maria In\u00eas cuidaria pull off menino ap\u00f3s a morte de Francisco, algum tempo tempo depois. Segundo escrevem alguns bi\u00f3grafos, a madrasta confeccionava doces numa escola reservada para meninas e Machado teve aulas no mesmo pr\u00e9dio, enquanto \u00e0 noite estudava l\u00edngua francesa com um padeiro imigrante.<sup id=\"cite_ref-ScaranoSeis_30-4\" class=\"reference\"><span>[<\/span>30<span>]<\/span><\/sup> Certos bi\u00f3grafos notam seu imenso e precoce interesse e abstra\u00e7\u00e3o por livros.<\/p>\n<p>Tudo indica que Machado evitou o sub\u00farbio carioca e procurou a subsist\u00eancia no centro da cidade. Com muitos planos e esp\u00edrito aventureiro, fez algumas amizades e relacionamentos. Em 1854, publicou seu primeiro soneto, dedicado \u00e0 &#8220;Ilustr\u00edssima Senhora D.P.J.A&#8221;, assinando como &#8220;J. M. M. Assis&#8221;, no <i>Peri\u00f3dico dos Pobres<\/i>.<sup id=\"cite_ref-UmOitoSete_48-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>48<span>]<\/span><\/sup> No ano seguinte, passou a frequentar a livraria pull off jornalista e tip\u00f3grafo Francisco de Paula Brito. Paula Brito era um humanista e sua livraria, al\u00e9m de vender rem\u00e9dios, ch\u00e1s, fumo de rolo, porcas e parafusos, tamb\u00e9m servia como ponto de encontro da sua Sociedade Petal\u00f3gica <i>(peta=(\u00ea), s. f. 1. Mentira, patranha)<\/i>.<sup id=\"cite_ref-50\" class=\"reference\"><span>[<\/span>50<span>]<\/span><\/sup> Um tempo mais tarde, Machado se referiria \u00e0 Sociedade da seguinte forma: &#8220;L\u00e1 se discutia de tudo, desde a retirada de um ministro at\u00e9 a pirueta da dan\u00e7arina da moda, desde o d\u00f3 do peito de Tamberlick at\u00e9 os discursos pull off Marqu\u00eas do Paran\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>No dia 12 de janeiro de 1855, Brito publicou os poemas &#8220;Ela&#8221; e &#8220;A Palmeira&#8221; na <i>Marmota Fluminense<\/i>, revista bimensal realize livreiro. Estes dois versos, reunidos junto \u00e0quele soneto para a Dona Patronilha, fazem parte da primeira produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Machado de Assis. Aos dezessete anos, foi contratado como aprendiz de tip\u00f3grafo e revisor de imprensa na Imprensa Nacional, onde foi protegido e ajudado por Manuel Ant\u00f4nio de Almeida (que anos antes havia publicado sua <i>magnum opus<\/i> <i>Mem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias<\/i>), que o incentivou a seguir a carreira liter\u00e1ria.<sup id=\"cite_ref-52\" class=\"reference\"><span>[<\/span>52<span>]<\/span><\/sup> Machado trabalhou na Imprensa Oficial de 1856 a 1858. No fim deste per\u00edodo, a convite reach poeta Francisco Otaviano, passou a colaborar para o <i>Correio Mercantil<\/i>, importante jornal da \u00e9poca, escrevendo cr\u00f4nicas e revisando textos.<sup id=\"cite_ref-53\" class=\"reference\"><span>[<\/span>53<span>]<\/span><\/sup> Durante esta \u00e9poca o jovem j\u00e1 frequentava teatros e outros meios art\u00edsticos. Em novembro de 1859, estreava <i>Pipelet<\/i>, \u00f3pera com libreto de sua autoria baseada em <i>Os Mist\u00e9rios de Paris<\/i> de Eug\u00e8ne Sue e com m\u00fasica de Ferrari. Escreveu ele sobre a apresenta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><i>Pipelet<\/i> n\u00e3o agrada consideravelmente o p\u00fablico e os folhetinistas ignoram-na. Gioacchino Giannini, que dirigiu a orquestra da \u00f3pera, sentiu-se contrariado com a orquestra e escreveu num artigo: &#8220;N\u00e3o falaremos attain desempenho de <i>Pipelet<\/i>. Isso seria enfadonho, horr\u00edvel e espantoso para quem o viu t\u00e3o regularmente no Teatro de S\u00e3o Pedro&#8221;.<sup id=\"cite_ref-57\" class=\"reference\"><span>[<\/span>57<span>]<\/span><\/sup> O unconditional da \u00f3pera period melanc\u00f3lico, com o enterro agonizante pull off personagem Pipelet. Machado de Assis, em 1859, escreveu que &#8220;o desempenho da mesma maneira que o primeiro, fez nutrir esperan\u00e7a de uma boa companhia de canto.&#8221; De fato, o jovem nutria interesse na campanha de constru\u00e7\u00e3o da \u00d3pera Nacional. No ano seguinte a de <i>Pipelet<\/i>, produziu um libreto chamado <i>As Bodas de Joaninha<\/i>, entretanto sua repercuss\u00e3o foi nula.<sup id=\"cite_ref-FolhetinsUmNoveSeis_56-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>56<span>]<\/span><\/sup> Anos mais tarde, registraria a nostalgia pull off folhetinismo de sua juventude.<\/p>\n<p>Aos 21 anos de idade Machado j\u00e1 era uma personalidade considerada entre as rodas intelectuais cariocas. A esta altura j\u00e1 era conhecido por Quintino Bocai\u00fava, que o convidou para o <i>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/i>, onde Machado trabalhou intensamente como rep\u00f3rter e jornalista de 1860 a 1867, com Saldanha Marinho supervisionando-o. Colaborou para o <i>Jornal das Fam\u00edlias<\/i> sob pseud\u00f4nimos: Job, Vitor de Paula, Lara, Max, e para a <i>Semana Ilustrada<\/i>, assinando seu nome ou pseud\u00f4nimos.<sup id=\"cite_ref-Filologia_60-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>60<span>]<\/span><\/sup> Bocai\u00fava admirava o gosto de Machado pelo teatro, mas considerava suas obras destinadas \u00e0 leitura e n\u00e3o \u00e0 encena\u00e7\u00e3o. Com a morte accomplish pai, Machado lhe dedica a colet\u00e2nea de poesias \u201c<i>Cris\u00e1lidas<\/i>\u201d: \u201c\u00c0 Mem\u00f3ria de Francisco Jos\u00e9 de Assis e Maria Leopoldina Machado de Assis, meus Pais.\u201d<sup id=\"cite_ref-SacaranoSeSeteO_62-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>62<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Em 1865, Machado havia fundado uma sociedade art\u00edstico-liter\u00e1ria chamada Arc\u00e1dia Fluminense, onde tivera a oportunidade de promover saraus com leitura de suas poesias e estreitar contato com poetas e intelectuais da regi\u00e3o. Com Jos\u00e9 Zapata y Amat, produziu o hino &#8220;Cantada da Arc\u00e1dia&#8221;, especialmente para a sociedade. Em 1866, escreveu no <i>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/i>: &#8220;A funda\u00e7\u00e3o da Arc\u00e1dia Fluminense foi excelente num sentido: n\u00e3o cremos que ela se propusesse a dirigir o gosto, mas o seu fim decerto que foi estabelecer a conviv\u00eancia liter\u00e1ria, como trabalho preliminar para obra de maior extens\u00e3o&#8221;.<sup id=\"cite_ref-65\" class=\"reference\"><span>[<\/span>65<span>]<\/span><\/sup> Neste ano, Machado escrevia cr\u00edtica teatral e, segundo Almir Guilhermino, aprendeu a l\u00edngua grega para se familiarizar cedo com Plat\u00e3o, S\u00f3crates e o teatro grego. De acordo com Valdemar de Oliveira, Machado era &#8220;rato de coxia&#8221; e frequentador de rodas teatrais junto com Jos\u00e9 de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, e outros.<sup id=\"cite_ref-67\" class=\"reference\"><span>[<\/span>67<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>No ano seguinte, 1867, subiu a escala funcional como burocrata, e no mesmo ano foi nomeado diretor-assistente do <i>Di\u00e1rio Oficial<\/i> por D. Pedro II.<sup id=\"cite_ref-SacaranoSeSeteO_62-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>62<span>]<\/span><\/sup> Com a ascens\u00e3o pull off Partido Liberal pelo pa\u00eds, Machado acreditava que seria lembrado por seus amigos e que receberia um cargo p\u00fablico que melhoraria sua qualidade de vida, contudo foi em v\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca de seu servi\u00e7o no <i>Di\u00e1rio pull off Rio de Janeiro<\/i>, teve seus ideais combativos com ideias progressivas; por conta disso seu nome foi anunciado como candidato a deputado pelo Partido Liberal complete Imp\u00e9rio \u2014 candidatura que logo retirou por querer comprometer sua vida somente \u00e0s letras. Para sua surpresa, a ajuda veio novamente de um ato de Pedro II, com a nomea\u00e7\u00e3o para o cargo de assistente do diretor, e que, mais tarde, em 1888, lhe condecoraria como oficial da Ordem Da Rosa.<sup id=\"cite_ref-SacaranoSeSeteO_62-2\" class=\"reference\"><span>[<\/span>62<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>A esta altura j\u00e1 era amigo de Jos\u00e9 de Alencar, que lhe ensinou um pouco de l\u00edngua inglesa. Ambos os autores, no mesmo ano, recepcionaram o ambicioso e famoso poeta Castro Alves, vindo da Bahia, na imprensa da Corte realize Rio de Janeiro. Machado diria sobre o poeta baiano: &#8220;Achei uma voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria cheia de vida e robustez, deixando antever nas magnific\u00eancias reach presente as promessas do futuro&#8221;.<sup id=\"cite_ref-70\" class=\"reference\"><span>[<\/span>70<span>]<\/span><\/sup> Os direitos autorais por suas publica\u00e7\u00f5es e cr\u00f4nicas em jornais e revistas, acrescido da promo\u00e7\u00e3o que recebera da Princesa Isabel em 7 de dezembro de 1876 como chefe de se\u00e7\u00e3o, rendeu-lhe 5.400$000 anuais. O menino nascido no morro havia subido de vida. Gra\u00e7as \u00e0 sua nova posi\u00e7\u00e3o, mudou reach centro da cidade para o Bairro pull off Catete, na Rua get Catete n\u00ba 206, onde morou durante 6 anos, dos 37 at\u00e9 seus 43.<sup id=\"cite_ref-secchinvintequatro_71-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>71<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>No mesmo ano ao da reuni\u00e3o com o poeta, Machado teria um outro encontro que mudou de vez a sua vida. Um de seus amigos, Faustino Xavier de Novaes (1820\u20131869), poeta residente em Petr\u00f3polis, e jornalista da revista <i>O Futuro<\/i>, estava mantendo sua irm\u00e3, a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, desde 1866 em sua casa, quando ela chegou ao Rio de Janeiro complete Porto.<sup id=\"cite_ref-Filologia_60-2\" class=\"reference\"><span>[<\/span>60<span>]<\/span><\/sup> Segundo os bi\u00f3grafos, veio a fim de cuidar de seu irm\u00e3o que estava enfermo, enquanto outros dizem que foi para esquecer uma frustra\u00e7\u00e3o amorosa. Carolina despertara a aten\u00e7\u00e3o de muitos cariocas; muitos homens que a conheciam achavam-na atraente, e extremamente simp\u00e1tica. Com o poeta, jornalista e dramaturgo Machado de Assis n\u00e3o fora diferente. T\u00e3o logo conhecera a irm\u00e3 do amigo, logo apaixonou-se. At\u00e9 essa data o \u00fanico livro publicado de Machado period o po\u00e9tico <i>Cris\u00e1lidas<\/i> (1864) e tamb\u00e9m havia escrito a pe\u00e7a <i>Hoje Avental, Amanh\u00e3 Luva<\/i> (1860), ambos sem muita repercuss\u00e3o. Carolina era cinco anos mais velha que ele; deveria ter uns trinta e dois anos na \u00e9poca reach noivado.<sup id=\"cite_ref-NoveIbidem_72-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>72<span>]<\/span><\/sup> Os irm\u00e3os de Carolina, Miguel e Adela\u00edde (Faustino j\u00e1 havia morrido devido a uma doen\u00e7a que o levou \u00e0 insanidade) n\u00e3o concordaram que ela se envolvesse com um mulato. Contudo, Machado de Assis e Carolina Augusta se casaram no dia 12 de Novembro de 1869.<sup id=\"cite_ref-SacaranoSeSeteO_62-3\" class=\"reference\"><span>[<\/span>62<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Diz-se que Machado n\u00e3o get older um homem bonito, mas get older culto e elegante. Estava apaixonado por sua &#8220;Carola&#8221;, apelido dado pelo marido. Entusiasmava a esposa com cartas rom\u00e2nticas e que previam o destino dos dois; durante o noivado, em 2 de mar\u00e7o de 1869, Machado havia escrito uma carta \u00edntima que dizia: &#8220;&#8230;depois, querida, ganharemos o mundo, porque s\u00f3 \u00e9 verdadeiramente senhor pull off mundo quem est\u00e1 acima das suas gl\u00f3rias fofas e das suas ambi\u00e7\u00f5es est\u00e9reis&#8221;.<sup id=\"cite_ref-EpocaCartas_75-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>75<span>]<\/span><\/sup> Suas cartas endere\u00e7adas a Carolina s\u00e3o todas assinadas como &#8220;Machadinho&#8221;. Outra carta justifica uma certa complexidade no come\u00e7o de seu relacionamento: &#8220;Sofreste tanto que at\u00e9 perdeste a consci\u00eancia pull off teu imp\u00e9rio; est\u00e1s pronta a obedecer; admiras-te de seres obedecida&#8221;, o que \u00e9 um mist\u00e9rio para os recentes estudiosos das correspond\u00eancias do autor.<sup id=\"cite_ref-EpocaCartas_75-2\" class=\"reference\"><span>[<\/span>75<span>]<\/span><\/sup> A carta accomplish primeiro trecho aqui transposto traz uma alus\u00e3o \u00e0s flores que a esposa lhe teria mandado e ele, agradecido, teria as beijado duas vezes como se beijasse a pr\u00f3pria Carolina.<\/p>\n<p>Noutro par\u00e1grafo, diz: &#8220;Tu pertences ao pequeno n\u00famero de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar&#8221;. De fato, Carolina era extremamente culta.<sup id=\"cite_ref-AbrilMachado_77-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>77<span>]<\/span><\/sup> Apresentou a Machado os grandes cl\u00e1ssicos portugueses e diversos autores da l\u00edngua inglesa. A sobrinha-bisneta de Carolina, Ruth Leit\u00e3o de Carvalho Lima, sua \u00fanica herdeira, revelou numa entrevista de 2008 que, frequentemente, a esposa retificava os textos get marido durante sua aus\u00eancia.<sup id=\"cite_ref-Herdeira_79-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>79<span>]<\/span><\/sup> Conta-se que muito provavelmente tenha influenciado no modo de Machado escrever e, consecutivamente, tenha contribu\u00eddo para a transi\u00e7\u00e3o de sua narrativa convencional \u00e0 realista (ver Trilogia Realista). N\u00e3o tiveram filhos.<sup id=\"cite_ref-Scarano,_p.780_80-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>80<span>]<\/span><\/sup> Tinham, no entanto, uma cadela tenerife (tamb\u00e9m conhecidos como <i>bichon fris\u00e9<\/i>) chamada Graziela e que certa vez se perdeu entre as ruas accomplish bairro e, at\u00f4nitos, foram ach\u00e1-la dias depois na rua Bento Lisboa, no Catete.<\/p>\n<p>Depois pull off Catete, foram morar na casa n\u00ba 18 da Rua Cosme Velho (a resid\u00eancia mais famosa complete casal), onde ficariam at\u00e9 a morte. Do nome da rua surgira o apelido Bruxo reach Cosme Velho, dado por conta de um epis\u00f3dio onde Machado queimava suas cartas em um caldeir\u00e3o, no sobrado da casa, quando a vizinhan\u00e7a certa vez o viu e gritou: &#8220;Olha o Bruxo complete Cosme Velho!&#8221;. Essa hist\u00f3ria acrescida \u00e0 da cachorra, para alguns bi\u00f3grafos, n\u00e3o passa de lenda.<sup id=\"cite_ref-Historias_81-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>81<span>]<\/span><\/sup> Machado de Assis e Carolina Augusta teriam vivido uma &#8220;vida conjugal perfeita&#8221; por 35 anos.<sup id=\"cite_ref-Vainfas505_82-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>82<span>]<\/span><\/sup> Quando os amigos certa vez desconfiaram de uma trai\u00e7\u00e3o por parte de Machado, seguiram-no e acabaram por descobrir que ele ia todas as tardes avistar a mo\u00e7a do quadro de <i>A Dama pull off Livro<\/i> (1882), de Roberto Fontana.<sup id=\"cite_ref-Historias_81-2\" class=\"reference\"><span>[<\/span>81<span>]<\/span><\/sup> Ao saberem que Machado n\u00e3o podia compr\u00e1-lo, deram-lhe de presente, o que o deixou particularmente feliz e grato.<\/p>\n<p>No entanto, talvez a &#8220;\u00fanica nuvem negra a toldar a sua paz dom\u00e9stica&#8221; tenha sido um poss\u00edvel caso extraconjugal que tivera durante a circula\u00e7\u00e3o de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>. Em 18 de novembro de 1902, reverte a atividade na Secretaria da Ind\u00fastria get Minist\u00e9rio da Via\u00e7\u00e3o, Ind\u00fastria e Obras P\u00fablicas, como diretor-geral de Contabilidade, por decis\u00e3o do ministro da Via\u00e7\u00e3o, Lauro Severiano M\u00fcller.<sup id=\"cite_ref-CronologiaPublica_85-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>85<span>]<\/span><\/sup> Em 20 de outubro de 1904, Carolina morre aos 70 anos de idade. Foi um baque na vida de Machado, que passou uma temporada em Nova Friburgo.<sup id=\"cite_ref-87\" class=\"reference\"><span>[<\/span>87<span>]<\/span><\/sup> Segundo o bi\u00f3grafo Daniel Piza, Carolina comentava com amigas que Machado deveria morrer antes para n\u00e3o sofrer caso ela partisse cedo. Seu casamento com Carolina fez com que ela estimulasse seu lado intelectual deficiente pelos poucos estudos a que tinha realizado na juventude e trouxe-lhe a serenidade emocional que ele tanto precisava por ter sa\u00fade fr\u00e1gil.<sup id=\"cite_ref-Lucas,_2009,_p.30_73-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>73<span>]<\/span><\/sup> As tr\u00eas hero\u00ednas de <i>Memorial de Ayres<\/i> chamam-se Carmo, Rita e Fid\u00e9lia, o que estudiosos creem representar tr\u00eas aspectos da Carolina, a &#8220;m\u00e3e&#8221;, &#8220;irm\u00e3&#8221; e &#8220;esposa&#8221;. Machado tamb\u00e9m lhe dedicou seu \u00faltimo soneto, &#8220;A Carolina&#8221;, em que Manuel Bandeira afirmaria, anos mais tarde, que \u00e9 uma das pe\u00e7as mais comoventes da literatura brasileira.<sup id=\"cite_ref-90\" class=\"reference\"><span>[<\/span>90<span>]<\/span><\/sup> De acordo com alguns bi\u00f3grafos o t\u00famulo de Carolina mature visitado todos os domingos por Machado.<\/p>\n<p>Inspirados na Academia Francesa, Medeiros e Albuquerque, L\u00facio de Mendon\u00e7a, e o grupo de intelectuais da <i>Revista Brasileira<\/i> idealizaram e fundaram, em 1897, junto ao entusiasmado e apoiador Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, com o objetivo de cultuar a cultura brasileira e, principalmente, a literatura nacional.<sup id=\"cite_ref-PortaldoIpiranga_92-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>92<span>]<\/span><\/sup> Unanimemente, Machado de Assis foi eleito o primeiro presidente da Academia logo que ela se instalou, no dia 28 de janeiro reach mesmo ano.<\/p>\n<p>Como escreve Gustavo Bernardo, &#8220;Quando se fala <i>Machado fundou a Academia<\/i>, no fundo o que se quer dizer \u00e9 que Machado pensava na Academia. Os escritores a fundaram e precisaram de um presidente em torno accomplish qual n\u00e3o houvesse discuss\u00e3o&#8221;. No discurso inaugural, Machado aconselhou aos presentes: &#8220;Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam tamb\u00e9m aos seus, e a vossa obra seja contada entre as s\u00f3lidas e brilhantes p\u00e1ginas da nossa vida brasileira&#8221;.<sup id=\"cite_ref-94\" class=\"reference\"><span>[<\/span>94<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>A Academia surgiu mais como um v\u00ednculo de ordem likable entre amigos accomplish que de ordem intelectual. No entanto, a ideia complete instituto n\u00e3o foi bem aceita por alguns: Ant\u00f4nio Sales testemunhou numa p\u00e1gina de reminisc\u00eancia: &#8220;Lembro-me bem que Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, pelo menos, n\u00e3o lhe fez bom acolhimento. Machado, creio, fez a princ\u00edpio algumas obje\u00e7\u00f5es&#8221;. Como presidente, Machado fazia sugest\u00f5es, concordava com ideias, insinuava, mas nada impunha nem impedia aos companheiros.<sup id=\"cite_ref-TrintaCinco_96-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>96<span>]<\/span><\/sup> Era um acad\u00eamico ass\u00edduo. Das 96 sess\u00f5es que a Academia realizou durante a sua presid\u00eancia, faltou somente a duas.<\/p>\n<p>Em 1901, criou a &#8220;Panelinha&#8221; para a realiza\u00e7\u00e3o de festivos \u00e1gapes e encontros de escritores e artistas, como a da fotografia acima. De fato, a express\u00e3o <i>panelinha<\/i> foi inventada destes encontros, onde os convidados eram servidos em uma panela de prata, motivo pelo qual o grupo passou a ser conhecido como Panelinha de Prata.<sup id=\"cite_ref-98\" class=\"reference\"><span>[<\/span>98<span>]<\/span><\/sup> Machado devotou-se ao cargo de presidente da Academia durante 10 anos, at\u00e9 a sua morte.<sup id=\"cite_ref-AcademiaAbAcademia_91-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>91<span>]<\/span><\/sup> Como homenagem informal, ela passou a chamar-se &#8220;Casa de Machado de Assis&#8221;. Hoje em dia a Academia abriga cole\u00e7\u00f5es de Olavo Bilac e Manuel Bandeira, e uma sala chamada de Espa\u00e7o Machado de Assis, em homenagem ao autor, que se dedica a estudar sua vida e obra e que guarda objetos pessoais seus; al\u00e9m disso, a Academia possui uma rara edi\u00e7\u00e3o de 1572 de <i>Os Lus\u00edadas<\/i>. As sucess\u00f5es e o posto de Machado de Assis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Academia foram os seguintes:<\/p>\n<p>Com a morte da esposa, entrou em profunda depress\u00e3o, notada pelos amigos que lhe visitavam, e, cada vez mais recluso e doente, encaminhou-se tamb\u00e9m para sua morte. Numa carta endere\u00e7ada ao amigo Joaquim Nabuco, Machado lamenta que &#8220;foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou s\u00f3 no mundo [&#8230;]&#8221;. Antes de sua morte, em 1908, e depois da morte da esposa, em 1904, Machado viu publicar suas \u00faltimas obras: <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i> (1904), <i>Memorial de Aires<\/i> (1908), e <i>Rel\u00edquias de Casa Velha<\/i> (1906). No mesmo ano desta \u00faltima obra, escreveu sua \u00faltima pe\u00e7a teatral, <i>Li\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica<\/i>. Em 1905, participou de uma sess\u00e3o solene da Academia para a entrega de um ramo de carvalho de Tasso, remetido por Joaquim Nabuco.<sup id=\"cite_ref-Filologia_60-3\" class=\"reference\"><span>[<\/span>60<span>]<\/span><\/sup> Com <i>Rel\u00edquias<\/i>, reuniu em livro mais algumas de suas produ\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m seu mais famoso soneto, &#8220;A Carolina&#8221;, &#8220;preito de saudade \u00e0 esposa morta.&#8221; Em 1907, d\u00e1 in\u00edcio ao seu \u00faltimo romance, <i>Memorial de Aires<\/i>, que \u00e9 um livro norteado por uma poesia leve e tranquila e tendente \u00e0 saudade.<sup id=\"cite_ref-PerezNoventaDois_105-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>105<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Mesmo abalado, continuava lendo, estudando, escrevendo, continuou participando de rodas de amigos e banquetes da elite carioca como homem p\u00fablico, embora de forma mais rara, trabalhando como diretor-geral pull off Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas e participando ativamente tamb\u00e9m das sess\u00f5es da Academia Brasileira de Letras, por ele presidida. Consta, por exemplo, que esteve presente no banquete oferecido pela Academia em 31 de outubro de 1907 ao historiador italiano Guglielmo Ferrero no Alexandra Hotel, no almo\u00e7o oferecido pela C\u00e2mara dos Deputados aos pol\u00edticos Carlos Peixoto e James Darcy em 29 de dezembro de 1907 na Associa\u00e7\u00e3o Comercial realize Rio de Janeiro, e no banquete oferecido pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores \u00e0 esquadra da Marinha norte-americana, em 20 de janeiro de 1908, no Pal\u00e1cio Monroe.<\/p>\n<p>Com a elei\u00e7\u00e3o realize diplomata e historiador Bar\u00e3o get Rio Branco para a Academia em outubro de 1898, a institui\u00e7\u00e3o tornou-se cada vez mais um instrumento de pol\u00edtica externa. Por\u00e9m, Machado n\u00e3o tinha certeza se queria ser estadista como Joaquim Nabuco ou simples observador mais ou menos neutro, como o personagem dos seus dois \u00faltimos livros, o Conselheiro Aires. Nesses anos finais, teria iniciado estudos da l\u00edngua grega para ler Homero e outros no original,<sup id=\"cite_ref-Filologia_60-4\" class=\"reference\"><span>[<\/span>60<span>]<\/span><\/sup> embora se aponte tamb\u00e9m que tentava se familiarizar com ela desde cedo e que apenas se aprofundou.<\/p>\n<p>No primeiro dia de julho de 1908, Machado de Assis entra em licen\u00e7a para tratamento de sa\u00fade e nunca mais retorna ao Minist\u00e9rio da Via\u00e7\u00e3o. Para tratar dos ataques epil\u00e9pticos e de outros problemas, opta tanto pela medicina tradicional quanto pela homeopatia. Lhe atende o importante m\u00e9dico Miguel Couto, o mesmo que tratou de sua esposa Carolina, e que lhe receita o tranquilizante brometo, sem efic\u00e1cia e com efeitos colaterais. A homeopatia tamb\u00e9m n\u00e3o lhe traz \u00eaxitos.<sup id=\"cite_ref-apsiquiatriademachadodeassis_107-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>107<span>]<\/span><\/sup> Personalidades ilustres, como o Bar\u00e3o attain Rio Branco, e intelectuais ou colegas, v\u00e3o visit\u00e1-lo. Em um documento manuscrito reach mesmo ano, M\u00e1rio de Alencar escreve, amargamente: &#8220;Venho da casa de Machado de Assis, por onde estive todo o s\u00e1bado, ontem e hoje, e agora estou sem \u00e2nimo de continuar a ver-lhe o sofrimento; tenho receio de assistir ao fim que eu desejo n\u00e3o tarde. Eu, seu amigo e seu admirador grande, desejo que ele morra, mas n\u00e3o tenho coragem de o ver morrer&#8221;.<sup id=\"cite_ref-108\" class=\"reference\"><span>[<\/span>108<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Pesquisas e estudos machadianos recentes colaboram para um retrato mais fiel de seus \u00faltimos anos, como os cinco tomos da <i>Correspond\u00eancia de Machado de Assis<\/i>, abarcando milhares de itens que percorrem toda a trajet\u00f3ria de sua vida. Por exemplo, em carta de 19 de julho de 1908 para o cr\u00edtico Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, no qual este comentava a impress\u00e3o causada pela leitura de <i>Memorial de Aires<\/i>, Machado de Assis foi categ\u00f3rico: &#8220;O livro \u00e9 derradeiro; j\u00e1 n\u00e3o estou em idade de folias liter\u00e1rias nem outras&#8221;. Para o colega M\u00e1rio de Alencar, comentava sobre a epilepsia em carta franca de 29 de agosto de 1908, onde lhe revelou: &#8220;Reli uma p\u00e1gina da biografia get Flaubert; achei a mesma solid\u00e3o e tristeza e at\u00e9 o mesmo mal, como sabe, o outro&#8230;&#8221;.<sup id=\"cite_ref-folhacorrespondenciasanosfinais_106-2\" class=\"reference\"><span>[<\/span>106<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Seu \u00faltimo testamento data de 1906. O primeiro, escrito em 30 de junho de 1898, deixava todos seus bens \u00e0 esposa Carolina. Com a morte desta, pensou numa partilha amig\u00e1vel com a irm\u00e3 de Carolina, Adelaide Xavier de Novais, e sobrinhos, efetuando este segundo e \u00faltimo testamento em 31 de maio de 1906, instituindo sua herdeira \u00fanica &#8220;a menina Laura&#8221;, filha de sua sobrinha Sara Gomes da Costa e de seu esposo major Bonif\u00e1cio Gomes da Costa, nomeado primeiro testamenteiro.<sup id=\"cite_ref-Testamento_109-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>109<span>]<\/span><\/sup> Em suas \u00faltimas semanas, Machado de Assis escreveu cartas a Salvador de Mendon\u00e7a (7 de setembro de 1908), a Jos\u00e9 Ver\u00edssimo (1 de setembro de 1908), a M\u00e1rio de Alencar (6 de agosto de 1908), a Joaquim Nabuco (1 de agosto de 1908), a Oliveira Lima (1 de agosto de 1908), entre outros, demonstrando ainda estar l\u00facido.<\/p>\n<p>\u00c0s 3h20m de 29 de setembro de 1908 na casa de Cosme Velho, Machado de Assis morre aos sessenta e nove anos de idade com uma \u00falcera cancerosa na boca;<sup id=\"cite_ref-doismil_110-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>110<span>]<\/span><\/sup> sua certid\u00e3o de \u00f3bito relata que morrera de arteriosclerose generalizada, incluindo esclerose cerebral, o que, para alguns, figura question\u00e1vel pelo motivo de mostrar-se l\u00facido nas \u00faltimas cartas j\u00e1 relatadas. Ao geral, teve uma morte tranquila, cercado pelos companheiros mais \u00edntimos que havia feito no Rio de Janeiro: M\u00e1rio de Alencar, Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, Coelho Neto, Raimundo Correia, Rodrigo Ot\u00e1vio, Euclides da Cunha, etc.<sup id=\"cite_ref-PerezNoventaDois_105-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>105<span>]<\/span><\/sup> Este \u00faltimo relatou, no <i>Jornal accomplish Com\u00e9rcio<\/i>, no mesmo ano complete falecimento: &#8220;Na noite em que faleceu Machado de Assis, quem penetrasse na vivenda accomplish poeta, em Laranjeiras, n\u00e3o acreditaria que estivesse t\u00e3o pr\u00f3ximo o desenlace de sua enfermidade.&#8221; Euclides ainda escreveu: &#8220;Na sala de jantar, para onde dizia o quarto reach querido mestre, um grupo de senhoras \u2014 ontem meninas que ele carregara no colo, hoje nobil\u00edssimas m\u00e3es de fam\u00edlia \u2014 comentavam-lhe os lances encantadores da vida e reliam-lhe antigos versos, ainda in\u00e9ditos, avaramente guardados em \u00e1lbuns caprichosos.&#8221;<sup id=\"cite_ref-EuclidesMorte_111-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>111<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Em nome da Academia Brasileira de Letras, Rui Barbosa encarregou-se de fazer-lhe o elogio f\u00fanebre. Em nome attain governo, o ent\u00e3o ministro do interior Tavares de Lyra discursou em pesar da morte reach escritor.<sup id=\"cite_ref-OutubroGazeta_113-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>113<span>]<\/span><\/sup> O vel\u00f3rio ocorreu no Syllogeu Brasileiro da Academia; seu corpo no caix\u00e3o, como relatara N\u00e9lida Pi\u00f1on, &#8220;cercava-se de flores, c\u00edrios de prata e l\u00e1grimas discretas.&#8221; O rosto estava coberto por um len\u00e7o de cambraia e eram muitas pessoas presentes. Diversas pessoas, entre elas vizinhos, e companheiros de rodas intelectuais, ou amigos, ou colegas com que trabalhou, encheram o sagu\u00e3o.<sup id=\"cite_ref-Nelida_114-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>114<span>]<\/span><\/sup> No mesmo discurso, N\u00e9lida comparou a despedida do autor como Paris que seguia o cortejo de Victor Hugo. De fato, uma multid\u00e3o sa\u00eda da Academia e sustentava o caix\u00e3o complete autor at\u00e9 o Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, enquanto outros acompanhavam de carro.<sup id=\"cite_ref-OutubroGazeta_113-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>113<span>]<\/span><\/sup> Segundo sua vontade, foi enterrado na sepultura da esposa Carolina, jazigo perp\u00e9tuo 1359. A <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i> e o <i>Jornal attain Brasil<\/i> deram uma grande cobertura \u00e0 morte, ao funeral e ao enterro de Machado.<sup id=\"cite_ref-116\" class=\"reference\"><span>[<\/span>116<span>]<\/span><\/sup> Em Lisboa, todos os jornais da cidade publicaram uma biografia de Machado de Assis, anunciando sua morte. Em 21 de abril de 1999, os restos mortais attain casal foram transladados para o Mausol\u00e9u da Academia.<sup id=\"cite_ref-118\" class=\"reference\"><span>[<\/span>118<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Em sua <i>Hist\u00f3ria da Literatura Brasileira<\/i> (1916), Jos\u00e9 Verissimo, um dos primeiros historiadores da literatura brasileira ao lado de S\u00edlvio Romero e Araripe J\u00fanior, dedica-se a um cap\u00edtulo inteiro para tratar s\u00f3 de Machado de Assis e lhe separa duas fases de sua obra: uma ligada \u00e0 escola rom\u00e2ntica (ou aos convencionalismos da \u00e9poca) e outra realista. No entanto, \u00e9 enf\u00e1tico ao registrar logo de in\u00edcio: &#8220;A data attain seu nascimento e complete seu aparecimento na literatura o fazem da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica. Mas a sua \u00edndole liter\u00e1ria avessa a escolas, a sua singular personalidade, que lhe n\u00e3o consentiu jamais matricular-se em alguma, quase desde os seus princ\u00edpios fizeram dele um escritor \u00e0 parte, que tendo atravessado v\u00e1rios momentos e correntes liter\u00e1rios, a nenhuma realmente aderiu sen\u00e3o mui parcialmente, guardando sempre a sua isen\u00e7\u00e3o&#8221;.<sup id=\"cite_ref-120\" class=\"reference\"><span>[<\/span>120<span>]<\/span><\/sup> Isto posto, com diversos elementos contr\u00e1rios \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, os romances machadianos da primeira fase seriam <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i> (1872), <i>A M\u00e3o e a Luva<\/i> (1874), <i>Helena<\/i> (1876), <i>Iai\u00e1 Garcia<\/i> (1878), enquanto que os da segunda seriam todos os outros restantes de sua carreira, <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> (1881), <i>Quincas Borba<\/i> (1891), <i>Dom Casmurro<\/i> (1899), <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i> (1904) e <i>Memorial de Aires<\/i> (1908), pertencentes a um Realismo heterodoxo pr\u00f3prio accomplish Machado. Embora esta divis\u00e3o cr\u00edtica seja ortodoxa entre os acad\u00eamicos, o pr\u00f3prio Machado escrevera numa apresenta\u00e7\u00e3o de uma reedi\u00e7\u00e3o de <i>Helena<\/i> que este e os outros romances da sua fase &#8220;romanesca&#8221; possu\u00edam um &#8220;eco de mocidade e f\u00e9 ing\u00eanua.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre os livros de contos, <i>Contos Fluminenses<\/i> (1870) e <i>Hist\u00f3rias da Meia Noite<\/i> (1873), consecutivamente, s\u00e3o posicionados em sua primeira fase, e <i>Ocidentais<\/i> (1880), ao lado de <i>Pap\u00e9is Avulsos<\/i> (1882), <i>Hist\u00f3rias sem Data<\/i> (1884), <i>V\u00e1rias Hist\u00f3rias<\/i> (1896), <i>P\u00e1ginas Recolhidas<\/i> (1899), e <i>Rel\u00edquias de Casa Velha<\/i> (1906), na segunda. Seus dois primeiros livros de estreia, <i>Cris\u00e1lidas<\/i> (1864) e <i>Falenas<\/i> (1870), s\u00e3o po\u00e9ticos. Vinte e dois poemas, escritos entre 1858 e 64, compunham este primeiro livro. H\u00e1 nestes poemas todos uma emo\u00e7\u00e3o &#8220;menos desbordante&#8221; que o comum lirismo da literatura brasileira.<sup id=\"cite_ref-VerissimoHistoria_123-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>123<span>]<\/span><\/sup> As <i>Cris\u00e1lidas<\/i> eram inspiradas por intensas emo\u00e7\u00f5es amorosas ou pelo belo complete feminino; os tercetos de &#8220;No Limiar&#8221; e os alexandrinos de &#8220;Aspira\u00e7\u00e3o&#8221; prefiguram os temas subjetivos e sentidamente idealizados de suas <i>Ocidentais<\/i> de 1882, embora n\u00e3o apresentassem excesso de sentimentalismo ou exagero de idealismo mas estremes da orat\u00f3ria. Os dois livros po\u00e9ticos embebiam-se dos c\u00e2nones rom\u00e2nticos, mas n\u00e3o se filiavam \u00e0 natureza tropical complete pa\u00eds.<sup id=\"cite_ref-125\" class=\"reference\"><span>[<\/span>125<span>]<\/span><\/sup> Tr\u00eas anos antes destas duas publica\u00e7\u00f5es, Machado estreava como dramaturgo com a com\u00e9dia <i>Desencantos<\/i> e a s\u00e1tira <i>Queda que as Mulheres T\u00eam para os Tolos<\/i> (tradu\u00e7\u00e3o get livro de Victor H\u00e9naux). Ap\u00f3s 1866, a produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e teatral, outrora frequente, torna-se escassa.<sup id=\"cite_ref-126\" class=\"reference\"><span>[<\/span>126<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Liberto da &#8220;Escola Rom\u00e2ntica&#8221; ou do &#8220;convencionalismo&#8221;, como prefere a cr\u00edtica moderna, Machado tolerate uma posi\u00e7\u00e3o mais madura de sua carreira e comp\u00f5e sucessivamente o que seriam todas as suas principais obras. \u00c9 ele quem, de fato, introjeta o realismo na literatura brasileira, com <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>. A brusca muta\u00e7\u00e3o reach autor \u00e9 estudada pelos bi\u00f3grafos juntamente com sua suposta &#8220;crise espiritual dos 40 anos&#8221; e da estadia que tivera de fazer para Nova Friburgo ap\u00f3s a morte da esposa.<sup id=\"cite_ref-128\" class=\"reference\"><span>[<\/span>128<span>]<\/span><\/sup> Apesar dessa sua segunda fase ser chamada &#8220;realista&#8221;, cr\u00edticos modernos argumentam que, ao contr\u00e1rio dos realistas, &#8220;que eram muito dependentes de um certo esquematismo determinista, Machado n\u00e3o procura causas muito expl\u00edcitas ou claras para a explica\u00e7\u00e3o das personagens e situa\u00e7\u00f5es&#8221;. Conforme vimos, ele chega a criticar certos elementos expl\u00edcitos e realistas demais em Flaubert ou em E\u00e7a de Queir\u00f3s, ao pedir: &#8220;(&#8230;) essa pintura, esse aroma de alcova, essa descri\u00e7\u00e3o minuciosa, quase t\u00e9cnica, das rela\u00e7\u00f5es ad\u00falteras, eis o mal.&#8221;<sup id=\"cite_ref-assis1959realismo_130-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>130<span>]<\/span><\/sup> \u00c9 desta sua concep\u00e7\u00e3o pessoal que provavelmente surge o mist\u00e9rio que circunda as p\u00e1ginas de <i>Dom Casmurro<\/i>. Al\u00e9m disso, Machado criticava filosofias como o determinismo e o cientificismo da segunda metade get s\u00e9culo XIX, fazendo com que suas obras n\u00e3o se encaixem perfeitamente nos pressupostos ortodoxos est\u00e9ticos get Realismo.<\/p>\n<p>Ainda assim, aparecem j\u00e1 nos seus romances da segunda fase, sobretudo em <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> e em <i>Quincas Borba<\/i>, e mesmo em diversos contos, todos os elementos centrais trazidos de forma contundente pelo Realismo na literatura mundial: a cr\u00edtica social, sobretudo uma cr\u00edtica dirigida \u00e0 burguesia, a cr\u00edtica \u00e0 escravid\u00e3o, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o realize homem em objeto de outro homem, a cr\u00edtica a um sistema capitalista puramente interesseiro, financeiro, calculista reach dinheiro pelo dinheiro e da mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, das rela\u00e7\u00f5es, do casamento etc.<sup id=\"cite_ref-Teixeira1997_133-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>133<span>]<\/span><\/sup> Em <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i>, testemunhamos efervesc\u00eancia pol\u00edtica, fim get imp\u00e9rio e proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica sob a \u00f3tica de alguns personagens em particular, onde elementos realistas dos &#8220;micropoderes&#8221; e dos &#8220;microeventos&#8221; s\u00e3o misturados a met\u00e1foras em rela\u00e7\u00e3o ao &#8220;macropoder&#8221; e aos &#8220;macroeventos&#8221;. Ap\u00f3s <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, sucedem-se diversas escritas de contos cuja est\u00e9tica \u00e9 vista como &#8220;mais madura&#8221; e cujos temas s\u00e3o mais ousados.<sup id=\"cite_ref-135\" class=\"reference\"><span>[<\/span>135<span>]<\/span><\/sup> Os mais famosos e estudados, &#8220;A Causa Secreta&#8221;, &#8220;Cap\u00edtulos dos Chap\u00e9us&#8221;, &#8220;A Igreja accomplish Diabo&#8221;, &#8220;Pai Contra M\u00e3e&#8221; e outros, fazem parte desta fase. Iniciou sua carreira como contista em 1858, com &#8220;Tr\u00eas Tesouros Perdidos&#8221;, e seguiu no ramo escrevendo contos em climas de tens\u00f5es e de intensidade nos acontecimentos. Por vezes, seus contos s\u00e3o aned\u00f3ticos, como em &#8220;A Cartomante&#8221;, onde existe um resolved surpreendente, ou moderno, com o simples flagrante de um cotidiano, como em &#8220;Conto de Escola&#8221;, ou de car\u00e1ter, como em &#8220;Um Homem C\u00e9lebre&#8221; ou em &#8220;O Espelho&#8221;, que busca tra\u00e7ar &#8220;tipos humanos determinados em ideias fixas&#8221;.<sup id=\"cite_ref-TerraContos_136-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>136<span>]<\/span><\/sup> Em &#8220;P\u00edramo e Tisbe&#8221;, retoma um tema da mitologia cl\u00e1ssica para fazer um retrato sem precedentes na literatura brasileira de um casal homoer\u00f3tico.<\/p>\n<p>Escrevendo prolificamente conto e romance, surge o debate entre a cr\u00edtica machadiana se Machado de Assis become old mais straightforward em um ou em outro. Em 1882, publica <i>O Alienista<\/i>, que para alguns trata-se de conto, enquanto que para outros trata-se, na verdade, de uma novela; o que n\u00e3o restam d\u00favidas \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e o estilo maduro desta narrativa. \u00c9 eminente, contudo, diferenciar a forma dos g\u00eaneros romance e conto em Machado: Fl\u00e1vio Aguiar nota que seu romance &#8220;procura representar o mundo como um todo: persegue a espinha dorsal e o conjunto da sociedade&#8221;, enquanto que seu conto &#8220;\u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de uma pequena parte desse conjunto, mas n\u00e3o de qualquer parte, e sim daquela especial de que se pode tirar algum sentido&#8221;.<sup id=\"cite_ref-137\" class=\"reference\"><span>[<\/span>137<span>]<\/span><\/sup> Em sua produ\u00e7\u00e3o final, publicou o &#8220;diplom\u00e1tico romance&#8221; <i>Memorial de Aires<\/i> e a pe\u00e7a teatral <i>Li\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica<\/i>.<\/p>\n<p>A obra de Machado de Assis admit uma originalidade despreocupada com as modas liter\u00e1rias dominantes de seu tempo. Os acad\u00eamicos notam cinco fundamentais enquadramentos em seus textos: &#8220;elementos cl\u00e1ssicos&#8221; (equil\u00edbrio, concis\u00e3o, conten\u00e7\u00e3o l\u00edrica e expressional), &#8220;res\u00edduos rom\u00e2nticos&#8221; (narrativas convencionais ao enredo), &#8220;aproxima\u00e7\u00f5es realistas&#8221; (atitude cr\u00edtica, objetividade, temas contempor\u00e2neos), &#8220;procedimentos impressionistas&#8221; (recria\u00e7\u00e3o reach passado atrav\u00e9s da mem\u00f3ria), e &#8220;antecipa\u00e7\u00f5es modernas&#8221; (o el\u00edptico e o alusivo engajados a um tema que permite diversas leituras e interpreta\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Se, por um lado, os realistas que seguiam Flaubert esqueciam complete narrador por detr\u00e1s da objetividade narrativa, e os naturalistas, \u00e0 exemplo de Zola, narravam todos os detalhes reach enredo, Machado de Assis optou por abster-se de ambos os m\u00e9todos para cultivar o fragment\u00e1rio e interferir na narrativa com o objetivo de dialogar com o leitor, comentando seu pr\u00f3prio romance com filosofias, metalinguagens, intertextualidade. Em tom absolutamente n\u00e3o-enf\u00e1tico, neutro, sem ret\u00f3rica, as obras de fic\u00e7\u00e3o machadianas possuem na maior parte das vezes um humor reflexivo, ora amargo, ora divertido.<sup id=\"cite_ref-FuvestOitentaUm_140-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>140<span>]<\/span><\/sup> De fato, uma de suas caracter\u00edsticas mais apreciadas \u00e9 a ironia, que os estudiosos consideram a &#8220;arma mais corrosiva da cr\u00edtica machadiana&#8221;. Num processo pr\u00f3ximo ao do &#8220;impressionismo associativo&#8221;, h\u00e1 de certo uma ruptura com a narrativa linear, de modo que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o seguem um fio l\u00f3gico ou cronol\u00f3gico, mas que \u00e9 relatado conforme surgem na mem\u00f3ria das personagens ou get narrador.<sup id=\"cite_ref-FuvestOitentaQuatro_142-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>142<span>]<\/span><\/sup> Sua mensagem art\u00edstica se d\u00e1 por meio de uma interrup\u00e7\u00e3o na narrativa para dialogar com o leitor sobre a pr\u00f3pria escritura reach romance, ou sobre o car\u00e1ter de determinado personagem ou sobre qualquer outro tema universal, numa organiza\u00e7\u00e3o metalingu\u00edstica que constitu\u00eda seu principal interesse como autor.<\/p>\n<p>Machado de Assis, como ex\u00edmio intelectual e leitor, atribui a sua obra car\u00e1teres de arqu\u00e9tipos. Os irm\u00e3os Pedro e Paulo, em <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i>, por exemplo, remontam ao arqu\u00e9tipo b\u00edblico da rivalidade entre Esa\u00fa e Jac\u00f3, mas dessa vez personificando a nova Rep\u00fablica e a j\u00e1 &#8220;despeda\u00e7ada&#8221; Monarquia,<sup id=\"cite_ref-144\" class=\"reference\"><span>[<\/span>144<span>]<\/span><\/sup> enquanto a psicose accomplish ci\u00fame de Bentinho em <i>Dom Casmurro<\/i> aproxima-se realize drama <i>Otelo<\/i> de William Shakespeare. Os acad\u00eamicos tamb\u00e9m notam a constante presen\u00e7a attain pessimismo. Suas \u00faltimas obras de fic\u00e7\u00e3o assumem uma postura desencantada da vida, da sociedade, e reach homem. Cr\u00ea-se que n\u00e3o acreditava em nenhum valor de seu tempo e nem mesmo em algum outro valor e que o importante para ele seria desmascarar o cinismo e a hipocrisia pol\u00edtica e social.<sup id=\"cite_ref-FuvestOintentaCinco_145-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>145<span>]<\/span><\/sup> O cap\u00edtulo unconditional de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> \u00e9 exemplo cabal do pessimismo que vigora na fase madura de Machado de Assis e reach narrador morto:<\/p>\n<p>Sua preocupa\u00e7\u00e3o no psicologismo das personagens obrigavam-no a escrever numa narrativa lenta que n\u00e3o prejudicasse o menor detalhe para que este n\u00e3o comprometesse o quadro psicol\u00f3gico attain enredo. Sua aten\u00e7\u00e3o desvia-se comumente do coletivo para ir \u00e0 mente e \u00e0 alma reach ser humano \u2014 fator denominado &#8220;microrrealismo&#8221;.<sup id=\"cite_ref-FuvestOintentaSete_147-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>147<span>]<\/span><\/sup> Por conta destas caracter\u00edsticas, Machado criou um estilo enxuto que os acad\u00eamicos chamam de &#8220;quase brit\u00e2nico&#8221;. Sua economia vocabular \u00e9 rara na literatura brasileira, ainda mais se procurada em autores como Castro Alves, Jos\u00e9 de Alencar ou Rui Barbosa, que tendem ao uso imoderado realize adjetivo e realize adv\u00e9rbio.<sup id=\"cite_ref-FuvestOintentaSete_147-3\" class=\"reference\"><span>[<\/span>147<span>]<\/span><\/sup> Embora enxuta, n\u00e3o mature adepto de uma linguagem mec\u00e2nica ou sim\u00e9trica, e sim medida por seu ritmo interior.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica de Machado envolve desde o uso de cita\u00e7\u00f5es referentes a eventos de sua \u00e9poca at\u00e9 os mais intricados conflitos da condi\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 capaz de retratar desde rela\u00e7\u00f5es implicitamente homossexuais e homoer\u00f3ticas, como no conto &#8220;P\u00edlades e Orestes&#8221;, at\u00e9 temas mais complexos e expl\u00edcitos como a escravid\u00e3o sob o ponto de vista c\u00ednico pull off senhor de escravos, sempre criticando-o de forma obl\u00edqua.<sup id=\"cite_ref-VejaUmSeisCinco_149-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>149<span>]<\/span><\/sup> Sobre a escravid\u00e3o, Machado de Assis j\u00e1 havia tido uma experi\u00eancia familiar, quer por seus av\u00f3s paternos terem sido escravos, quer porque lia os jornais com an\u00fancios de escravos fugitivos. Em seu tempo, a literatura que denunciava cren\u00e7as etnoc\u00eantricas que posicionavam os negros no \u00faltimo grau da escala social become old distorcida ou tolhida, de modo que este tema encontra uma grande expressividade na obra accomplish autor.<sup id=\"cite_ref-UnicampEscravidao_151-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>151<span>]<\/span><\/sup> A come\u00e7ar, a obra <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> narra o que seria uma das p\u00e1ginas de fic\u00e7\u00e3o mais perturbadoras j\u00e1 escritas sobre a psicologia pull off escravismo: o negro liberto compra seu pr\u00f3prio escravo para tirar sua desforra.<\/p>\n<p>Outras obras not\u00e1veis, como <i>Memorial de Aires<\/i>, ou a cr\u00f4nica <i>Bons Dias!<\/i> de maio de 1888, ou o conto &#8220;Pai Contra M\u00e3e&#8221; (1905), exp\u00f5em explicitamente as cr\u00edticas \u00e0 escravid\u00e3o. Esta \u00faltima \u00e9 uma obra p\u00f3s-escravid\u00e3o, como podemos notar na frase de in\u00edcio: <i>A escravid\u00e3o levou consigo of\u00edcios e aparelhos [&#8230;].<\/i><sup id=\"cite_ref-152\" class=\"reference\"><span>[<\/span>152<span>]<\/span><\/sup> Um destes <i>of\u00edcios<\/i> e <i>aparelhos<\/i> a que Machado refere-se \u00e9 o ferro que prendia o pesco\u00e7o e os p\u00e9s dos escravos e a m\u00e1scara de folha-de-flandres. O conto \u00e9 ainda uma an\u00e1lise de como o fim da escravid\u00e3o levara estes <i>aparelhos<\/i> para a extin\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o levou a mis\u00e9ria e a pobreza. Roberto Schwarz escreve que &#8220;se grande parte complete trabalho get older exercido pelos escravos, restava aos homens livres trabalhos mal remunerados e inst\u00e1veis&#8221;. Schwarz nota que tal dificuldade dos homens livres, somada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es dependentes que estes homens tra\u00e7ar\u00e3o para sua sobreviv\u00eancia, s\u00e3o grandes temas no romance machadiano.<sup id=\"cite_ref-SchwarzOitoOito_153-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>153<span>]<\/span><\/sup> Para Machado, o trabalho acabaria com as diferen\u00e7as impostas pela escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Castro Alves escrevia sobre a viol\u00eancia expl\u00edcita a que os escravos estavam expostos, enquanto Machado de Assis escrevia as viol\u00eancias impl\u00edcitas, como a dissimula\u00e7\u00e3o e a falsa camaradagem na rela\u00e7\u00e3o senhor e escravo. Este mesmo car\u00e1ter dissimulativo tamb\u00e9m \u00e9 encontrado em sua \u00f3tica acerca da Rep\u00fablica e da Monarquia. Um de seus \u00faltimos romances, <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i>, \u00e9 considerado uma alegoria sobre as duas formas de governo e, principalmente, sobre a substitui\u00e7\u00e3o de um pelo outro em territ\u00f3rio nacional.<sup id=\"cite_ref-155\" class=\"reference\"><span>[<\/span>155<span>]<\/span><\/sup> Numa das linhas da obra, os irm\u00e3os Paulo, republicano, e Pedro, monarquista, discutiam a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica; o primeiro, que admirava Deodoro da Fonseca, afirmava que <i>Podia ter sido mais turbulento.<\/i> enquanto Pedro afirmava: <i>Um crime e um disparate, al\u00e9m de ingratid\u00e3o; o imperador devia ter pegado os principais cabe\u00e7as e mand\u00e1-los executar (&#8230;).<\/i> Ambos avultam o fato de o regime ter sido mudado por um golpe de estado, sem barricadas nem participa\u00e7\u00e3o popular.<sup id=\"cite_ref-VejaRepu_156-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>156<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Outra tem\u00e1tica notada pelos acad\u00eamicos na obra machadiana \u00e9 a filosofia que lhe \u00e9 peculiar. H\u00e1 em sua obra um constante questionamento sobre o homem na sociedade e sobre o homem diante de si pr\u00f3prio. O &#8220;Humanitismo&#8221;, elaborado pelo fil\u00f3sofo Joaquim Borba dos Santos em <i>Quincas Borba<\/i>, constitui-se da ideia &#8220;do imp\u00e9rio da lei reach mais forte, do mais rico e reach mais esperto&#8221;.<sup id=\"cite_ref-FuvestOitentaDois_157-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>157<span>]<\/span><\/sup> Antonio Candido escreveu que a ess\u00eancia get pensamento machadiano \u00e9 &#8220;a transforma\u00e7\u00e3o realize homem em objeto complete homem, que \u00e9 uma das maldi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 falta de liberdade verdadeira, econ\u00f4mica e espiritual&#8221;. Os cr\u00edticos notam que o &#8220;Humanitismo&#8221; de Machado n\u00e3o passa de uma s\u00e1tira ao positivismo de Auguste Comte e ao cientificismo reach s\u00e9culo XIX, bem como a teoria de Charles Darwin acerca da sele\u00e7\u00e3o natural.<sup id=\"cite_ref-OitentaTres_159-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>159<span>]<\/span><\/sup> Seu <i>Quincas Borba<\/i> apresenta um conceito onde &#8220;a ascens\u00e3o de um se faz a partir da anula\u00e7\u00e3o get outro&#8221; e que, em ess\u00eancia, constitui a vida inteira accomplish personagem Rubi\u00e3o, que morre desagregado e crendo ser Napole\u00e3o.<sup id=\"cite_ref-161\" class=\"reference\"><span>[<\/span>161<span>]<\/span><\/sup> Desta forma, a teoria do &#8220;ao vencedor, as batatas&#8221; seria uma par\u00f3dia \u00e0 ci\u00eancia da \u00e9poca de Machado; sua divulga\u00e7\u00e3o seria uma forma de desnudar ironicamente o car\u00e1ter desumano e anti-\u00e9tico complete pensamento da &#8220;lei accomplish mais forte&#8221;.<\/p>\n<p>Aos moldes get Naturalismo, Machado de Assis tamb\u00e9m retratava a sociedade de forma coletiva. Roberto Schwarz prop\u00f4s que <i>A M\u00e3o e a Luva<\/i>, <i>Helena<\/i>, <i>Iai\u00e1 Garcia<\/i> e <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i> s\u00e3o romances sobre tradi\u00e7\u00f5es, casamento, fam\u00edlia ligadas ao homem e \u00e0 mulher. A mulher tem papel fundamental no texto machadiano, tanto em sua fase rom\u00e2ntica, com <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i>, onde ele descreve o &#8220;gracioso busto&#8221; da personagem L\u00edvia, at\u00e9 sua fase realista, onde nota-se uma fixa\u00e7\u00e3o pelo olhar d\u00fabio de Capitu em <i>Dom Casmurro<\/i>.<sup id=\"cite_ref-163\" class=\"reference\"><span>[<\/span>163<span>]<\/span><\/sup> Suas mulheres s\u00e3o &#8220;capazes de conduzir a a\u00e7\u00e3o, apesar do predom\u00ednio da trama romanesca n\u00e3o ter se esvaziado.&#8221; As personagens femininas de Machado de Assis, ao contr\u00e1rio das mulheres de outros rom\u00e2nticos \u2014 que faziam a hero\u00edna dependente de outras figuras e indisposta \u00e0 a\u00e7\u00e3o principal na narrativa \u2014 s\u00e3o extremamente objetivas e possuem for\u00e7a de car\u00e1ter: a j\u00e1 citada L\u00edvia de <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i> \u00e9 quem culmina no rompimento de seu caso com o personagem F\u00e9lix e \u00e9 da Guiomar de <i>A M\u00e3o e a Luva<\/i> de quem parte a procura por Luiz Alves, que satisfar\u00e1 suas ambi\u00e7\u00f5es, assim como a hero\u00edna de <i>Helena<\/i> deixa-se morrer para n\u00e3o se passar como aventureira e, por fim, a Estela de <i>Iai\u00e1 Garcia<\/i>, que conduz a a\u00e7\u00e3o e promove o destino dos demais personagens.<sup id=\"cite_ref-FemaleMachado_164-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>164<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Jos\u00e9 de Alencar chamou Machado de Assis &#8220;o primeiro cr\u00edtico brasileiro&#8221;. De fato, o escritor foi um prol\u00edfico analisador da literatura de sua \u00e9poca antes mesmo de S\u00edlvio Romero. Al\u00e9m de percorrer e analisar as obras publicadas em sua \u00e9poca, ele escrevia sobre a literatura vigente. M\u00e1rio de Alencar escreve que Machado come\u00e7ou como cr\u00edtico antes mesmo de ser romancista: pret\u00e9rito a <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i> (1872), suas cr\u00edticas iniciaram-se em 1858.<sup id=\"cite_ref-165\" class=\"reference\"><span>[<\/span>165<span>]<\/span><\/sup> Estes textos circularam exclusivamente em jornais e revistas \u2014 <i>A Marmota<\/i>, <i>A Semana Ilustrada<\/i>, <i>O Novo Mundo<\/i>, <i>Correio Mercantil<\/i>, <i>O Cruzeiro<\/i>, <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i>, <i>Revista Brasileira<\/i> \u2014 at\u00e9 1910, quando Alencar os reuniu num volume. Segundo Machado de Assis, para o cr\u00edtico efetuar o julgamento de uma obra, &#8220;cumpre-lhe meditar profundamente sobre ela, procurar-lhe o sentido \u00edntimo, aplicar-lhe as leis po\u00e9ticas, ver enfim at\u00e9 que ponto a imagina\u00e7\u00e3o e a verdade conferenciaram para aquela produ\u00e7\u00e3o&#8221;.<sup id=\"cite_ref-167\" class=\"reference\"><span>[<\/span>167<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Em cr\u00edticas po\u00e9ticas, preocupou-se, portanto, com a m\u00e9trica, o verso e com a &#8220;sensibilidade&#8221; e o &#8220;sentimento&#8221; do poeta. Quanto \u00e0 <i>Lira dos Vinte Anos<\/i> (1853) de \u00c1lvares de Azevedo, Machado destacou a imagina\u00e7\u00e3o vigorosa e o talento robusto attain poeta que morreu muito jovem mas que deixou uma obra de &#8220;seiva poderosa&#8221;. Na prosa, destaca seu enredo e desenvolvimento. Elogiou as obras <i>O Guarani<\/i> (1857) e <i>Iracema<\/i> (1865) de Jos\u00e9 de Alencar, chamando-lhes de &#8220;poemas em prosa&#8221;.<sup id=\"cite_ref-169\" class=\"reference\"><span>[<\/span>169<span>]<\/span><\/sup> Machado reprovava o recurso inveross\u00edmil ou fortuito na trama prosaica \u2014 e este foi um dos motivos de criticar severamente <i>O Primo Bas\u00edlio<\/i> (1878) de E\u00e7a de Queir\u00f3s, raz\u00e3o pela qual foi alvo de ataques de colegas e outros cr\u00edticos brasileiros que haviam aceitado a obra. Por um outro lado, preconizava a simplicidade, e por isto elogiou as <i>Cenas da Vida Amaz\u00f4nica<\/i> (1899) do colega Jos\u00e9 Ver\u00edssimo.<sup id=\"cite_ref-171\" class=\"reference\"><span>[<\/span>171<span>]<\/span><\/sup> Embora desse valor a estas caracter\u00edsticas, era explicitamente avesso \u00e0 rotula\u00e7\u00e3o de teorias, escolas ou estilos art\u00edsticos; criticava a liga\u00e7\u00e3o de E\u00e7a com o Realismo, ao pedir: &#8220;Voltemos os olhos para a realidade, mas excluamos o realismo; assim n\u00e3o sacrificaremos a verdade est\u00e9tica&#8221;. Tamb\u00e9m reprovava em E\u00e7a a descri\u00e7\u00e3o naturalista das cenas de adult\u00e9rio, ao escrever: &#8220;essa pintura, esse aroma de alcova, essa descri\u00e7\u00e3o minuciosa, quase t\u00e9cnica, das rela\u00e7\u00f5es ad\u00falteras, eis o mal&#8221;.<sup id=\"cite_ref-173\" class=\"reference\"><span>[<\/span>173<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Seus escritos cr\u00edticos culminaram numa an\u00e1lise comparativa entre literatura e pol\u00edtica. Em geral, por exemplo, na resenha &#8220;Garrett&#8221; (1899), celebrou o escritor que havia em Almeida Garrett, mas desprezou a pol\u00edtica que havia nele. Do mesmo modo, na resenha de 1901 sobre <i>Pens\u00e9es d\u00e9tach\u00e9es et souvenirs<\/i>, Machado comemorou o fato de a pol\u00edtica n\u00e3o ter ofuscado a obra accomplish colega Joaquim Nabuco.<sup id=\"cite_ref-175\" class=\"reference\"><span>[<\/span>175<span>]<\/span><\/sup> E, no entanto, Machado de Assis aderiu \u00e0 quest\u00e3o da nacionalidade que a gera\u00e7\u00e3o de 1870 questionava fortemente. Escreveu o artigo &#8220;Literatura brasileira: instinto de nacionalidade&#8221; (1873). O artigo analisa praticamente todos os g\u00eaneros a que a literatura nacional aderiu durante os s\u00e9culos. Concluiu que o teatro \u00e9 praticamente ausente, falta uma cr\u00edtica liter\u00e1ria elevada, a poesia se orienta pela &#8220;cor local&#8221; mas ainda \u00e9 d\u00e9bil, a l\u00edngua \u00e9 por demais influenciada pelo franc\u00eas, mas o romance, por sua vez, &#8220;j\u00e1 deu frutos excelentes e os h\u00e1 de dar em muito maior escala&#8221;.<sup id=\"cite_ref-177\" class=\"reference\"><span>[<\/span>177<span>]<\/span><\/sup> Machado acreditava que o escritor brasileiro precisaria unir o universalismo com os problemas e os eventos get pa\u00eds, num sistema que Schwarz definiu como &#8220;dial\u00e9tica reach local e reach universal&#8221;. Entre as cr\u00edticas j\u00e1 detalhadas, tamb\u00e9m analisou Junqueira Freire, Fagundes Varela, entre outros.<sup id=\"cite_ref-Schwarzum_178-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>178<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Tem surgido a quest\u00e3o entre os estudiosos de Machado se ele n\u00e3o come\u00e7ou a escrever romances por conta da cr\u00edtica. O estudioso Luis Costa Lima aventa a hip\u00f3tese de que se Machado houvesse insistido no exerc\u00edcio da cr\u00edtica teria tido dificuldades de circula\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1rias naquele ambiente sociocultural. M\u00e1rio de Alencar, contudo, n\u00e3o sentia-se por inteiro satisfeito com o cr\u00edtico liter\u00e1rio Machado de Assis: &#8220;Suscet\u00edvel, suspicaz, delicado em extremo, receava magoar ainda que dizendo a verdade; e quando sentiu os riscos da profiss\u00e3o, j\u00e1 meio dissuadido da utilidade accomplish trabalho pela escassez da mat\u00e9ria, deixou a cr\u00edtica individualizada dos autores pela cr\u00edtica geral dos homens e das coisas, mais serena, mais eficaz, e ao gosto complete seu esp\u00edrito&#8221;.<sup id=\"cite_ref-180\" class=\"reference\"><span>[<\/span>180<span>]<\/span><\/sup> Sobre a literatura de seu tempo, Machado afirmava que as obras de Bas\u00edlio da Gama e de Santa Rita Dur\u00e3o &#8220;quiserem antes ostentar certa cor local accomplish que tornar independente a literatura brasileira, literatura que n\u00e3o existe ainda, que mal poder\u00e1 ir alvorecendo agora&#8221;.<\/p>\n<p>Em seu <i>Hist\u00f3ria da Literatura Brasileira<\/i> (1906), em que reserva o \u00faltimo cap\u00edtulo inteiro para tratar exclusivamente de Machado de Assis, Jos\u00e9 Ver\u00edssimo termina registrando o seguinte:<\/p>\n<p>Machado de Assis p\u00f4de assistir, ao longo get s\u00e9culo XIX e no come\u00e7o complete s\u00e9culo XX, a altera\u00e7\u00f5es vastas e decisivas no cen\u00e1rio internacional e nacional, nos costumes, nas ci\u00eancias da natureza e da sociedade, nas t\u00e9cnicas e em tudo o que entende com o progresso material. Alguns estudiosos sup\u00f5em, no entanto, que as cren\u00e7as atribu\u00eddas a Machado de Assis como um escritor engajado s\u00e3o falsas e que ele n\u00e3o esperava nada ou quase nada da hist\u00f3ria e da pol\u00edtica. Por exemplo: quanto \u00e0s guerras e os conflitos pol\u00edticos de sua \u00e9poca, em finais get s\u00e9culo 19, d\u00e1 de ombros em cr\u00f4nica de 26 de abril de 1896, ao escrever:<\/p>\n<p>Por outro lado, vivendo na corte, na capital realize Rio de Janeiro, Machado foi um grande comentador direto dos acontecimentos pol\u00edticos get pa\u00eds e todas suas grandes obras de fic\u00e7\u00e3o t\u00eam forte cunho social. Al\u00e9m disso, as cr\u00f4nicas garantem material especulativo direto. Na juventude, quando ainda lutava para ascender social e artisticamente, antes de tornar-se o escritor o qual passou a se conhecer, encontram-se detalhes que mais tarde seriam melhor problematizados. A 5 de mar\u00e7o de 1867, ent\u00e3o com 28 anos e ainda sem publicar qualquer romance, manifesta na primeira de suas <i>Cartas Fluminenses<\/i>, intitulada &#8220;A Opini\u00e3o P\u00fablica&#8221;: &#8220;N\u00e3o frequento o pa\u00e7o, mas gosto reach imperador. Tem as duas qualidades essenciais ao chefe de uma na\u00e7\u00e3o: \u00e9 esclarecido e honesto. Ama o seu pa\u00eds e acha que ele merece todos os sacrif\u00edcios&#8221;.<sup id=\"cite_ref-FOOTNOTEJ\u00fanior19814-5_187-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>187<span>]<\/span><\/sup> Nela, tamb\u00e9m declara uma profiss\u00e3o de f\u00e9 pol\u00edtica, a qual, segundo Wilson Martins, n\u00e3o evidencia ter modificado posteriormente:<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no ano seguinte, em 1868, Pedro II demitiu o gabinete highly developed de Zacarias de G\u00f3is e substitui-o pelo gabinete conservador de Itabora\u00ed. Gr\u00eamios e jornais liberais acusaram a atitude attain imperador de bonapartista. Machado testemunhou o ato com simpatia aos liberais;<sup id=\"cite_ref-BosiDois_189-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>189<span>]<\/span><\/sup> de fato, uma vez que o liberalismo simbolizava ainda a cr\u00edtica ao despotismo e ao clero, era essa, de acordo com Alfredo Bosi, a sua &#8220;cor ideol\u00f3gica&#8221; ao longo dos anos 60, que, no entanto, como bem registra Roberto Schwarz,<sup id=\"cite_ref-Schwarz2000126_190-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>190<span>]<\/span><\/sup> mais tarde ser\u00e1 tamb\u00e9m problematizada sobretudo em seus romances maduros com o retrato de um liberalismo que convivia com a explora\u00e7\u00e3o realize regime escravocrata. Em 1895, ao noticiar a morte de Joaquim Saldanha Marinho, liberal e republicano, Machado escreveu: &#8220;Os liberais voltaram mais tarde, tornaram a sair e a voltar, at\u00e9 que se foram devez, como os conservadores, e com uns e outros o Imp\u00e9rio.&#8221;<sup id=\"cite_ref-191\" class=\"reference\"><span>[<\/span>191<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>A cr\u00edtica de Machado de Assis \u00e0 Rep\u00fablica precisa ser contextualizada, referindo-se mais \u00e0s oligarquias da Rep\u00fablica Velha complete que ao sistema republicano civil em si. Desse modo, um de seus maiores receios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a da forma pol\u00edtica, conforme contextualiza John Gledson, \u00e9 que, naquela \u00e9poca espec\u00edfica, o federalismo da velha rep\u00fablica olig\u00e1rquica trazia o risco de descentralizar o pa\u00eds e dar poder \u00e0s classes dominantes olig\u00e1rquicas locais, acabando com a democracia defendida por republicanos hist\u00f3ricos e idealistas e amea\u00e7ando a unidade nacional conquistada, podendo levar o pa\u00eds, a exemplo de outros pa\u00edses get continente, a uma guerra civil, se tais oligarquias competissem entre si.  Contra a ditadura e a aboli\u00e7\u00e3o de partidos que colocava oposicionistas e governistas em divis\u00e3o <i>ad hoc<\/i>,<sup id=\"cite_ref-Gledson200612_192-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>192<span>]<\/span><\/sup> defendia as mudan\u00e7as e passagens menos dr\u00e1sticas trazidas pelo sistema parlamentarista, conforme se v\u00ea em cr\u00f4nica j\u00e1 da maturidade, em 17 de julho de 1892: &#8220;assim aconteceu at\u00e9 1889 com a monarquia e n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que n\u00e3o aconte\u00e7a depois de 1889, com a Rep\u00fablica&#8221;. No mesmo ano, em 21 de agosto de 1892, afirma: &#8220;Com o parlamentarismo, tivemos longos anos de paz p\u00fablica.&#8221;<sup id=\"cite_ref-asemanacronicas_193-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>193<span>]<\/span><\/sup> Em cr\u00f4nica de 20 de janeiro de 1895, <i>en passant<\/i>, defende pioneiristicamente a ascen\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres durante a Rep\u00fablica civil: &#8220;[&#8230;] a rep\u00fablica, como a monarquia, pode achar no governo mais accomplish que a gra\u00e7a e a distin\u00e7\u00e3o de uma senhora. Por que se n\u00e3o h\u00e1 de abolir a lei s\u00e1lica nas rep\u00fablicas? Se a mulher pode ser eleitora, por que n\u00e3o poderemos elevai-a \u00e0 presid\u00eancia? O nascimento d\u00e1 uma Catarina da R\u00fassia ou uma Isabel de Inglaterra, por que n\u00e3o h\u00e1 de o sufr\u00e1gio da na\u00e7\u00e3o escolher uma dama robusta capaz de governo?&#8221;<\/p>\n<p>Sabe-se, tamb\u00e9m, que Machado epoch fervorosamente contra a explora\u00e7\u00e3o humana e contra a escravid\u00e3o durante a monarquia, seus horrores sempre explicitamente denunciados em sua fic\u00e7\u00e3o e cr\u00f4nicas (confira a subse\u00e7\u00e3o Tem\u00e1tica). Em 1888, com a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil, em rara demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sai \u00e0s ruas em carruagem aberta, como escreveu numa c\u00e9lebre cr\u00f4nica da sua coluna &#8220;A Semana&#8221;, na <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i>, \u00faltimo jornal a colaborar, onde publicou suas \u00faltimas cr\u00f4nicas:<\/p>\n<p>No entanto, nem a Lei \u00c1urea passou batida de sua cr\u00edtica \u00e0s classes dominantes. Em cr\u00f4nica de 19 de maio de 1888, na coluna &#8220;Bons dias!&#8221;, portanto seis dias depois da Aboli\u00e7\u00e3o, Machado se utiliza do discurso em primeira pessoa com \u00e1cida ironia para se passar por um senhor crist\u00e3o com ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas parlamentares que &#8220;alforria&#8221; seu escravizado, antes da pr\u00f3pria lei e de qualquer um da elite; o jovem escravizado, sem ter para onde ir, j\u00e1 que n\u00e3o fora feita distribui\u00e7\u00e3o de terras tal como setores populares attain movimento abolicionista lutavam, acaba por continuar com o senhor, recebendo os mesmos mal tratos de sempre, s\u00f3 que agora com um m\u00edsero ordenado, ou seja, o cr\u00edtico Machado identifica contradi\u00e7\u00f5es e domina\u00e7\u00f5es nestas transi\u00e7\u00f5es todas: escravagismo para capitalismo, monarquia para rep\u00fablica etc.<\/p>\n<p>Segundo conta o poeta Olavo Bilac numa de suas cr\u00f4nicas, relembrada por Alfredo Pujol, o grande romancista portugu\u00eas e virulento antimonarquista<sup id=\"cite_ref-197\" class=\"reference\"><span>[<\/span>197<span>]<\/span><\/sup> E\u00e7a de Queiroz, que, no inverno de 1890 abria sua casa em Paris para pequena reuni\u00e3o de brasileiros, n\u00e3o deixava uma noite passar sem pronunciar e discutir o nome de Machado de Assis; numa dessas tert\u00falias, nutrindo por ele enorme admira\u00e7\u00e3o, quis saber se Machado foi contra ou a favor a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e seus efeitos, ao que Bilac e os demais presentes, embara\u00e7ados, n\u00e3o souberam o que responder, j\u00e1 que Machado mantinha-se reservado\u02d0 &#8220;Nem Dom\u00edcio da Gama, nem os dois Prados, Paulo e Eduardo, nem eu [Bilac], pod\u00edamos por exemplo dizer ao grande escritor de <i>Os Maias<\/i> o que o autor das <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> pensava da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, da quest\u00e3o financeira, do problema da unidade ou pluralidade das emiss\u00f5es banc\u00e1rias, da agita\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria pull off Rio Grande get Sul, e das tend\u00eancias nativistas da nova pol\u00edtica brasileira. E a esta interroga\u00e7\u00e3o: &#8216;Que pensa sobre isso o Machado?&#8217; \u2014 s\u00f3 pod\u00edamos replicar: &#8216;O Machado n\u00e3o pensa nada sobre isso: o Machado escreve romances e contos!&#8217; Literariamente, a admira\u00e7\u00e3o de E\u00e7a pelo nosso amado mestre become old intensa.&#8221;<sup id=\"cite_ref-199\" class=\"reference\"><span>[<\/span>199<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>De fato, apesar de determinadas cr\u00f4nicas j\u00e1 expostas, no \u00e2mbito da opini\u00e3o pol\u00edtica mais consistente considera-se a fic\u00e7\u00e3o de Machado, imediatamente voltada para seu tempo e realidade. Assim, de acordo com Josu\u00e9 Montello, numa conclus\u00e3o tardia, &#8220;Em vez de ser omisso, exprimia-se frequentemente por interm\u00e9dio dos seres que ia criando no recurso de sua fic\u00e7\u00e3o. Um dia far-se-\u00e1 a coleta das opini\u00f5es desses personagens, sobretudo considerando que eles refletiriam as contradi\u00e7\u00f5es accomplish Imp\u00e9rio e que levariam \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, objeto tamb\u00e9m pull off registro de Machado de Assis&#8221;. Pelas cr\u00f4nicas machadianas, sabe-se que a moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica trazida pela Rep\u00fablica trouxe muitos desagrados a ele, porque o jornalismo come\u00e7ou a dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s companhias capitalistas, aos bancos e \u00e0 Bolsa de valores pull off que \u00e0 arena parlamentar.<sup id=\"cite_ref-BosiSete_201-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>201<span>]<\/span><\/sup> Neste breve per\u00edodo, o capitalismo brasileiro, mediado pelo Estado, &#8220;ensaiava temerariamente os primeiros passos no regime nascente&#8221;, conforme escreve Raimundo Faoro. Machado detestava o &#8220;vale-tudo pull off dinheiro pelo dinheiro&#8221;, registra Alfredo Bosi.<sup id=\"cite_ref-BosiSete_201-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>201<span>]<\/span><\/sup> Em trecho de cr\u00f4nica de 09 de outubro de 1892, escreveu com ojeriza: &#8220;Pris\u00f5es, que tenho eu com elas? Processos, que tenho eu com eles? N\u00e3o dirijo companhia alguma, nem an\u00f4nima, nem pseud\u00f4nima; n\u00e3o fundei bancos, nem me disponho a fund\u00e1-los; e, de todas as coisas deste mundo e pull off outro, a que menos entendo, \u00e9 o c\u00e2mbio. (&#8230;) Finan\u00e7as, finan\u00e7as, s\u00e3o tudo finan\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Os estudiosos machadianos sociol\u00f3gicos, hist\u00f3ricos e mesmo alguns cr\u00edticos liter\u00e1rios, tais como Alfredo Bosi, Antonio Candido, Helen Caldwell, John Gledson, Roberto Schwarz, Raimundo Faoro e muitos outros, t\u00eam analisado e mapeado sobretudo cr\u00f4nicas, contos e romances accomplish autor em que a cr\u00edtica social da burguesia carioca e brasileira est\u00e1 mais presente em todo seu aspecto elitista. <i>Quincas Borba<\/i>, assim, representaria o calculismo, o aproveitamento, a cobi\u00e7a e a &#8220;coisifica\u00e7\u00e3o&#8221; do homem pelo homem no capitalismo, parodiando tamb\u00e9m o positivismo de Comte, o darwinismo social e a sele\u00e7\u00e3o natural complete mais forte;<sup id=\"cite_ref-204\" class=\"reference\"><span>[<\/span>204<span>]<\/span><\/sup> <i>Dom Casmurro<\/i> traria excesso de machismo e as trag\u00e9dias e farsas de um sujeito complete estrato social m\u00e9dio diante de uma mo\u00e7a e mulher de classe mais baixa;<sup id=\"cite_ref-206\" class=\"reference\"><span>[<\/span>206<span>]<\/span><\/sup> e <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, toda a sorte de irresponsabilidade, infecundidade e atrocidade de um sujeito e sua classe indolente e escravista que, por ter escravizados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quer trabalhar, que teve, segundo suas pr\u00f3prias palavras, a &#8220;boa fortuna de n\u00e3o comprar o p\u00e3o com o suor complete meu rosto&#8221;,<sup id=\"cite_ref-208\" class=\"reference\"><span>[<\/span>208<span>]<\/span><\/sup> retrato accomplish liberalismo de fachada que convivia com o regime escravocrata. No seu pen\u00faltimo livro, <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i>, romance que traz explicitamente temas como a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, o encilhamento e o Estado de s\u00edtio, sobretudo a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, irm\u00e3os g\u00eameos discutem a vida toda, um republicano e outro monarquista, depois ambos republicanos, mas um highly developed e outro conservador; o resolved insinua que ambos reservam, em alguma medida, semelhan\u00e7as, que provavelmente as altera\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as ocorrem apenas &#8220;de fachada&#8221; por interesses institucionais e da classe dominante vigente.<sup id=\"cite_ref-209\" class=\"reference\"><span>[<\/span>209<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Tomou certas posi\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas, por\u00e9m. Em cr\u00f4nica de 22 de julho de 1894, intitulada &#8220;Can\u00e7\u00e3o de Piratas&#8221;, refere-se \u00e0 Guerra de Canudos (1896\u20131897), apoiando Antonio Conselheiro de Canudos por seus legion\u00e1rios indignarem-se com a realidade clich\u00ea da \u00e9poca, e escreve contra os estigmas e preconceitos: &#8220;Jornais e telegramas dizem dos clavinoteiros e dos sequazes pull off Conselheiro que s\u00e3o criminosos; nem outra palavra pode sair de c\u00e9rebros alinhados, registrados, qualificados, c\u00e9rebros eleitores e contribuintes. Para n\u00f3s, artistas, \u00e9 a renascen\u00e7a, \u00e9 um raio de sol que, atrav\u00e9s da chuva mi\u00fada e aborrecida, vem dourar-nos a janela e a alma. \u00c9 a poesia que nos levanta do meio da prosa chilra e dura deste fim de s\u00e9culo.&#8221;<\/p>\n<p>Machado de Assis tamb\u00e9m p\u00f4de assistir ao embri\u00e3o get socialismo no Brasil e de organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores. Em 15 de maio de 1892, escreve com sua t\u00edpica ironia na sua coluna &#8220;A Semana&#8221;, da <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i>: &#8220;Tudo \u00e9 ovo. Quando o Sr. deputado Vinhais, no intuito de canalizar a torrente socialista, criou e disciplinou o partido oper\u00e1rio, estava longe de esperar que os patr\u00f5es e negociantes iriam ter com ele um dia, nas suas dificuldades, como aconteceu agora na quest\u00e3o dos carrinhos de m\u00e3o. Assim, o partido oper\u00e1rio pode ser o ovo de um bom partido conservador. Amanh\u00e3 ir\u00e3o procur\u00e1-lo os diretores de bancos e companhias, quando menos para protestar contra a proposta de um acionista de certa sociedade an\u00f4nima, cujo t\u00edtulo me escapa.&#8221; Em 5 de junho complete mesmo ano, mais s\u00e9rio, mostra-se simp\u00e1tico ao surgimento pull off socialismo no Brasil e, em documento hist\u00f3rico pioneiro, o defende:<\/p>\n<p>Machado de Assis preferiu, em muitos momentos mais espec\u00edficos, ser como o s\u00e1bio Conselheiro Aires, seu autorretrato e personagem dos seus dois \u00faltimos livros: pac\u00edfico, conciliador, anfitri\u00e3o, observador, cr\u00edtico mais humanista ou neutro na maior parte dos assuntos. Isto se evidencia, inclusive, quando a Academia Brasileira de Letras torna-se cada vez mais um instrumento de pol\u00edtica externa a partir da elei\u00e7\u00e3o realize diplomata e historiador Bar\u00e3o reach Rio Branco em 1898. Nos anos finais, entre querer ser estadista ativo como Joaquim Nabuco ou cronista neutro, Machado de Assis prefere a segunda op\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a de Aires.<sup id=\"cite_ref-folhacorrespondenciasanosfinais_106-4\" class=\"reference\"><span>[<\/span>106<span>]<\/span><\/sup> Por\u00e9m, nunca titubeou em se posicionar a favor da justi\u00e7a social mais ampla; em cr\u00f4nica de 6 de janeiro de 1895, no alvorecer do s\u00e9culo seguinte, sentencia:<\/p>\n<p>No final de sua vida, Machado acreditava que o sonho po\u00e9tico de outrora estava se desfazendo com a moderniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica trazida pelo capitalismo. E, de certa forma, ele mesmo se desfazia: em 1900, no alvorecer get novo s\u00e9culo, envia uma carta a um colega discutindo se o que aparecia naquele determinado momento eram os &#8220;p\u00e9s&#8221; do s\u00e9culo XIX ou se j\u00e1 era a &#8220;cabe\u00e7a&#8221; do s\u00e9culo XX, e conclui: &#8220;eu sou pela cabe\u00e7a&#8221;, ou seja, &#8220;meu s\u00e9culo j\u00e1 acabou&#8221;.<sup id=\"cite_ref-212\" class=\"reference\"><span>[<\/span>212<span>]<\/span><\/sup> Alfredo Bosi escreveu que o autor n\u00e3o via maus ou bons resultados na mudan\u00e7a do &#8220;despotismo milenar&#8221; ao &#8220;liberalismo dos reformadores turcos&#8221;, mas que a &#8220;beleza da tradi\u00e7\u00e3o&#8221; mon\u00e1rquica, e n\u00e3o de seu elitismo e despotismo, sucumbia \u00e0 &#8220;for\u00e7a das mudan\u00e7as ideol\u00f3gicas&#8221;. Para Machado de Assis, enfim, tudo tinha sua mudan\u00e7a, conforme escreveu em cr\u00f4nica pull off dia 16 de junho de 1878: &#8220;Os dias passam, e os meses, e os anos, e as situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e as gera\u00e7\u00f5es, e os sentimentos, e as ideias.&#8221;<sup id=\"cite_ref-214\" class=\"reference\"><span>[<\/span>214<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Tem-se intensificado a tentativa de descobrir a religi\u00e3o de Machado de Assis. Sabe-se que na inf\u00e2ncia ajudava uma igreja local e que fora parcialmente educado em idiomas por um padre, o j\u00e1 citado Silveira Sarmento.<sup id=\"cite_ref-Vaifasqua_31-6\" class=\"reference\"><span>[<\/span>31<span>]<\/span><\/sup> Analisando sua obra, muitos cr\u00edticos o colocaram ao lado de Ot\u00e1vio Brand\u00e3o, crendo que ele get older adepto absoluto get niilismo. Outros o enxergavam como um perfeito ateu,<sup id=\"cite_ref-ReligaAbl_215-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>215<span>]<\/span><\/sup> no entanto recebeu profunda influ\u00eancia de textos cat\u00f3licos (<i>ver se\u00e7\u00e3o Leituras<\/i>). De fato, a religi\u00e3o de Machado de Assis tornou-se t\u00e3o obscura que talvez n\u00e3o haja outro m\u00e9todo sen\u00e3o procur\u00e1-la em sua obra.<\/p>\n<p>Como poeta, escreveu tr\u00eas poemas correlacionados no que se refere \u00e0 ora\u00e7\u00f5es e ao antagonismo entre a Roma antiga, o Paganismo e a Cristandade: &#8220;F\u00e9&#8221;, &#8220;O Dil\u00favio&#8221; e &#8220;Vis\u00e3o&#8221;, sendo que os dois primeiros foram publicados em <i>Cris\u00e1lidas<\/i> (1864) e o \u00faltimo em <i>Falenas<\/i> (1870). Alguns especialistas notam nestes tr\u00eas poemas que Machado vangloriava a f\u00e9 e a grandeza de Deus, mas num sentido mais po\u00e9tico e renascentista que doutrin\u00e1rio ou moralista.<sup id=\"cite_ref-ReligaAbl_215-3\" class=\"reference\"><span>[<\/span>215<span>]<\/span><\/sup> Autores como Hugo Bressane de Ara\u00fajo analisaram sua obra sob aspecto exclusivamente religioso, citando muito embora os dizeres de Machado ser &#8220;anticlerical&#8221;; contudo, a mentalidade de Ara\u00fajo limita-se a um pensamento religioso e n\u00e3o cr\u00edtico liter\u00e1rio, por ter sido bispo diocesano. Em <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, h\u00e1 uma passagem em que o personagem-fil\u00f3sofo Quincas Borba diz: &#8220;O Humanitismo h\u00e1 de ser tamb\u00e9m uma religi\u00e3o, a get futuro, a \u00fanica verdadeira. O cristianismo \u00e9 bom para as mulheres e os mendigos, e as outras religi\u00f5es n\u00e3o valem mais pull off que essa: or\u00e7am todas pela mesma vulgaridade ou fraqueza. O para\u00edso crist\u00e3o \u00e9 um digno \u00eamulo realize para\u00edso mu\u00e7ulmano; e quanto ao nirvana de Buda n\u00e3o passa de uma concep\u00e7\u00e3o de paral\u00edticos. Ver\u00e1s o que \u00e9 a religi\u00e3o human\u00edstica. A absor\u00e7\u00e3o final, a fase contrativa, \u00e9 a reconstitui\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia, n\u00e3o o seu aniquilamento, etc.&#8221;.<sup id=\"cite_ref-217\" class=\"reference\"><span>[<\/span>217<span>]<\/span><\/sup> Entretanto, tal trecho n\u00e3o passa da fala de uma personagem fict\u00edcia, em que Quincas Borba tenta elevar sua pr\u00f3pria religi\u00e3o, e mesmo o Humanitismo \u00e9 apenas uma das inven\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas de Machado de Assis; Candido escreveu que a ess\u00eancia da cr\u00edtica machadiana \u00e9 &#8220;a transforma\u00e7\u00e3o get homem em objeto realize homem, que \u00e9 uma das maldi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 falta de liberdade verdadeira, econ\u00f4mica e espiritual&#8221;.<\/p>\n<p>Para entenderem mais a fundo suas convic\u00e7\u00f5es pessoais e seu genuine pensamento, os cr\u00edticos analisam as cr\u00f4nicas publicadas nos jornais. Em &#8220;Can\u00e7\u00e3o de Piratas&#8221;, publicada na <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i> em 22 de julho de 1894, apoia Antonio Conselheiro de Canudos por seus legion\u00e1rios se indignarem com a realidade clich\u00ea e entediante da \u00e9poca, e critica os m\u00e9todos da Igreja: &#8220;O pr\u00f3prio amor \u00e9 regulado por lei; os cons\u00f3rcios celebram-se por um regulamento em casa get pretor, e por um ritual na casa de Deus, tudo com a etiqueta dos carros e casacas, palavras simb\u00f3licas, gestos de conven\u00e7\u00e3o&#8221;. Al\u00e9m disso, no Rio de Janeiro de sua \u00e9poca, sabe-se que o Espiritismo crescia expressivamente.<sup id=\"cite_ref-218\" class=\"reference\"><span>[<\/span>218<span>]<\/span><\/sup> Numa suposta visita \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira, relatada numa cr\u00f4nica na <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i> do dia 5 de outubro de 1885, conta, com ironia, sobre suposta viagem astral que tivera. Embora tenham surgido an\u00e1lises afirmando que <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> fosse um livro cujo estilo times influenciado pelo conceito de &#8220;psicografia&#8221;,<sup id=\"cite_ref-220\" class=\"reference\"><span>[<\/span>220<span>]<\/span><\/sup> cr\u00edticos modernos acreditam que Machado encarava a religi\u00e3o esp\u00edrita como todo movimento novo que possui a pretens\u00e3o de se apresentar como solu\u00e7\u00e3o dos males &#8220;n\u00e3o resolvidos&#8221; pelos seres humanos.<\/p>\n<p>Machado de Assis epoch contra toda forma de fundamentalismo. Em cr\u00f4nica de 24 de julho de 1892, sobre candidatos pol\u00edticos atrelados \u00e0s religi\u00f5es, confessa: &#8220;Eu que sou n\u00e3o s\u00f3 pela liberdade espiritual, mas tamb\u00e9m pela igualdade espiritual, entendo que todas as religi\u00f5es devem ter lugar no Congresso Nacional (&#8230;)&#8221;. Confessa, nesta mesma cr\u00f4nica, ser anabatista,<sup id=\"cite_ref-cronicade24dejulhode1892_222-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>222<span>]<\/span><\/sup> n\u00e3o sabemos se com ironia ou a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Machado de Assis times apaixonado pelo jogo de xadrez.<sup id=\"cite_ref-224\" class=\"reference\"><span>[<\/span>224<span>]<\/span><\/sup> Seu interesse por este divertimento levou-o a ocupar posi\u00e7\u00e3o destacada nos c\u00edrculos enxadr\u00edsticos get tempo do Imp\u00e9rio, precursores pull off xadrez no Brasil. Mantinha correspond\u00eancia com as se\u00e7\u00f5es especializadas dos peri\u00f3dicos da \u00e9poca, compondo problemas (foi o primeiro brasileiro a ter um problema de xadrez publicado)<sup id=\"cite_ref-Mathias161_226-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>226<span>]<\/span><\/sup> e enigmas, e, indo mais al\u00e9m, participou complete primeiro torneio de xadrez efetuado no Brasil, em 1880. Sua primeira refer\u00eancia liter\u00e1ria expl\u00edcita ao xadrez data de 1864, no conto &#8220;Quest\u00e3o de Vaidade&#8221;; a data faz supor que seu professor provavelmente tenha sido Artur Napole\u00e3o, pianista, compositor, editor de partituras musicais luso-brasileiro, que chegou a acompanhar ao Brasil, de volta de uma de suas viagens \u00e0 Europa, a futura esposa de Machado, Carolina Xavier de Novais.<sup id=\"cite_ref-227\" class=\"reference\"><span>[<\/span>227<span>]<\/span><\/sup> Napole\u00e3o, divulgador obstinado reach xadrez em diversas revistas, jornais e clubes brasileiros, era precoce; aos dezesseis anos de idade, o virtuose luso radicado no Brasil enfrentara o famoso campe\u00e3o do mundo Paul Charles Morphy em Nova Iorque.<\/p>\n<p>Conforme confessa em cr\u00f4nica de 5 de maio de 1895, na sua coluna dominical A Semana na <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i>, Machado j\u00e1 frequentava o Clube Fluminense em 1868 com a finalidade de jogar xadrez. Mais tarde, passou a praticar no Gr\u00eamio de Xadrez, que funcionava em cima realize Club Polit\u00e9cnico, na Rua da Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00famero 47.<sup id=\"cite_ref-Mathias147_230-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>230<span>]<\/span><\/sup> Em 15 de junho de 1877, foi publicado na revista <i>Ilustra\u00e7\u00e3o Brasileira<\/i>, na primeira se\u00e7\u00e3o de xadrez brasileira, sob a responsabilidade de Napole\u00e3o, o primeiro problema de xadrez de autor brasileiro publicado no Brasil: a autoria grow old justamente de Machado de Assis, que j\u00e1 escrevia cr\u00f4nicas no peri\u00f3dico.<sup id=\"cite_ref-Mathias161_226-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>226<span>]<\/span><\/sup> Este problema acabou sendo publicado tamb\u00e9m no livro <i>Caissana Brasileira<\/i>, de Arthur Napole\u00e3o, segundo livro sobre xadrez publicado no Brasil (o primeiro foi <i>O Perfeito Jogador de Xadrez<\/i>, de 1850) e o mais ic\u00f4nico livro brasileiro sobre xadrez publicado no s\u00e9culo XIX.<sup id=\"cite_ref-Mathias156_232-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>232<span>]<\/span><\/sup> O livro, lan\u00e7ado em 1898, \u00e9 uma colet\u00e2nea de 500 problemas de xadrez criadas por diversos autores, al\u00e9m de trazer bibliografia e hist\u00f3rico attain jogo no Brasil. Sobre o problema de Machado, Napole\u00e3o escreve: &#8220;Como o poeta franc\u00eas Alfred de Musset, Machado de Assis comp\u00f4s um bonito 2 lances&#8221;. Em abril de 1878, a <i>Ilustra\u00e7\u00e3o Brasileira<\/i> deixa de sair.<sup id=\"cite_ref-Mathias156_232-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>232<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois da pioneira publica\u00e7\u00e3o pull off problema enxadr\u00edstico machadiano na <i>Ilustra\u00e7\u00e3o Brasileira<\/i>, a <i>Revista Musical e de Belas-Artes<\/i>, fundada e editada por Napole\u00e3o e Leopoldo Miguez em 1879, anuncia o primeiro torneio de xadrez disputado no Brasil, em 1880. Participariam seis dos melhores amadores da Corte: Machado de Assis, Arthur Napole\u00e3o, Jo\u00e3o Caldas Viana Filho, visconde de Pirapitinga (o primeiro grande enxadrista brasileiro e provavelmente o maior jogador surgido no Brasil at\u00e9 1930),<sup id=\"cite_ref-233\" class=\"reference\"><span>[<\/span>233<span>]<\/span><\/sup> Charles Pradez (su\u00ed\u00e7o que residiu alguns anos no Rio de Janeiro), Joaquim Navarro e Vitoriano Palhares.<sup id=\"cite_ref-oproblemista_225-3\" class=\"reference\"><span>[<\/span>225<span>]<\/span><\/sup> Ap\u00f3s as primeiras rodadas realize torneio, o resultado parcial divulgado mostrava Machado de Assis liderando com seis pontos, seguido de Arthur Napole\u00e3o (cinco e meio), Caldas Vianna (quatro e meio), Charles Pradez (quatro), Joaquim Navarro (um) e Vitoriano Palhares (um).<sup id=\"cite_ref-Mathias166_235-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>235<span>]<\/span><\/sup> Machado de Assis terminou o torneio em terceiro lugar, atr\u00e1s apenas de Arthur Napole\u00e3o e Jo\u00e3o Caldas Vianna. A revista termina em 1880 e o <i>Jornal accomplish Commercio<\/i>, em 1886, passa a publicar aos domingos uma coluna de Napole\u00e3o.<sup id=\"cite_ref-Mathias156_232-3\" class=\"reference\"><span>[<\/span>232<span>]<\/span><\/sup> Num artigo em retrospecto dos torneios de xadrez, publicados por este jornal em 3 de janeiro de 1886, n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de Machado entre os disputantes.<\/p>\n<p>Estes fatos foram pesquisados e coletados em revistas e jornais da \u00e9poca existentes na Biblioteca Nacional por Herculano Gomes Mathias em &#8220;Machado de Assis e o jogo de xadrez&#8221;, artigo publicado nos Anais get Museu Hist\u00f3rico Nacional, volume 13, 1952\u20131964, que estabelece tamb\u00e9m uma cronologia das men\u00e7\u00f5es enxadr\u00edsticas em rela\u00e7\u00e3o a Machado de Assis. Ap\u00f3s o primeiro torneio brasileiro de xadrez, cada vez mais rareiam documentos que relacionem Machado ao jogo, mas seu interesse se manteve. Em 4 de janeiro de 1882, fundava-se no Rio o Clube Beethoven, casa restrita com saraus \u00edntimos e concertos de m\u00fasica cl\u00e1ssica que, em pouco tempo, contava com uma sala de xadrez.<sup id=\"cite_ref-Mathias148_237-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>237<span>]<\/span><\/sup> Atrav\u00e9s accomplish Almanaque Laemmert de 1884, \u00e9 poss\u00edvel constatar que aderiram ao Clube novos s\u00f3cios enxadristas, como Napole\u00e3o, Charles Pradez, Caldas Vianna e Machado de Assis. Machado de Assis, que tamb\u00e9m servia na dire\u00e7\u00e3o reach clube fun\u00e7\u00f5es de bibliotec\u00e1rio,<sup id=\"cite_ref-238\" class=\"reference\"><span>[<\/span>238<span>]<\/span><\/sup> lamenta o fim complete clube em cr\u00f4nica de 5 de julho de 1896: &#8220;(&#8230;) Mas tudo acaba, e o clube Beethoven, como outras institui\u00e7\u00f5es id\u00eanticas, acabou. A decad\u00eancia e a dissolu\u00e7\u00e3o puseram termo aos longos dias de del\u00edcias&#8221;. Herculano Gomes Mathias nota, por\u00e9m, que nos torneios efetuados pelo clube, a partir de 1882, n\u00e3o consta a participa\u00e7\u00e3o de Machado de Assis, nem mesmo no Club dos Di\u00e1rios, onde jogava muito, ao contr\u00e1rio de Caldas Vianna e de Arthur Napole\u00e3o, cujos nomes est\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o de associados.<sup id=\"cite_ref-Mathias150_240-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>240<span>]<\/span><\/sup> Ainda assim, em cr\u00f4nica de 2 de janeiro de 1896, lemos uma refer\u00eancia ainda entusiasmada: &#8220;(&#8230;) Meu bom xadrez, meu querido xadrez, que \u00e9s o jogo dos silenciosos (&#8230;)&#8221; Mathias avalia: &#8220;A qualidade realize jogo de Machado examinada atrav\u00e9s do estudo de suas partidas, e a facilidade com que solucionava os problemas publicados na imprensa d\u00e3o-nos uma ideia lisonjeira de sua for\u00e7a como jogador. (&#8230;) V\u00ea-se que Machado de Assis, no que toca aos parceiros [Arthur Napole\u00e3o e Jo\u00e3o Caldas Viana], estava em boa companhia. (&#8230;)&#8221;.<sup id=\"cite_ref-242\" class=\"reference\"><span>[<\/span>242<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Em artigo intitulado &#8220;Machado de Assis, o enxadrista&#8221;, de 2008, para a <i>Revista Brasileira<\/i>, publicada pela Academia Brasileira de Letras, o enxadrista e analista de sistemas Cl\u00e1udio de Souza Soares considera estes dados hist\u00f3ricos todos para analisar se a mentalidade enxadrista de Machado de Assis poderia revelar algo de sua genialidade. Considera alguns momentos proeminentes em que o jogo aparece em sua obra. No conto &#8220;Antes que Cases&#8230;&#8221; (1875), a personagem \u00c2ngela diz para o personagem Alfredo: &#8220;- A vida n\u00e3o \u00e9 um jogo de xadrez&#8221;. No romance <i>Iai\u00e1 Garcia<\/i> (1878), volta atr\u00e1s, ao descrever que &#8220;Das qualidades necess\u00e1rias ao xadrez, Iai\u00e1 possu\u00eda as duas essenciais: vista pronta e paci\u00eancia beneditina; qualidades preciosas na vida, que tamb\u00e9m \u00e9 um xadrez, com seus problemas e partidas, umas ganhas, outras perdidas, outras nulas&#8221;.<sup id=\"cite_ref-250\" class=\"reference\"><span>[<\/span>250<span>]<\/span><\/sup> Cl\u00e1udio de Souza Soares afirma: &#8220;A discri\u00e7\u00e3o e a obstina\u00e7\u00e3o de Machado eram caracter\u00edsticas de um grande enxadrista. Quanto mais sua obra se afirma, mais ele se torna um homem retra\u00eddo, calado, metido consigo. Em 1880, \u00e9poca de sua mais intensa atividade enxadr\u00edstica, ele publica, originalmente como folhetim, o romance que para muitos \u00e9 o divisor de \u00e1guas em sua carreira: <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>&#8220;.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, no romance <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i> (1904), Machado de Assis explica seu m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, comparando a narrativa a um jogo de xadrez: &#8220;Por outro lado, h\u00e1 proveito em irem as pessoas da minha hist\u00f3ria colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de solidariedade, esp\u00e9cie de troca de servi\u00e7os, entre o enxadrista e os seus trebelhos.&#8221; (&#8220;trebelho&#8221; \u00e9 qualquer pe\u00e7a de xadrez) O jogo ainda \u00e9 mencionado em v\u00e1rios outros contos: &#8220;Quest\u00e3o de vaidade&#8221;, &#8220;Ast\u00facias de Marido&#8221;, &#8220;Hist\u00f3ria de uma L\u00e1grima&#8221;, &#8220;Rui de Le\u00e3o&#8221;, &#8220;Qual dos Dois&#8221;, &#8220;Quem Boa Cama Faz&#8221;, &#8220;A Cartomante&#8221; e em diversas cr\u00f4nicas. Em seu artigo, Cl\u00e1udio de Souza Soares sentencia: &#8220;Para a mente de um romancista-enxadrista, a associa\u00e7\u00e3o get jogo com a literatura soa natural. A leitura de um livro \u00e9 apenas uma das possibilidades que o arranjo de suas jogadas, ou hist\u00f3rias, pode conter. Esse \u00e9 o princ\u00edpio da combinat\u00f3ria. Esse \u00e9 o princ\u00edpio accomplish jogo que Machado prop\u00f5e aos seus leitores. (&#8230;) Enquanto um livro de Machado de Assis for exumado de uma estante e lido, \u00e9 porque a partida continua. Estamos em xeque. O pr\u00f3ximo movimento de Machado de Assis \u00e9 um enigma. A ressaca no olhar inesgot\u00e1vel de Capitu \u00e9 apenas um deles. Pistas essenciais para o estudo da obra complete grande escritor brasileiro poder\u00e3o ser descobertas nos labirintos accomplish tabuleiro, no cont\u00ednuo movimento de suas pe\u00e7as? Como ele pr\u00f3prio nos aconselha em <i>Iai\u00e1 Garcia<\/i>, ser\u00e1 preciso manter a vista pronta e a paci\u00eancia beneditina, pois aqui (e assim \u00e9 a pr\u00f3pria vida) jogamos xadrez&#8221;.<sup id=\"cite_ref-oproblemista_225-7\" class=\"reference\"><span>[<\/span>225<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>O interesse de Machado de Assis pelo xadrez prolongou-se por muitos anos, conforme revela sua correspond\u00eancia com o amigo Joaquim Nabuco que, em 1883, lhe envia de Londres retalhos de jornais com transcri\u00e7\u00f5es de partidas, atendendo ao pedido do amigo. Em cr\u00f4nica de 25 de fevereiro de 1894, evoca os personagens Pr\u00f3spero e Miranda da \u00faltima pe\u00e7a de Shakespeare, <i>A Tempestade<\/i>, para escrever: &#8220;(&#8230;) diria \u00e0 bela Miranda que jogasse comigo o xadrez, um jogo delicioso, por Deus! imagem da anarquia, onde a rainha come o pi\u00e3o, o pi\u00e3o come o bispo, o bispo come o cavalo, o cavalo come a rainha, e todos comem a todos. Graciosa anarquia, tudo isso sem rodas que andem, nem urnas que falem!&#8221;<sup id=\"cite_ref-251\" class=\"reference\"><span>[<\/span>251<span>]<\/span><\/sup> Em 1927, na introdu\u00e7\u00e3o get seu livro <i>Xadrez Elementar<\/i>, Eurico Penteado escreveu, em retrospecto e homenagem: &#8220;Enfim, uma era nova parecia surgir para o xadrez nacional, quase moribundo, ap\u00f3s os dias brilhantes de Caldas Vianna, Arthur Napole\u00e3o, Machado de Assis e outros&#8221;.<\/p>\n<p>Para bi\u00f3grafos ortodoxos, Machado de Assis possu\u00eda uma sa\u00fade muito fr\u00e1gil. Acredita-se que tenha nascido com epilepsia e gagueira,<sup id=\"cite_ref-fuvest1_46-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>46<span>]<\/span><\/sup> e que desenvolveu ao longo de sua vida problemas nervosos, cegueira, depress\u00e3o, que teriam se agravado ap\u00f3s o falecimento da esposa. As crises epil\u00e9pticas teriam se iniciado na inf\u00e2ncia, tendo remiss\u00e3o na adolesc\u00eancia e recidivaram na terceira d\u00e9cada, tornando-se mais frequentes nos \u00faltimos anos.<sup id=\"cite_ref-milnoveoito_254-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>254<span>]<\/span><\/sup> Na ic\u00f4nica imagem abaixo, v\u00ea-se Machado sendo acudido pr\u00f3ximo ao Cais Pharoux, em 1\u00ba de setembro de 1907, na Pra\u00e7a XV, fotografia tirada por Augusto Malta.<sup id=\"cite_ref-PizaCincoNove_256-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>256<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Disfar\u00e7ando a gagueira, conta-se que certa vez lhe notaram a dificuldade com que se expressava por conta das mordeduras na l\u00edngua, ao que o escritor retrucou: &#8220;estas aftas, estas aftas&#8230;&#8221;. Quanto \u00e0 epilepsia, cr\u00ea-se que n\u00e3o a contou nem mesmo para Carolina antes do casamento at\u00e9 acomet\u00ea-lo uma crise generalizada t\u00f4nico-cl\u00f4nica que desde crian\u00e7a prefigurava como &#8220;umas coisas esquisitas&#8221; que n\u00e3o haviam se repetido at\u00e9 o casamento. Cr\u00ea-se que o autor n\u00e3o tivesse tido at\u00e9 ent\u00e3o uma crise t\u00edpica.<sup id=\"cite_ref-Peleseis_258-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>258<span>]<\/span><\/sup> Mesmo antes da morte de Carolina, em 1880 parcialmente perdeu a vis\u00e3o, tendo que ouvir a esposa ler-lhe textos de jornais ou livros.<\/p>\n<p>Certos bi\u00f3grafos dizem que ele n\u00e3o aludia sua enfermidade e nem lhe escrevia o nome, como em sua correspond\u00eancia com o amigo M\u00e1rio de Alencar: &#8220;O muito trabalhar destes \u00faltimos dias tem-me trazido alguns fen\u00f4menos nervosos&#8230;&#8221;. Para alguns, a censura da palavra &#8220;epilepsia&#8221; lhe fez exclu\u00ed-la das edi\u00e7\u00f5es ulteriores de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, mas que deixaria escapar na edi\u00e7\u00e3o primeira ao descrever o padecimento da personagem Virg\u00edlia diante da morte realize amante: <i>N\u00e3o digo que se carpisse; n\u00e3o digo que se deixasse rolar pelo ch\u00e3o, epil\u00e9ptica&#8230;<\/i>, que fora substitu\u00edda por: <i>N\u00e3o digo que se carpisse, n\u00e3o digo que se deixasse rolar pelo ch\u00e3o, convulsa&#8230;<\/i><sup id=\"cite_ref-260\" class=\"reference\"><span>[<\/span>260<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Praticamente todos seus bi\u00f3grafos fizeram o diagn\u00f3stico de epilepsia: Lopes (1981) sugeriu a ocorr\u00eancia, muito comum pelo menos na \u00faltima fase da vida, de crises psicomotoras, provavelmente decorrentes de foco temporal e da \u00ednsula, enquanto Guerreiro (1992), utilizando conceitos da epileptologia atual, assinalou que sofria altera\u00e7\u00f5es da consci\u00eancia, automatismos e confus\u00e3o p\u00f3s-cr\u00edtica. Ambos autores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que as crises eram provenientes reach lobo temporal direito. Alguns indicam que um complexo de inferioridade acrescido de um grande introvertimento contribu\u00edram para sua personalidade epilept\u00f3ide.<sup id=\"cite_ref-doismil_110-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>110<span>]<\/span><\/sup> Segundo A. Botelho, &#8220;o epil\u00e9ptico nem sempre est\u00e1 irritado, por\u00e9m se mostra com frequ\u00eancia ap\u00e1tico, deprimido e triste, com plena consci\u00eancia de sua inferioridade social.&#8221; A epilepsia seria, definitivamente, um fardo para Machado. Carlos de Laet presenciou o que seria uma de suas crises p\u00fablicas e descreveu-a assim:<\/p>\n<p>Apesar dessas teses, cr\u00edticos como Jean-Michel Massa e Valentim Facioli afirmaram que as enfermidades de Machado n\u00e3o passam de &#8220;mitos rom\u00e2nticos&#8221;. Para esse grupo, os bi\u00f3grafos tendem a exagerar seus sofrimentos, o que seria fruto do &#8220;psicologismo que invadiu a cr\u00edtica liter\u00e1ria dos anos 30 e dos anos 40&#8221;. Argumentam que na \u00e9poca muitos negros eram guindados ao Minist\u00e9rio e que o pr\u00f3prio Machado foi subindo socialmente, o que desvalidaria a tese de sentimento de inferioridade.<sup id=\"cite_ref-265\" class=\"reference\"><span>[<\/span>265<span>]<\/span><\/sup> Contudo, o relato de Carlos de Laet reproduzido acima n\u00e3o deixa d\u00favidas. Outros cr\u00edticos conectam a sa\u00fade de Machado com sua obra. O conto &#8220;Verba Testament\u00e1ria&#8221; de <i>Pap\u00e9is Avulsos<\/i> descreve uma crise epil\u00e9ptica ([&#8230;] <i>tinha ocasi\u00f5es de cambalear; outras de escorrer-lhe pelo canto da boca um fio quase impercept\u00edvel de espuma.<\/i>), enquanto que em <i>Quincas Borba<\/i> um dos personagens percebe que andava \u00e0 toa, vertiginoso (<i>Deu por si na Pra\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/i>)<sup id=\"cite_ref-267\" class=\"reference\"><span>[<\/span>267<span>]<\/span><\/sup> <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> conta em uma de suas linhas um problema nervoso em que o narrador vai andando conforme a perna lhe leva ([&#8230;] <i>nenhum merecimento da a\u00e7\u00e3o me cabe, e sim \u00e0s pernas que a fizeram<\/i>), enquanto que no poema &#8220;Suave Mari Magno&#8221; h\u00e1 explicitamente o uso da palavra &#8220;convuls\u00e3o&#8221;: <i>Arfava, espumava e ria,\/ De um riso esp\u00fario e buf\u00e3o,\/ Ventre e pernas sacudia,\/ Na convuls\u00e3o.<\/i> Alguns notam que o Bentinho de <i>Dom Casmurro<\/i>, por ter se tornado uma pessoa fechada, taciturna, mal-humorada, podia sofrer de distimia,<sup id=\"cite_ref-Psiseis_269-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>269<span>]<\/span><\/sup> enquanto que seu companheiro Escobar sofria de transtorno obsessivo-compulsivo e de tiques motores, com poss\u00edvel controle sobre eles.<\/p>\n<p>Em 1991, a novela inovadora <i>O Alienista<\/i> foi vista como a primeira contribui\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 antipsiquiatria e a escrita de Machado, que faz in\u00fameras refer\u00eancias a problemas mentais de sa\u00fade, vista como uma extens\u00e3o de seu &#8220;sentimento de inferioridade por ser mulato, de origem pobre, \u00f3rf\u00e3o, e epil\u00e9ptico&#8221;. No ano derradeiro, tendo interrompido todas as atividades sociais e o trabalho no Minist\u00e9rio como diretor-geral por causa attain comprometimento com a sa\u00fade, sobretudo por causa dos ataques epil\u00e9pticos, procurou ajuda com o importante doutor Miguel Couto, que j\u00e1 havia tratado de Carolina. Couto recomendou brometo, um fraco tranquilizante; a droga ingerida foi ineficaz, causando efeitos indesej\u00e1veis e obrigando Machado a seguir o conselho de um dos amigos para descontinuar o tratamento e optar pela homeopatia, que, no entanto, n\u00e3o surtiu grandes melhoras.<sup id=\"cite_ref-271\" class=\"reference\"><span>[<\/span>271<span>]<\/span><\/sup> Em seus \u00faltimos dias, morreu com uma \u00falcera cancerosa na boca, provavelmente derivada de seus diversos tiques nervosos, e que lhe impedia de ingerir qualquer alimento s\u00f3lido.<\/p>\n<p>Machado usufruiu de grande prest\u00edgio em vida, fato raro para um escritor na \u00e9poca.<sup id=\"cite_ref-273\" class=\"reference\"><span>[<\/span>273<span>]<\/span><\/sup> Desde cedo, ganhou reconhecimento de Ant\u00f4nio de Almeida e Jos\u00e9 de Alencar, que liam-no atrav\u00e9s de suas primeiras cr\u00f4nicas e contos nas revistas e jornais cariocas.<sup id=\"cite_ref-275\" class=\"reference\"><span>[<\/span>275<span>]<\/span><\/sup> Em 1881, com a publica\u00e7\u00e3o de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas&#8230;<\/i>, Urbano Duarte escreveu que sua obra era &#8220;falsa, deficiente, sem nitidez, e sem colorido&#8221;. Com o impacto inovador realize volume, Capistrano de Abreu questionava se o livro get older mesmo um romance,<sup id=\"cite_ref-277\" class=\"reference\"><span>[<\/span>277<span>]<\/span><\/sup> ao passo que um outro comentarista elogiava-o como &#8220;sem correspond\u00eancia nas literaturas de ambos os pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa&#8221;. A vota\u00e7\u00e3o un\u00e2nime que colocou Machado de Assis, dentre diversos intelectuais e escritores de sua \u00e9poca, como presidente da Academia Brasileira de Letras refor\u00e7a o seu prest\u00edgio e consagra\u00e7\u00e3o enquanto esteve vivo.<\/p>\n<p>Em 1908, a publica\u00e7\u00e3o de <i>Hist\u00f3ria da Literatura Brasileira<\/i>, de Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, intensificou esta \u00faltima perspectiva cr\u00edtica posicionando Machado de Assis como o cume da literatura nacional: &#8220;a mais alta express\u00e3o reach nosso g\u00eanero liter\u00e1rio, a mais eminente figura da nossa literatura&#8221;.<sup id=\"cite_ref-280\" class=\"reference\"><span>[<\/span>280<span>]<\/span><\/sup> O livro de Ver\u00edssimo reserva o \u00faltimo cap\u00edtulo para tratar exclusivamente de Machado de Assis. Ver\u00edssimo entrou em conflito intelectual com S\u00edlvio Romero, expoente da cr\u00edtica naturalista no Brasil, que igualmente atribu\u00eda a Machado o t\u00edtulo de maior escritor brasileiro, embora alegasse falta de maior expressividade, falta das &#8220;cores locais&#8221; em sua obra e denunciasse tamb\u00e9m seu suposto afastamento das quest\u00f5es pol\u00edtico-sociais, em 1897.<sup id=\"cite_ref-282\" class=\"reference\"><span>[<\/span>282<span>]<\/span><\/sup> Sabemos que o Brasil pull off fim accomplish s\u00e9culo XIX e o Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XX eram prec\u00e1rios nos meios gr\u00e1ficos e de difus\u00e3o, todavia os livros de Machado de Assis j\u00e1 alcan\u00e7aram distantes regi\u00f5es pull off pa\u00eds: na primeira metade complete s\u00e9culo XX, intelectuais e escritores pull off Mato Grosso j\u00e1 liam Machado e apoiavam-se em seu estilo como par\u00e2metro e grande influ\u00eancia est\u00e9tica. Na ocasi\u00e3o reach centen\u00e1rio de Machado de Assis em 1939, a <i>Revista do Brasil<\/i>, pertencente ent\u00e3o aos <i>Di\u00e1rios Associados<\/i>, dedicou um n\u00famero ao grande autor morto havia 31 anos, mostrando, conforme registrou o jornalista e escritor Otto Lara Resende em ensaio de 1989, que Machado era &#8220;j\u00e1 inquestionavelmente um nome glorioso e consagrado&#8221;.<sup id=\"cite_ref-284\" class=\"reference\"><span>[<\/span>284<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Os modernistas de 22, no geral, consideravam-no com certas ressalvas, admitindo sua import\u00e2ncia, mas descartando certos elementos de convencionalismos est\u00e9ticos ou pessoais. Vejamos as conclus\u00f5es de dois dos seus maiores expoentes nas letras. M\u00e1rio de Andrade, por exemplo, por ocasi\u00e3o realize centen\u00e1rio accomplish nascimento de Machado de Assis, comemorado em 1939, escreveu tr\u00eas cr\u00f4nicas, em que considera que Machado produzira &#8220;apaixonante obra e pull off mais alto valor art\u00edstico, prazer est\u00e9tico de magn\u00edfica intensidade que me apaixona e que cultuo sem cessar&#8221;, &#8220;deixou, em qualquer dos g\u00eaneros em que escreveu, obras-primas perfeit\u00edssimas de forma e fundo&#8221;, mas que detestaria t\u00ea-lo em seu conv\u00edvio, provavelmente por ele ser um prosador &#8220;encastelado&#8221;, tendo, segundo M\u00e1rio, falhado em captar a vida realize Rio de Janeiro como Fran\u00e7a J\u00fanior, Jo\u00e3o attain Rio e Lima Barreto, e mesmo a alma brasileira, como Gon\u00e7alves Dias, Castro Alves, o Aleijadinho, Almeida J\u00fanior, Farias Brito e outros, e sobretudo por suas quest\u00f5es mal resolvidas de &#8220;mesti\u00e7amento&#8221;, delineando, enfim, distin\u00e7\u00e3o entre autor e obra. Oswald de Andrade, outro nome de destaque complete Modernismo, cujo estilo liter\u00e1rio se insere, assim como o de M\u00e1rio, na tradi\u00e7\u00e3o experimental, metalingu\u00edstica e citadina mais ou menos dialog\u00e1vel com a obra mais experimental de Machado de Assis, tinha <i>Dom Casmurro<\/i> como um de seus livros preferidos e encarava o escritor como um mestre do romance brasileiro,<sup id=\"cite_ref-286\" class=\"reference\"><span>[<\/span>286<span>]<\/span><\/sup> mas notou, nas suas mem\u00f3rias de 1954, quanto \u00e0 suposta tentativa de Machado de se livrar da heran\u00e7a \u00e9tnica: &#8220;Como bom preto, o grande Machado o que queria era se lavar das mazelas atribu\u00eddas \u00e0 sua ascend\u00eancia escrava. Fazia quest\u00e3o de impor r\u00edgidos costumes \u00e0 institui\u00e7\u00e3o branca que dominava&#8221;. Enquanto Astrojildo Pereira preconizava o &#8220;nacionalismo&#8221; em Machado, Oct\u00e1vio Brand\u00e3o criticava a falta pull off socialismo cient\u00edfico em sua obra.<sup id=\"cite_ref-288\" class=\"reference\"><span>[<\/span>288<span>]<\/span><\/sup> Desta \u00e9poca, destaca-se tamb\u00e9m a cr\u00edtica de Augusto Meyer, para quem o uso accomplish homem subterr\u00e2neo na obra machadiana \u00e9 um meio em que ele teria encontrado para relativizar todas as certezas.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o modernista durante o come\u00e7o e o meio pull off s\u00e9culo vinte aproveitou a obra de Machado em objetivos da vanguarda. Ela foi alvo de feministas da d\u00e9cada de 1970, como Helen Caldwell, que enxergou a personagem feminina Capitu de <i>Dom Casmurro<\/i> como v\u00edtima das palavras complete narrador-homem, mudando completamente a perspectiva que se tinha at\u00e9 ent\u00e3o deste romance. Antonio Candido escreveu que a erudi\u00e7\u00e3o, a eleg\u00e2ncia e o estilo vazada numa linguagem casti\u00e7a contribu\u00edram para a popularidade de Machado de Assis.<sup id=\"cite_ref-ModernosUm_291-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>291<span>]<\/span><\/sup> Com estudos da sexualidade e a psique humana, bem como com o surgimento attain existencialismo, atribuiu-se um certo psicologismo \u00e0s suas obras, especialmente &#8220;O Alienista&#8221;, muitas vezes comparando-as com as de Freud e Sartre.<sup id=\"cite_ref-292\" class=\"reference\"><span>[<\/span>292<span>]<\/span><\/sup> A partir dos anos 80 e seguinte, a obra machadiana ficou amplamente aberta para movimentos como a psican\u00e1lise, filosofia, relativismo e teoria liter\u00e1ria,<sup id=\"cite_ref-294\" class=\"reference\"><span>[<\/span>294<span>]<\/span><\/sup> comprovando que \u00e9 aberta a diversas interpreta\u00e7\u00f5es e que o interesse por ela continua crescente nos \u00faltimos tempos, em todos os lugares reach mundo.<sup id=\"cite_ref-296\" class=\"reference\"><span>[<\/span>296<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, com recentes tradu\u00e7\u00f5es para outras l\u00ednguas, Machado de Assis tem sido considerado, por cr\u00edticos e artistas get mundo inteiro, um &#8220;g\u00eanio injustamente relegado \u00e0 neglig\u00eancia mundial&#8221; que, com o tempo, vem sendo corrigida. Harold Bloom o posicionou entre os 100 maiores g\u00eanios da literatura universal e &#8220;o maior literato negro surgido at\u00e9 o presente&#8221;.<sup id=\"cite_ref-298\" class=\"reference\"><span>[<\/span>298<span>]<\/span><\/sup> Dentre os cr\u00edticos mais aprofundados, espec\u00edficos e sistem\u00e1ticos de sua obra no exterior, destacam-se Helen Caldwell (Estados Unidos), John Gledson (Inglaterra), Anatole France (Fran\u00e7a), David Jackson (Estados Unidos), David Haberly (Estados Unidos), Victor Orban (B\u00e9lgica), Samuel Putnam (Estados Unidos), Edith Fowke (Canad\u00e1), Susan Sontag (Estados Unidos), Jo\u00e3o Gaspar Sim\u00f5es (Portugal), H\u00e9lder Macedo (\u00c1frica reach Sul\/Portugal), Tzvetan Todorov (Bulg\u00e1ria\/Fran\u00e7a), G\u00e9rard Genette (Fran\u00e7a), Giusepe Alpi (It\u00e1lia), Lourdes Andreassi (Portugal), Albert Bagby Jr. (Estados Unidos), Abel Barros Baptista (Portugal), Edoardo Bizzarri (It\u00e1lia), Jean-Michel Massa (Fran\u00e7a), Adrien Delpech (Fran\u00e7a), Albert Dessau (Alemanha), Paul B. Dixon (Estados Unidos), Keith Ellis, Edith Fowke (Canad\u00e1), Richard Graham (Estados Unidos), Pierre Hourcade (Fran\u00e7a), Linda Murphy Kelley (Estados Unidos), John C. Kinnear, Alfred Mac Adam (Estados Unidos), Hendrik Houwens Post (Pa\u00edses Baixos), John Hyde Schmitt, Tony Tanner (Inglaterra), Jack E. Tomlins (Estados Unidos), Carmelo Virgillo (Estados Unidos), Dieter Woll (Alemanha) e outros, al\u00e9m de no Brasil serem conhecidos os nomes de Afr\u00e2nio Coutinho, Alcides Maia, Alfredo Bosi, Antonio Candido, Brito Broca, Dom\u00edcio Proen\u00e7a Filho, Eug\u00eanio Gomes, Jos\u00e9 Aderaldo Castello, Jos\u00e9 Guilherme Merquior, Jos\u00e9 Leme Lopes, Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, L\u00facia Miguel Pereira, Marcos Almir Madeira, Pl\u00ednio Doyle, Raimundo Faoro, Roberto Schwarz, S\u00e9rgio Buarque de Holanda, Sidney Chalhoub, S\u00edlvio Romero etc.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica moderna e contempor\u00e2nea global confere a Machado de Assis o t\u00edtulo de um dos sen\u00e3o de melhor escritor brasileiro de todos os tempos,<sup id=\"cite_ref-N\u00e3o-nomeado-xXdZ-2_3-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>3<span>]<\/span><\/sup><sup id=\"cite_ref-N\u00e3o-nomeado-xXdZ-4_5-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>5<span>]<\/span><\/sup> e sua obra \u00e9 vista hoje em dia de fundamental import\u00e2ncia e obrigatoriedade para as universidades e a vida acad\u00eamica e liter\u00e1ria em geral no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Machado de Assis mature um ex\u00edmio leitor e, consecutivamente, sua obra foi influenciada pelas leituras que fazia. Ap\u00f3s sua morte, seu patrim\u00f4nio constitu\u00eda, entre outras coisas, de aproximadamente 600 volumes encadernados, 400 em brochura e 400 folhetos e fasc\u00edculos, no sum de 1.400 pe\u00e7as. Sabe-se que grow old familiarizado com os textos cl\u00e1ssicos e com a B\u00edblia.<sup id=\"cite_ref-CandidoLeituras_301-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>301<span>]<\/span><\/sup><sup id=\"cite_ref-303\" class=\"reference\"><span>[<\/span>303<span>]<\/span><\/sup> Em <i>O Analista<\/i>, Machado faz liga\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00e1tira menipeia cl\u00e1ssica ao retomar a ironia e a par\u00f3dia em Hor\u00e1cio e S\u00eaneca. O Eclesiastes, por sua vez, legou a Machado uma odd vis\u00e3o de mundo e foi seu livro de cabeceira no fim da vida.<sup id=\"cite_ref-305\" class=\"reference\"><span>[<\/span>305<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p><i>Dom Casmurro<\/i> \u00e9 provavelmente a obra que mais possui influ\u00eancia teol\u00f3gica. H\u00e1 refer\u00eancias a S\u00e3o Tiago e S\u00e3o Pedro, principalmente pelo fato de o narrador Bentinho ter estudado em semin\u00e1rio. Al\u00e9m disso, no Cap\u00edtulo XVII Machado faz alus\u00e3o a um or\u00e1culo pag\u00e3o complete mito de Aquiles e a ao pensamento israelita. De fato, Machado dispunha de uma biblioteca abastecida com teologia: cr\u00edtica hist\u00f3rica sobre religi\u00e3o, \u00e0 vida de Jesus, ao desenvolvimento accomplish cristianismo, \u00e0 literatura hebraica, \u00e0 hist\u00f3ria Mu\u00e7ulmana, aos sistemas religiosos e filos\u00f3ficos da \u00cdndia.<sup id=\"cite_ref-DubitoErgoSum_306-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>306<span>]<\/span><\/sup> Jean-Michel Massa realizou um cat\u00e1logo dos livros da biblioteca do autor, que foi revisto em 2000 pela pesquisadora Gl\u00f3ria Vianna, que constatou que 42 dos volumes da lista native de Massa estavam extraviados:<\/p>\n<p>Machado tamb\u00e9m lia seus contempor\u00e2neos; admirava o realismo &#8220;sadio&#8221; e &#8220;colorido&#8221; de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida e a &#8220;voca\u00e7\u00e3o anal\u00edtica&#8221; de Jos\u00e9 de Alencar. Ele tamb\u00e9m leu Octave Feuillet, Gustave Flaubert, Balzac e Zola, mas sua maior influ\u00eancia adv\u00e9m da literatura inglesa, sobretudo Sterne e Jonathan Swift.<sup id=\"cite_ref-Wilson_308-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>308<span>]<\/span><\/sup> Adepto pull off romance da Era vitoriana, era oposto \u00e0 libertinagem liter\u00e1ria get s\u00e9culo anterior e vinculado \u00e0s litotes no vocabul\u00e1rio e no desenvolvimento narrativo. Sua obra tamb\u00e9m possui uma variedade de cita\u00e7\u00f5es e correla\u00e7\u00f5es com quase todas de Shakespeare, notavelmente <i>Otelo<\/i>, <i>Hamlet<\/i>, <i>Macbeth<\/i>, <i>Romeu e Julieta<\/i>, <i>O Estupro de Lucr\u00e9cia<\/i> e <i>Como Gostais<\/i>.<sup id=\"cite_ref-309\" class=\"reference\"><span>[<\/span>309<span>]<\/span><\/sup> Os escritores Sterne, Xavier de Maistre e Garret constituem a gama de autores que mais influenciaram a obra madura de Machado, sobretudo os cap\u00edtulos 55 e 139 pontilhados, ou os cap\u00edtulos-rel\u00e2mpago (como 102,107,132 ou 136) e o garrancho da assinatura de Virg\u00edlia no cap\u00edtulo 142 das <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>. Suas maiores influ\u00eancias na s\u00e1tira e na forma narrativa livre, contudo, n\u00e3o adv\u00e9m da Inglaterra \u2014 mas da Fran\u00e7a. A &#8220;maneira livre&#8221; que Machado se refere nas linhas iniciais deste romance \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de Maistre, que lhe legou uma &#8220;narrativa caprichosa, digressiva, que vai e vem, sai da estrada para tomar atalhos, cultiva o a- prop\u00f3sito, apaga a linha reta, suprime conex\u00f5es&#8221;.<sup id=\"cite_ref-311\" class=\"reference\"><span>[<\/span>311<span>]<\/span><\/sup> De fato, <i>Viagem \u00e0 Roda accomplish Meu Quarto<\/i> (1794) fez com que Machado optasse por cap\u00edtulos mais curtos do que aqueles produzidos em seu primeiro ciclo liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Outros estudiosos tamb\u00e9m citam o nome de fil\u00f3sofos, como Montaigne, Pascal e Schopenhauer. Este primeiro, com seus <i>Essais<\/i> (1580), apresentou a Machado a concep\u00e7\u00e3o do &#8220;homem diante das coisas&#8221; e despertou a repulsa de Machado de Assis \u00e0 increpa\u00e7\u00e3o de materialismo. Pascal, por sua vez, era leitura necess\u00e1ria \u00e0 Machado, como ele pr\u00f3prio escreveu numa de suas cartas ao colega Joaquim Nabuco.<sup id=\"cite_ref-313\" class=\"reference\"><span>[<\/span>313<span>]<\/span><\/sup> S\u00e9rgio Buarque de Holanda escreveu uma compara\u00e7\u00e3o da obra dos dois autores na seguinte forma: &#8220;Comparado ao de Pascal, o mundo de Machado de Assis \u00e9 um mundo sem Para\u00edso. De onde uma insensibilidade incur\u00e1vel a todas as explica\u00e7\u00f5es que baseiam no pecado e na queda a ordem em que foram postas as coisas no mundo. Seu amoralismo tem ra\u00edzes nessa insensibilidade fundamental&#8221;.<sup id=\"cite_ref-315\" class=\"reference\"><span>[<\/span>315<span>]<\/span><\/sup> E, por fim, Schopenhauer, onde, escrevem, Machado teria encontrado vis\u00f5es do pessimismo e ainda desdobrado sua escrita em mitos e met\u00e1foras acerca de uma &#8220;inexorabilidade attain destino&#8221;. Raimundo Faoro, sobre a obra do fil\u00f3sofo alem\u00e3o na obra de Machado, argumentou que o autor brasileiro havia realizado uma &#8220;tradu\u00e7\u00e3o machadiana da vontade de Schopenhauer&#8221; e que logrou conceber seu primeiro romance ap\u00f3s &#8220;haver descoberto o fundamento metaf\u00edsico get mundo, o demonismo da vontade que guia, sem meta nem destino, todas as coisas e os fantoches de carne e sangue&#8221;.<sup id=\"cite_ref-317\" class=\"reference\"><span>[<\/span>317<span>]<\/span><\/sup> <i>O mundo como vontade e representa\u00e7\u00e3o<\/i> (1819), para alguns, encontra seu cume alto em Machado de Assis com os desejos frustrados get personagem Br\u00e1s Cubas.<\/p>\n<p>Machado de Assis influenciou e influencia uma pl\u00eaiade de escritores, soci\u00f3logos, historiadores, intelectuais em geral e artistas pelo Brasil e pelo mundo. Nomes como Olavo Bilac e Coelho Neto, Joaquim Francisco de Assis Brasil,<sup id=\"cite_ref-320\" class=\"reference\"><span>[<\/span>320<span>]<\/span><\/sup> Cyro dos Anjos, Lima Barreto (especialmente seu <i>Triste Fim de Policarpo Quaresma<\/i>),<sup id=\"cite_ref-SousaSeteOito_322-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>322<span>]<\/span><\/sup> Moacir Scliar, M\u00facio Le\u00e3o, Leo Vaz,<sup id=\"cite_ref-SousaSeteOito_322-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>322<span>]<\/span><\/sup> Drummond de Andrade, N\u00e9lida Pi\u00f1on,<sup id=\"cite_ref-325\" class=\"reference\"><span>[<\/span>325<span>]<\/span><\/sup> e sua obra permanece como uma das mais respeitadas e influentes da literatura brasileira. Rubem Fonseca escreveu os contos &#8220;Chegou o Outono&#8221;, &#8220;Noturno de Bordo&#8221; e &#8220;Mistura&#8221; baseado na linguagem de Machado de Assis\u2014 &#8220;a frase curta, despojada de ornatos, na emo\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada, na retic\u00eancia que sugere.&#8221; Os temas teol\u00f3gicos abordados em seus contos, como em &#8220;Missa pull off Galo&#8221;, influenciaram o escritor e pensador crist\u00e3o Gustavo Cor\u00e7\u00e3o.<sup id=\"cite_ref-327\" class=\"reference\"><span>[<\/span>327<span>]<\/span><\/sup> Lygia Fagundes Telles tamb\u00e9m se diz influenciada por Machado, especialmente por sua &#8220;ambiguidade, o texto enxuto, a an\u00e1lise social e a ironia fina&#8221;. Em 1967, Lygia realizou a adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica accomplish romance <i>Dom Casmurro<\/i> com Paulo Em\u00edlio Sales Gomes, intitulado <i>Capitu<\/i>, com dire\u00e7\u00e3o de Paulo Cesar Saraceni. Em 2006, Yasmin Jamil Nadaf realizou uma pesquisa que se concretizou no livro <i>Machado de Assis em Mato Grosso: textos cr\u00edticos da primeira metade get s\u00e9culo XX<\/i>, onde re\u00fane nove textos de mato grossenses que j\u00e1 na \u00e9poca de Machado sofriam sua influ\u00eancia est\u00e9tica, dois desses escritos por Jos\u00e9 de Mesquita.<sup id=\"cite_ref-Nadaf,_2006_283-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>283<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Sua obra tamb\u00e9m atinge a literatura estrangeira. Autores como John Barth e Donald Barthelme anunciaram terem sido influenciados por ele. <i>A \u00d3pera Flutuante<\/i>, escrito pelo primeiro dos dois, foi influenciado pela t\u00e9cnica de &#8220;jogar livremente com as ideias&#8221; de <i>Tristram Shandy<\/i> e de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>.<sup id=\"cite_ref-330\" class=\"reference\"><span>[<\/span>330<span>]<\/span><\/sup> O mesmo romance de Barth foi comparado por David Morrell com <i>Dom Casmurro<\/i>, onde ambos os personagens principais dos dois livros s\u00e3o advogados, chegam a pensar em suic\u00eddio e a comparar a vida a uma \u00f3pera, e vivem transtornados num tri\u00e2ngulo amoroso. Isaac Goldberg traduziu o poema &#8220;Viver&#8221; para o ingl\u00eas e sofreu influ\u00eancia de Machado em sua obra; sua vis\u00e3o de mundo pode ser comparada com a mesma vis\u00e3o de que tinha Machado de Assis.<sup id=\"cite_ref-332\" class=\"reference\"><span>[<\/span>332<span>]<\/span><\/sup> Susan Sontag, por sua vez, recebeu direta influ\u00eancia machadiana logo em seu primeiro romance. Em 2011, ao ser entrevistado por <i>The Guardian<\/i>, Woody Allen listou <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> como um dos cinco livros que mais impactaram em sua vida como cineasta e escritor c\u00f4mico.<sup id=\"cite_ref-334\" class=\"reference\"><span>[<\/span>334<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Alguns estudiosos contempor\u00e2neos, especialmente Roberto Schwarz, o posicionam como um pr\u00e9-modernista que prefigurou muitos dos estilos que culminariam na Semana de Arte Moderna. Em <i>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/i>, Guimar\u00e3es Rosa retoma a &#8220;viagem de mem\u00f3ria&#8221; presente em <i>Dom Casmurro<\/i> e <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, al\u00e9m de seus textos descreverem doen\u00e7as mentais como os de Machado.<sup id=\"cite_ref-336\" class=\"reference\"><span>[<\/span>336<span>]<\/span><\/sup> A produ\u00e7\u00e3o modernista complete s\u00e9culo passado encontrou afinidades com a sua obra e, portanto, lan\u00e7ou rela\u00e7\u00f5es entre Machado de Assis e nomes como Antonio Candido e Haroldo de Campos. J\u00f4 Soares \u00e9 um dos escritores de hoje em dia que se diz influenciado por Machado, principalmente em seu <i>Assassinatos na Academia Brasileira de Letras<\/i> (2005).<sup id=\"cite_ref-337\" class=\"reference\"><span>[<\/span>337<span>]<\/span><\/sup> Milton Hatoum, tamb\u00e9m, tem em Machado uma de suas maiores influ\u00eancias. Seu mais famoso romance, <i>Dois Irm\u00e3os<\/i> (2000), \u00e9 considerado um &#8220;di\u00e1logo aberto&#8221; com <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i>. Recentemente, contos como &#8220;A Cartomante&#8221; e &#8220;O Alienista&#8221; foram revertidos em formato de quadrinhos e romances como <i>Helena<\/i> em mang\u00e1.<sup id=\"cite_ref-339\" class=\"reference\"><span>[<\/span>339<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Machado de Assis estampa o principal pr\u00eamio liter\u00e1rio brasileiro, o Pr\u00eamio Machado de Assis, oferecido a escritores pelo conjunto da obra. Com <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, \u00e9 o introdutor accomplish Realismo no Brasil, da narrativa fant\u00e1stica e tamb\u00e9m da primeira obra da literatura brasileira que ultrapassa os limites nacionais, sendo um grande autor universal. E, apesar de \u00c1lvares de Azevedo e Bernardo Guimar\u00e3es j\u00e1 escreverem contos pertinentes em meados reach s\u00e9culo XIX, os cr\u00edticos notam que \u00e9 com Machado que o g\u00eanero atinge novas possibilidades.<sup id=\"cite_ref-342\" class=\"reference\"><span>[<\/span>342<span>]<\/span><\/sup> Uma dessas possibilidades seria a de inaugurar, em livros como <i>Contos Fluminenses<\/i> (1870), <i>Hist\u00f3rias da Meia-Noite<\/i> (1873) e <i>Pap\u00e9is Avulsos<\/i> (1882), &#8220;uma nova perspectiva estil\u00edstica e uma nova vis\u00e3o da realidade, mais complexa e matizada&#8221;. Esses livros trazem contos como &#8220;O Alienista&#8221;, &#8220;Teoria attain Medalh\u00e3o&#8221;, &#8220;O Espelho&#8221;, etc., em que aborda o poder, as institui\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m a loucura e a homossexualidade, que seriam temas liter\u00e1rios muito precoces para a \u00e9poca.<sup id=\"cite_ref-esconove_343-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>343<span>]<\/span><\/sup> No g\u00eanero romance, com <i>Dom Casmurro<\/i> (1899), por exemplo, traz \u00e0 tona intertextualidade e metalinguagem inovadoras e sem precedentes na literatura e tamb\u00e9m muito influentes no futuro para escritores do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Para provar at\u00e9 mesmo a sua popularidade, a Mocidade Independente de Padre Miguel homenageou a vida e obra de Machado de Assis no carnaval de 2009. Seu legado \u00e9 capaz de abranger &#8220;uma heran\u00e7a cr\u00edtica que salva o Brasil accomplish excesso de ufanismo nacionalista&#8221;. J\u00e1 em 1868, Jos\u00e9 de Alencar chamaria Machado de &#8220;o primeiro cr\u00edtico brasileiro.&#8221;<sup id=\"cite_ref-MartinsCincoSeis_274-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>274<span>]<\/span><\/sup> Al\u00e9m de ter sido um dos idealizadores da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis animou com suas cr\u00f4nicas e ideias pol\u00edticas a <i>Revista Brasileira<\/i>, promoveu os poetas pull off Parnasianismo e estreitou rela\u00e7\u00f5es com os maiores intelectuais de seu tempo, de Jos\u00e9 Ver\u00edssimo a Nabuco, de Taunay a Gra\u00e7a Aranha. De qualquer modo, existiria uma certa &#8220;riqueza mental&#8221; e &#8220;beleza moral&#8221; que Machado teria legado aos escritores no Brasil,<sup id=\"cite_ref-346\" class=\"reference\"><span>[<\/span>346<span>]<\/span><\/sup> e de fato alguns autores escrevem que &#8220;Machado de Assis \u00e9 fundamental para quem quer escrever.&#8221;<\/p>\n<p>Muitos o consideram um grande predecessor: n\u00e3o bastasse ter introduzido o &#8220;realismo&#8221; na literatura nacional, certos cr\u00edticos, como Roberto Schwarz, dizem que ele diz &#8220;coisas que Freud diria 25 anos depois&#8221;. Em <i>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/i>, por exemplo, teria antecipado o conceito freudiano de &#8216;complexo de \u00c9dipo\u2019&#8221;. Em <i>Dom Casmurro<\/i>, teria escrito coisas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 correla\u00e7\u00e3o entre sonho e vig\u00edlia, que antecipariam a <i>Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos<\/i>,<sup id=\"cite_ref-349\" class=\"reference\"><span>[<\/span>349<span>]<\/span><\/sup> publicado no mesmo ano que este livro. Cr\u00edticos estrangeiros referem-se que ele tamb\u00e9m precedeu, com <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> (1881) e &#8220;O Espelho&#8221; (1882), as fic\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas reach realismo m\u00e1gico de escritores como Jorge Luis Borges e Julio Cort\u00e1zar, e tamb\u00e9m o Modernismo, atrav\u00e9s de intromiss\u00f5es no enredo dos romances e pela op\u00e7\u00e3o de cap\u00edtulos curtos.<sup id=\"cite_ref-351\" class=\"reference\"><span>[<\/span>351<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Enfim, como escreve o importante cr\u00edtico e soci\u00f3logo Antonio Candido, embora tenha escrito e vivido mais no s\u00e9culo XIX, podemos encontrar na fic\u00e7\u00e3o machadiana &#8220;disfar\u00e7ados por curiosos tra\u00e7os arcaizantes, alguns dos temas que seriam caracter\u00edsticos da fic\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso tudo, a obra machadiana \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a an\u00e1lise das transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no Brasil e da sociedade realize Rio de Janeiro realize s\u00e9culo XIX e s\u00e9culo XX, desde sua moda, transportes, arquiteturas e agita\u00e7\u00f5es financeiras. Sua obra \u2014 n\u00e3o s\u00f3 romances mas tamb\u00e9m as cr\u00f4nicas \u2014 exerce um papel importante para o conhecimento realize Segundo Reinado no Brasil e in\u00edcios da Rep\u00fablica.<sup id=\"cite_ref-354\" class=\"reference\"><span>[<\/span>354<span>]<\/span><\/sup> Vale destacar a participa\u00e7\u00e3o de Machado de Assis, sob o pseud\u00f4nimo <i>L\u00e9lio<\/i>, na s\u00e9rie coletiva de cr\u00f4nicas <i>Balas de Estalo<\/i>, publicada na <i>Gazeta de Not\u00edcias<\/i>, entre 1883 e 1886, como tamb\u00e9m depois, na coluna <i>Bons dias!<\/i> e por fim n&#8217;A Semana. As centenas de cr\u00f4nicas s\u00e3o documentos de registro importantes sobre os diversos ocorridos e expressa o contexto da \u00e9poca \u2014 marcado por transforma\u00e7\u00f5es sociais, urbanas, pol\u00edticas, imigra\u00e7\u00e3o, abolicionismo, in\u00edcio get capitalismo e da Rep\u00fablica \u2014 e insere-se na formula\u00e7\u00e3o de um projeto pol\u00edtico baseado no decl\u00ednio das principais institui\u00e7\u00f5es pull off pa\u00eds \u2014 a monarquia, a igreja e a escravid\u00e3o.<sup id=\"cite_ref-356\" class=\"reference\"><span>[<\/span>356<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Do ponto de vista universal, sua genialidade \u00e9 vista como resultado de consistentes raz\u00f5es por demonstrar que seu trabalho, elogiado como \u00e9, n\u00e3o encontrou precedentes e, mesmo depois de mais de um s\u00e9culo de intensa produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica no Brasil, s\u00e3o obras citadas como das mais relevantes e mais geniais da classe liter\u00e1ria get pa\u00eds. Al\u00e9m disso, segundo escrevem Benedito Antunes e S\u00e9rgio Vicente Motta,<\/p>\n<p>A obra machadiana constitui-se ao todo de 10 romances e 10 pe\u00e7as teatrais, 200 contos, 5 colet\u00e2neas de poemas e sonetos, e mais de 600 cr\u00f4nicas. Suas primeiras produ\u00e7\u00f5es foram editadas por Paula Brito,<sup id=\"cite_ref-361\" class=\"reference\"><span>[<\/span>361<span>]<\/span><\/sup> e, mais tarde, por Baptiste-Louis Garnier. Garnier havia chegado ao Rio de Janeiro em 1844 de Paris e estabeleceu-se a\u00ed como uma figura not\u00f3ria complete mercado livreiro brasileiro.<\/p>\n<p>Em maio de 1869, Machado assinou um contrato com Garnier para o editor franc\u00eas publicar suas obras; cada volume sa\u00eda com tiragem de mil exemplares. Sabe-se que o autor recebeu 200 r\u00e9is por seu primeiro livro de contos, <i>Contos Fluminenses<\/i> (1870), e por <i>Falenas<\/i> (1870), segundo livro de poemas e o primeiro impresso na Fran\u00e7a.<sup id=\"cite_ref-livroehistoriaquatro_363-1\" class=\"reference\"><span>[<\/span>363<span>]<\/span><\/sup> Ap\u00f3s seu casamento com Carolina, Machado assinou um novo contrato com Garnier, com o objetivo d&#8217;ele editar outros de seus tr\u00eas pr\u00f3ximos livros: <i>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i> (1872), <i>Hist\u00f3rias da meia-noite<\/i> (1873), e um terceiro que nunca foi publicado. <i>Quincas Borba<\/i> (1891), ao lado de <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i> (1881), foi publicado primeiramente em folhetim; o primeiro saiu em cap\u00edtulos na revista <i>A Esta\u00e7\u00e3o<\/i> entre os anos de 1886 e 1891 para, em 1892, ser publicado definitivamente pela Livraria Garnier.<sup id=\"cite_ref-quincasborbaseisoito_364-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>364<span>]<\/span><\/sup> O segundo, por sua vez, de mar\u00e7o a dezembro de 1880 na <i>Revista Brasileira<\/i> at\u00e9 ser editado em 1881 pela Tipografia Nacional.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Garnier e Machado ampliou o mercado editorial da \u00e9poca. Enquanto um consolidava seu projeto comercial, o outro alcan\u00e7ava p\u00fablico e cr\u00edtica.<sup id=\"cite_ref-367\" class=\"reference\"><span>[<\/span>367<span>]<\/span><\/sup> \u00c0 \u00e9poca da morte de Garnier, Machado escreveu que tiveram 20 anos de rela\u00e7\u00e3o profissional. Depois da morte get autor, a W. M. Jackson get Rio de Janeiro publicou em 1937 as primeiras <i>Obras completas<\/i> em 31 volumes. Na d\u00e9cada de 1950, Raimundo Magalh\u00e3es J\u00fanior organizou e publicou pela Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira v\u00e1rios volumes de todos os contos machadianos. Desde ent\u00e3o, diversas reedi\u00e7\u00f5es de toda a sua obra tem sido realizadas.<\/p>\n<p>Dos contos listados abaixo, <i>O Alienista<\/i> (\u2020) merece particular considera\u00e7\u00e3o; h\u00e1 um debate entre os cr\u00edticos, uns defendendo que o texto \u00e9 um conto e outros dizendo que trata-se de uma novela ou mesmo de um romance. O texto s\u00f3 come\u00e7ou a ser publicado \u00e0 parte modernamente, pois \u00e0 \u00e9poca foi inclu\u00eddo na colet\u00e2nea <i>Pap\u00e9is Avulsos<\/i> (1882). A teoria mais aceita \u00e9 que Machado escreveu um conto com caracter\u00edsticas semelhantes de um romance, ou seja, uma novela.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que adquirir um livro Machado de Assis online?<\/h3>\n\n\n\n<p>Cada vez mais, antes de obter um livro, mais usu\u00e1rios da internet procuram no Google a palavra chave <strong>\u201cMachado de Assis\u201d<\/strong>. Provavelmente, se quer adquirir por sites, ser\u00e1 necess\u00e1rio somente alguns cliques.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tudo, adquirir pela internet, poder\u00e1 ler a opini\u00e3o de leitores, obtendo, seguramente, os livros <strong>\u201cMachado de Assis\u201d<\/strong> que receberam as melhores notas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entrega em dom\u00edcilio<\/h3>\n\n\n\n<p>Receba seu pedido r\u00e1pidamente em casa, comprando os livros do seu tema favorito, do smartphone, tablet ou computador port\u00e1til, de modo muito f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilize os beneficios do envio em casa sem a obriga\u00e7\u00e3o de ter que ir \u00e0 livraria. Em pouco tempo, o pedido vai chegar diretamente em seu endere\u00e7o. A maioria dos livros que escolhemos tem taxas de entrega gratuitas. Para os romances Prime, a vantagem de ser entregue entre 24\/48 horas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hashtags associados:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desejamos que a nossa escolha tenha sido bacana para voc\u00ea. Se assim foi, por gentileza, auxilie-nos divulgando este artigo em suas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Livros de Machado de Assis indicados<\/li>\n\n\n\n<li>Que livro de Machado de Assis comprar?<\/li>\n\n\n\n<li>Melhor livro de Machado de Assis: coment\u00e1rios e opini\u00f5es<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Machado de Assis o melhor pre\u00e7o<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Machado de Assis ebook download<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Machado de Assis em oferta<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Machado de Assis recomendados<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><ul class=\"page-generator-pro-related-links page-generator-pro-related-links-columns-2 page-generator-pro-related-links-prev-next page-generator-pro-related-links-vertical\"><li class=\"prev\">\n                            <a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/luisa-geisler\/\" title=\"Os 3 melhores bestsellers de Luisa Geisler de todos\">Luisa Geisler pre\u00e7os\n                            <\/a>\n                        <\/li><li class=\"next\">\n                            <a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/manuel-antonio-de-almeida\/\" title=\"Os 3 melhores livros de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida de todos\">Melhor livro de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida\n                            <\/a>\n                        <\/li><\/ul><ul class=\"page-generator-pro-related-links page-generator-pro-related-links-columns-2 page-generator-pro-related-links-list-links page-generator-pro-related-links-vertical\"><li><a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/stan-lee\/\" title=\"Os 3 imperd\u00edveis t\u00edtulos de Stan Lee\">Ofertas livros de Stan Lee<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/j-k-rowling\/\" title=\"Os mais famosos bestsellers de J. 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