{"id":4138,"date":"2023-02-16T18:41:27","date_gmt":"2023-02-16T18:41:27","guid":{"rendered":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/fernando-pessoa\/"},"modified":"2023-02-16T18:41:27","modified_gmt":"2023-02-16T18:41:27","slug":"fernando-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/fernando-pessoa\/","title":{"rendered":"Os 3 imperd\u00edveis bestsellers de Fernando Pessoa de todos"},"content":{"rendered":"\n<p>Quer saber qual o melhor livro de Fernando Pessoa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oslivros.com<\/strong> oferece a voc\u00ea uma classifica\u00e7\u00e3o cuidadosamente preparada dos livros mais populares de Fernando Pessoa. Aqui voc\u00ea encontrar\u00e1 as melhores op\u00e7\u00f5es de livros dispon\u00edveis online.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83c\udfc6 Classifica\u00e7\u00e3o :<\/h2>\n\n\n\n<p><p >No products found.<\/p><br>Esta sele\u00e7\u00e3o se baseia sobre os livros de Fernando Pessoa mais consumidos da Amazon na \u00faltima semana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udcb2 Livros em promo\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n<p >No products found.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83e\udd47 Melhor <\/h2>\n\n\n\n<p>Considerando que existem v\u00e1rios itens a considerar para a sele\u00e7\u00e3o do melhor livro de Fernando Pessoa, segundo percebemos, nos parece o melhor livro de todos.<\/p>\n\n\n<p >No products found.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udcda Aprofundamento sobre Fernando Pessoa<\/h2>\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Estou farto de semideuses!&quot; | FERNANDO PESSOA | MARIA BETH\u00c2NIA\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o8vt_hJeClI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n\n<div class=\"page-generator-pro-wikipedia\">\n<p><b>Fernando Ant\u00f3nio Nogueira Pessoa<\/b> (Lisboa, M\u00e1rtires, 13 de junho de 1888 \u2013 Lisboa, Santa Catarina, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, fil\u00f3sofo, dramaturgo, ensa\u00edsta, tradutor, publicit\u00e1rio, astr\u00f3logo, inventor, empres\u00e1rio, correspondente comercial, cr\u00edtico liter\u00e1rio e comentarista pol\u00edtico portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Fernando Pessoa \u00e9 o mais universal poeta portugu\u00eas. Por ter sido educado na \u00c1frica complete Sul, numa escola cat\u00f3lica irlandesa de Durban, chegou a ter maior familiaridade com o idioma ingl\u00eas pull off que com o portugu\u00eas ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O cr\u00edtico liter\u00e1rio Harold Bloom considerou Pessoa como &#8220;Whitman renascido&#8221;, e o incluiu no seu c\u00e2none entre os 26 melhores escritores da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental,<sup id=\"cite_ref-CalanchiCastellani2011_6-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>6<span>]<\/span><\/sup> n\u00e3o apenas da literatura portuguesa mas tamb\u00e9m da inglesa.<\/p>\n<p>Das quatro obras que publicou em vida, tr\u00eas s\u00e3o na l\u00edngua inglesa e apenas uma em l\u00edngua portuguesa, intitulada <i>Mensagem<\/i>.<sup id=\"cite_ref-8\" class=\"reference\"><span>[<\/span>8<span>]<\/span><\/sup> Fernando Pessoa traduziu v\u00e1rias obras em ingl\u00eas (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o portugu\u00eas, e obras portuguesas (nomeadamente de Ant\u00f3nio Botto e Almada Negreiros) para o ingl\u00eas e franc\u00eas.<\/p>\n<p>Enquanto poeta, escreveu sob diversas personalidades \u2013 a que ele pr\u00f3prio chamou heter\u00f3nimos, como Ricardo Reis, \u00c1lvaro de Campos e Alberto Caeiro \u2013, sendo estes \u00faltimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: &#8220;outros modernistas como Yeats, Pound, Eliot inventaram m\u00e1scaras pelas quais falavam ocasionalmente\u2026  Pessoa inventava poetas inteiros&#8221;. Buscou tamb\u00e9m inspira\u00e7\u00f5es nas obras dos poetas William Wordsworth, James Joyce e Walt Whitman.<sup id=\"cite_ref-11\" class=\"reference\"><span>[<\/span>11<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>A 13 de junho de 1888, pelas 15h20, nasceu Fernando Pessoa.<sup id=\"cite_ref-13\" class=\"reference\"><span>[<\/span>13<span>]<\/span><\/sup> O parto ocorreu no quarto andar esquerdo complete n.\u00ba 4 complete Largo de S\u00e3o Carlos, em frente \u00e0 \u00f3pera de Lisboa (Teatro de S\u00e3o Carlos), freguesia dos M\u00e1rtires.<sup id=\"cite_ref-14\" class=\"reference\"><span>[<\/span>14<span>]<\/span><\/sup> De fam\u00edlias da pequena aristocracia, pelos lados paterno e materno, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa, era funcion\u00e1rio p\u00fablico accomplish Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e cr\u00edtico musical do \u00abDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u00bb. A m\u00e3e, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), era natural dos A\u00e7ores (mais propriamente, da Ilha Terceira). Viviam com eles a av\u00f3 Dion\u00edsia, doente mental, e as suas duas criadas, Joana e Em\u00edlia.<\/p>\n<p>O poeta, pelo lado paterno, tem as suas ra\u00edzes familiares no concelho de Arouca, nas freguesias complete denominado \u00abFundo attain Concelho\u00bb de Arouca.<sup id=\"cite_ref-17\" class=\"reference\"><span>[<\/span>17<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Fernando Ant\u00f3nio foi baptizado em 21 de julho na Bas\u00edlica dos M\u00e1rtires, ao Chiado, tendo por padrinhos a Tia Anica (D. Ana Lu\u00edsa Pinheiro Nogueira, tia materna) e o General Chaby. A escolha attain nome homenageia Santo Ant\u00f3nio: a fam\u00edlia reclamava uma liga\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica com Fernando de Bulh\u00f5es, nome de baptismo de Santo Ant\u00f3nio, tradicionalmente festejado em Lisboa a 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.<\/p>\n<p>A sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia foram marcadas por factos que o influenciariam posteriormente. \u00c0s cinco horas da manh\u00e3 de 13 de Julho de 1893, o seu pai morreu, com 43 anos, v\u00edtima de tuberculose. A morte foi anunciada no Di\u00e1rio de Not\u00edcias do dia. Fernando tinha apenas cinco anos. O irm\u00e3o Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano, a 2 de Janeiro de 1894. A m\u00e3e v\u00ea-se obrigada a leiloar parte da mob\u00edlia e muda-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar pull off n.\u00ba 104 da Rua de S\u00e3o Mar\u00e7al. Foi tamb\u00e9m neste per\u00edodo que surgiu o primeiro heter\u00f3nimo de Fernando Pessoa, Chevalier de Pas, facto relatado pelo pr\u00f3prio a Adolfo Casais Monteiro, numa carta de 1935, em que fala extensamente sobre a origem dos heter\u00f3nimos. Ainda no mesmo ano, escreve o primeiro poema, um verso curto com a infantil ep\u00edgrafe de <i>\u00c0 Minha Querida Mam\u00e3<\/i>.<\/p>\n<p>Em outubro de 1894, o comandante Jo\u00e3o Miguel Rosa (1857-1919) apaixona-se por Maria Madalena ao v\u00ea-la passar dentro de um &#8220;americano&#8221;, numa rua de Lisboa, comentando para um amigo: \u00abV\u00eas aquela loira? Se n\u00e3o quiser, n\u00e3o me caso com ela.\u00bb Em breve lhe fazia a corte e se tornavam noivos. Destacado o noivo como c\u00f4nsul portugu\u00eas em Durban, \u00c1frica attain Sul, casam-se por procura\u00e7\u00e3o a 30 de dezembro de 1895, na Igreja de S\u00e3o Mamede, em Lisboa.<\/p>\n<p>A 20 de janeiro de 1896, m\u00e3e e filho, acompanhados por um tio, Manuel Gualdino da Cunha, partem rumo \u00e0 Madeira, e a 31 embarcam para Durban. Faz a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria na escola de freiras irlandesas da West Street, onde fez a primeira comunh\u00e3o, e percorre em dois anos o equivalente a quatro.<\/p>\n<p>Em 1899 ingressa no Liceu de Durban, onde permanecer\u00e1 durante tr\u00eas anos e ser\u00e1 um dos primeiros alunos da turma. No mesmo ano, cria o pseud\u00f3nimo Alexander Search, atrav\u00e9s pull off qual envia cartas a si mesmo. No ano de 1901, \u00e9 aprovado com distin\u00e7\u00e3o no primeiro exame <i>Cape School High Examination<\/i> e escreve os primeiros poemas em ingl\u00eas. Na mesma altura, morre sua irm\u00e3 Madalena Henriqueta, de dois anos. Em 1901 parte com a fam\u00edlia para Portugal, para um ano de f\u00e9rias. No navio em que viajam, o paquete K\u00f6nig, vem o corpo da irm\u00e3. Em Lisboa, mora com a fam\u00edlia em Pedrou\u00e7os e depois na Avenida de D. Carlos I, n.\u00ba 109, 3.\u00ba Esquerdo. Na capital portuguesa, nasce Jo\u00e3o Maria, quarto filho pull off segundo casamento da m\u00e3e de Pessoa. Viaja com a sua fam\u00edlia \u00e0 Ilha Terceira, nos A\u00e7ores, onde vive a fam\u00edlia materna. Deslocam-se tamb\u00e9m a Tavira para visitar os parentes paternos. Nessa \u00e9poca, escreve o poema &#8220;Quando ela passa&#8221;.<\/p>\n<p>Tendo de dividir a aten\u00e7\u00e3o da m\u00e3e com os filhos get casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propicia momentos de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Tendo recebido uma educa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, que lhe proporcionou um profundo contacto com a l\u00edngua inglesa, os seus primeiros textos e estudos foram em ingl\u00eas. Mant\u00e9m contacto com a literatura inglesa atrav\u00e9s de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O Ingl\u00eas teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, al\u00e9m de o utilizar em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como &#8220;O Corvo&#8221; e &#8220;Annabel Lee&#8221; de Edgar Allan Poe. Com excep\u00e7\u00e3o de <i>Mensagem<\/i>, os \u00fanicos livros publicados em vida s\u00e3o os das colet\u00e2neas dos seus poemas ingleses: <i>Antinous e 35 Sonnets<\/i> e <i>English Poems I<\/i> &#8211; <i>II<\/i> e <i>III<\/i>, editados em Lisboa, em 1918 e 1921.<\/p>\n<p>Fernando Pessoa permanece em Lisboa, enquanto todos seus familiares \u2014 m\u00e3e, padrasto, irm\u00e3os e criada Paci\u00eancia, que vieram com ele \u2014 regressam a Durban. Volta sozinho para \u00c1frica no vapor Herzog. Matricula-se na <i>Durban Commercial School<\/i>, escola comercial de ensino nocturno, enquanto de dia estuda as disciplinas human\u00edsticas para entrar na universidade. Nesse per\u00edodo, tenta escrever contos em ingl\u00eas, alguns dos quais com o pseud\u00f3nimo de David Merrick, que deixa inacabados. Em 1903, candidata-se \u00e0 Universidade complete Cabo da Boa Esperan\u00e7a. Na prova de exame de admiss\u00e3o, n\u00e3o obt\u00e9m boa classifica\u00e7\u00e3o, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo ingl\u00eas. Recebe por isso o <i>Queen Victoria Memorial Prize<\/i> (\u00abPr\u00e9mio Rainha Vit\u00f3ria\u00bb). Um ano depois, ingressa novamente na Durban High School, onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universit\u00e1rio. Aprofunda a sua cultura, lendo cl\u00e1ssicos ingleses e latinos. Escreve poesia e prosa em ingl\u00eas, surgindo os heter\u00f3nimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Nasce a sua irm\u00e3 Maria Clara. Publica no jornal realize liceu um ensaio cr\u00edtico intitulado &#8220;Macaulay&#8221;. Por fim, encerra os seus bem-sucedidos estudos na \u00c1frica realize Sul com o <i>Intermediate Examination in Arts<\/i>, na Universidade, obtendo uma boa classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deixando a fam\u00edlia em Durban, regressa definitivamente \u00e0 capital portuguesa, sozinho, em 1905. Passa a viver com a av\u00f3 Dion\u00edsia e as duas tias na Rua da Bela Vista, n.\u00ba 17. A m\u00e3e e o padrasto regressam tamb\u00e9m a Lisboa, durante um per\u00edodo de f\u00e9rias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produ\u00e7\u00e3o de poemas em ingl\u00eas e, em 1906, matricula-se no Curso Superior de Letras (atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. \u00c9 nesta \u00e9poca que entra em contacto com importantes escritores e jornalistas portugueses. Interessa-se pela obra de Ces\u00e1rio Verde e pelos serm\u00f5es pull off Padre Ant\u00f3nio Vieira.<\/p>\n<p>Em agosto de 1907, morre a sua av\u00f3 Dion\u00edsia, deixando-lhe uma pequena heran\u00e7a, com a qual monta uma pequena tipografia, na Rua da Concei\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria, 38-4.\u00ba, sob o nome de \u00abEmpreza Ibis \u2014 Typographica e Editora \u2014 Officinas a Vapor\u00bb, que rapidamente vai \u00e0 fal\u00eancia. A partir de 1908, aluga o seu primeiro quarto no Largo get Carmo 18, 1\u00ba Esq\u00ba, dedica-se \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia comercial, uma ocupa\u00e7\u00e3o a que poder\u00edamos dar o nome de &#8220;correspondente estrangeiro&#8221;. Nessa atividade trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida p\u00fablica. Neste per\u00edodo inicia colabora\u00e7\u00e3o com o publicista Jos\u00e9 Boavida Portugal, com artigos de cr\u00edtica liter\u00e1ria e dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Inicia a sua atividade de ensa\u00edsta e cr\u00edtico liter\u00e1rio com o artigo \u00abA Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada\u00bb, a que se seguiriam \u00abReincidindo\u2026\u00bb e \u00abA Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicol\u00f3gico\u00bb publicados em 1912 pela revista <i>A \u00c1guia, \u00f3rg\u00e3o da Renascen\u00e7a Portuguesa<\/i>. Frequenta a tert\u00falia liter\u00e1ria que se formou em torno pull off seu tio adoptivo, o poeta, general aposentado Henrique Rosa, no caf\u00e9 <i>A Brasileira<\/i>, no Largo do Chiado em Lisboa. Mais tarde, j\u00e1 nos anos vinte, o seu caf\u00e9 preferido seria o <i>Martinho da Arcada<\/i>, na Pra\u00e7a do Com\u00e9rcio, onde escrevia e se encontrava com amigos e escritores.<\/p>\n<p>Em 1915 participou na revista liter\u00e1ria <i>Orpheu<\/i>, a qual lan\u00e7ou o movimento modernista em Portugal, causando algum esc\u00e2ndalo e muita controv\u00e9rsia. Esta revista publicou apenas dois n\u00fameros, nos quais Pessoa publicou em seu nome, bem como com o heter\u00f3nimo \u00c1lvaro de Campos. No segundo n\u00famero da <i>Orpheu<\/i>, Pessoa put in the works with a direc\u00e7\u00e3o da revista, juntamente com M\u00e1rio de S\u00e1-Carneiro.<\/p>\n<p>Em outubro de 1924, juntamente com o artista pl\u00e1stico Ruy Vaz, Fernando Pessoa lan\u00e7ou a revista <i>Athena<\/i>, na qual fixou o \u00abdrama em gente\u00bb dos seus heter\u00f3nimos, publicando poesias de Ricardo Reis, \u00c1lvaro de Campos e Alberto Caeiro, bem como pull off ort\u00f3nimo Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>No n\u00famero tr\u00eas da revista <i>Sudoeste: cadernos de Almada Negreiros<\/i> de novembro de 1935 (m\u00eas da sua morte) encontra-se um breve artigo da sua autoria intitulado &#8220;N\u00f3s os de Orpheu&#8221; e o poema &#8220;Concelho&#8221;.<sup id=\"cite_ref-20\" class=\"reference\"><span>[<\/span>20<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Fernando Pessoa foi internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de S\u00e3o Lu\u00eds dos Franceses, em Lisboa, com diagn\u00f3stico de &#8220;c\u00f3lica hep\u00e1tica&#8221; causada por c\u00e1lculo biliar associado a cirrose hep\u00e1tica,<span style=\"color:gray\"><\/span><sup><span title=\"Esta afirma\u00e7\u00e3o precisa de uma refer\u00eancia para confirm\u00e1-la desde abril de 2017.\" style=\"color:gray\"><i>carece\u00a0de fontes<\/i><\/span><span class=\"printfooter\">?<\/span><span style=\"color:gray\">]<\/span><\/sup> diagn\u00f3stico que \u00e9 hoje contestado por estudos m\u00e9dicos,<span style=\"color:gray\"><\/span><sup><span title=\"Esta afirma\u00e7\u00e3o precisa de uma refer\u00eancia para confirm\u00e1-la desde abril de 2017.\" style=\"color:gray\"><i>carece\u00a0de fontes<\/i><\/span><span class=\"printfooter\">?<\/span><span style=\"color:gray\">]<\/span><\/sup> embora o excessivo consumo de \u00e1lcool ao longo da sua vida seja consensualmente considerado como um importante factor causal.<span style=\"color:gray\"><\/span><sup><span title=\"Esta afirma\u00e7\u00e3o precisa de uma refer\u00eancia para confirm\u00e1-la desde abril de 2017.\" style=\"color:gray\"><i>carece\u00a0de fontes<\/i><\/span><span class=\"printfooter\">?<\/span><span style=\"color:gray\">]<\/span><\/sup> Segundo um desses estudos, Pessoa n\u00e3o revelava alguns dos sintomas mais t\u00edpicos de cirrose hep\u00e1tica, tendo provavelmente sido v\u00edtima de uma pancreatite aguda ou, de acordo com o seu registo de \u00f3bito, &#8220;obstru\u00e7\u00e3o intestinal&#8221;.<sup id=\"cite_ref-21\" class=\"reference\"><span>[<\/span>21<span>]<\/span><\/sup> Morreu nesse hospital, na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935, pelas 20h, com 47 anos. Apenas em 1985 foi averbado no registo de \u00f3bito o local correto da morte attain poeta, que, at\u00e9 ent\u00e3o, se julgava ter ocorrido na sua resid\u00eancia da Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, onde se encontra atualmente instalada a Casa Fernando Pessoa. No dia anterior, escrevera sua \u00faltima frase, em ingl\u00eas: &#8220;I know not what tomorrow will bring&#8221; (&#8220;N\u00e3o sei o que o amanh\u00e3 trar\u00e1&#8221;). O funeral realizou-se a 2 de dezembro de 1935 para o Cemit\u00e9rio dos Prazeres.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que a vida reach poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, <i>criou outras vidas atrav\u00e9s dos seus heter\u00f3nimos<\/i>, o que foi a sua principal caracter\u00edstica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns cr\u00edticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro <i>eu<\/i> ou se tudo n\u00e3o teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta cria\u00e7\u00e3o. Ao tratar de temas subjetivos e usar a heteron\u00edmia, torna-se enigm\u00e1tico ao extremo. Este facto \u00e9 o que disturb grande parte das buscas para estudar a sua obra. O poeta e cr\u00edtico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi &#8220;o enigma em pessoa&#8221;. Escreveu sempre, desde o primeiro poema aos sete anos, at\u00e9 ao leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que a sua vida foi uma constante divulga\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa: nas pr\u00f3prias palavras pull off heter\u00f3nimo Bernardo Soares, &#8220;a minha p\u00e1tria \u00e9 a l\u00edngua portuguesa&#8221;. O mesmo empenho \u00e9 patente nesta carta:<\/p>\n<p>Analogamente a Pompeu, que, segundo Plutarco, teria dito a frase <i>&#8220;navigare necesse, vivere non est necesse&#8221;<\/i> (&#8220;navegar \u00e9 necess\u00e1rio; viver n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio&#8221;), Pessoa diz, no poema Navegar \u00e9 Preciso, que &#8220;viver n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio; o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 criar&#8221;. Outra interpreta\u00e7\u00e3o comum deste poema diz respeito ao facto de a navega\u00e7\u00e3o ter resultado de uma atitude racionalista do mundo ocidental: a navega\u00e7\u00e3o exigiria uma <i>precis\u00e3o<\/i> que a vida poderia dispensar.<\/p>\n<p>O poeta mexicano Octavio Paz, laureado com o Nobel de Literatura, diz que &#8220;os poetas n\u00e3o t\u00eam biografia. A sua obra \u00e9 a sua biografia&#8221; e que, no caso de Fernando Pessoa, &#8220;nada na sua vida \u00e9 surpreendente \u2014 nada, excepto os seus poemas&#8221;. Em <i>The Western Canon<\/i>, Harold Bloom incluiu-o entre os c\u00e2nones ocidentais, no cap\u00edtulo <i>Borges, Neruda e Pessoa: o Whitman Hispano-Portugu\u00eas<\/i> (p. 451, 1995).<\/p>\n<p>Na comemora\u00e7\u00e3o complete centen\u00e1rio get nascimento de Pessoa, em 1988, o seu corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, confirmando o reconhecimento que n\u00e3o teve em vida.<\/p>\n<p>Na sua resid\u00eancia na Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, em Lisboa, foi criada a Casa Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>Considera-se que a grande cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de Pessoa foi a inven\u00e7\u00e3o heteron\u00edmica que atravessa toda a sua obra. Os heter\u00f3nimos, diferentemente dos pseud\u00f3nimos, s\u00e3o personalidades po\u00e9ticas completas: identidades que, em princ\u00edpio falsas, se tornam verdadeiras atrav\u00e9s da sua manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica pr\u00f3pria e diversa complete autor original. Entre os heter\u00f3nimos, o pr\u00f3prio Fernando Pessoa passou a ser chamado ort\u00f3nimo, porquanto times a personalidade original. Entretanto, com o amadurecimento de cada uma das outras personalidades, o pr\u00f3prio ort\u00f3nimo tornou-se apenas mais um heter\u00f3nimo entre os outros. Os tr\u00eas heter\u00f3nimos mais conhecidos (e tamb\u00e9m aqueles com maior obra po\u00e9tica) foram \u00c1lvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto heter\u00f3nimo de grande import\u00e2ncia na obra de Pessoa \u00e9 Bernardo Soares, autor do Livro accomplish Desassossego, importante obra liter\u00e1ria attain s\u00e9culo XX. Bernardo \u00e9 considerado um semi-heter\u00f3nimo por ter muitas semelhan\u00e7as com Fernando Pessoa e n\u00e3o possuir uma personalidade muito caracter\u00edstica, ao contr\u00e1rio dos tr\u00eas primeiros, que possuem at\u00e9 mesmo data de nascimento e morte (exce\u00e7\u00e3o para Ricardo Reis, que n\u00e3o possui data de falecimento). Por essa raz\u00e3o, Jos\u00e9 Saramago, laureado com o Pr\u00e9mio Nobel, escreveu o livro O ano da morte de Ricardo Reis.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dos heter\u00f3nimos, Pessoa conduziu uma profunda reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre verdade, exist\u00eancia e identidade. Este \u00faltimo fator possui grande notabilidade na famosa misteriosidade accomplish poeta.<\/p>\n<p>Diversos estudiosos de Pessoa procuraram enumerar seus pseud\u00f3nimos, heter\u00f3nimos, semi-heter\u00f3nimos, personagens fict\u00edcias e poetas medi\u00fanicos. Em 1966 a portuguesa Teresa Rita Lopes fez um primeiro levantamento, com 18 nomes. Antonio Pina Coelho, tamb\u00e9m portugu\u00eas, elevou em seguida a rela\u00e7\u00e3o para 21. A mesma Teresa Rita Lopes apresentou um levantamento mais detalhado em 1990, chegando a 72 nomes. Em 2009 o holand\u00eas Micha\u00ebl Stoker chegou a 83 heter\u00f3nimos. Mais recentemente, o brasileiro Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho, utilizando crit\u00e9rio mais amplo, apresentou uma lista com 127 nomes.<sup id=\"cite_ref-28\" class=\"reference\"><span>[<\/span>28<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>A obra ort\u00f3nima de Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente a procura de um certo patriotismo perdido, atrav\u00e9s de uma atitude sebastianista reinventada. O ort\u00f3nimo foi profundamente influenciado, em v\u00e1rios momentos, por doutrinas religiosas (como a teosofia) e sociedades secretas (como a Ma\u00e7onaria). A poesia resultante tem um certo ar m\u00edtico, her\u00f3ico (quase \u00e9pico, mas n\u00e3o na acep\u00e7\u00e3o original do termo) e por vezes tr\u00e1gico. Pessoa \u00e9 um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradi\u00e7\u00f5es, uma vis\u00e3o simultaneamente m\u00faltipla e unit\u00e1ria da vida. Uma explica\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas principais heter\u00f3nimos e o semi-heter\u00f3nimo Bernardo Soares, reside nas v\u00e1rias formas que tinha de olhar o mundo, apoiando-se no racionalismo e pensamento oriental.<\/p>\n<p>O ort\u00f3nimo \u00e9 considerado, s\u00f3 por si, como simbolista e modernista pela evanesc\u00eancia, indefini\u00e7\u00e3o e insatisfa\u00e7\u00e3o, bem como pela inova\u00e7\u00e3o praticada atrav\u00e9s de diversas sendas de formula\u00e7\u00e3o pull off discurso po\u00e9tico (sensacionismo, paulismo, interseccionismo, etc.).<sup id=\"cite_ref-31\" class=\"reference\"><span>[<\/span>31<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<p>Fernando Pessoa foi marcado tamb\u00e9m pela poesia musical e subjetiva, voltada essencialmente para a metalinguagem e os temas relativos a Portugal, como o sebastianismo presente na principal obra de &#8220;Pessoa <i>ele-mesmo<\/i>&#8220;, <i>Mensagem<\/i>, uma colet\u00e2nea de poemas sobre as grandes personagens hist\u00f3ricos portugueses. Publicado em 1934, apenas um ano antes da morte do autor, este foi o \u00fanico livro de Fernando Pessoa em L\u00edngua Portuguesa editado em vida. Foi contemplado com o Pr\u00e9mio Antero de Quental, na categoria de \u00abpoema ou poesia solta\u00bb, do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN).<\/p>\n<p>Entre todos os heter\u00f3nimos, \u00c1lvaro de Campos foi o \u00fanico a manifestar fases po\u00e9ticas diferentes ao longo da sua obra. Era um engenheiro de educa\u00e7\u00e3o inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensa\u00e7\u00e3o de ser um estrangeiro em qualquer parte pull off mundo.<\/p>\n<p>Come\u00e7a a sua trajet\u00f3ria como um decadentista (influenciado pelo simbolismo), mas logo adere ao futurismo. \u00c1lvaro de Campos \u00e9 revoltado e cr\u00edtico e faz a apologia da velocidade e da vida moderna, com uma linguagem livre, radical. Nesta \u00e9poca escreveu as &#8220;Odes&#8221;, publicadas na revista <i>Orpheu<\/i>, em 1915, e o &#8220;Ultimatum&#8221;, publicado na revista <i>Portugal Futurista<\/i>, em 1917.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de desilus\u00f5es com a exist\u00eancia, assume uma veia niilista, expressa no poema &#8220;Tabacaria&#8221;, considerado um dos mais conhecidos e influentes poemas da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>O heter\u00f3nimo Ricardo Reis \u00e9 descrito como um m\u00e9dico que se definia como latinista e mon\u00e1rquico. De certa maneira, simboliza a heran\u00e7a cl\u00e1ssica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo, com elementos epicuristas e estoicos. O fim inexor\u00e1vel de todos os seres vivos \u00e9 uma constante na sua obra, cl\u00e1ssica, depurada e disciplinada. Faz uso da mitologia n\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o Brasil em protesto \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em Portugal e n\u00e3o se sabe o ano da sua morte.<\/p>\n<p>Em <i>O ano da morte de Ricardo Reis<\/i>, Jos\u00e9 Saramago continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste heter\u00f3nimo ap\u00f3s a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um di\u00e1logo com o seu heter\u00f3nimo, sobrevivente ao criador.<\/p>\n<p>Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como campon\u00eas, quase sem estudos formais. Teve apenas a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, mas \u00e9 considerado o mestre entre os heter\u00f3nimos (pelo ort\u00f3nimo). Depois da morte get pai e da m\u00e3e, permaneceu em casa com uma tia-av\u00f3, vivendo de modestos rendimentos e morreu de tuberculose. Tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como o poeta-fil\u00f3sofo, mas rejeitava este t\u00edtulo e pregava uma &#8220;n\u00e3o filosofia&#8221;. Acreditava que os seres simplesmente <i>s\u00e3o<\/i>, e nada mais: irritava-se com a metaf\u00edsica e qualquer tipo de simbologia para a vida.<\/p>\n<p>Os escritos pessoanos que versam sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o dos heter\u00f3nimos, &#8220;Pessoa-ele-mesmo&#8221;, \u00c1lvaro de Campos, Ricardo Reis e o meio-heter\u00f3nimo Bernardo Soares, conferem a Alberto Caeiro um papel quase m\u00edstico, enquanto poeta e pensador. Reis e Soares chegam a compar\u00e1-lo ao deus P\u00e3, e Pessoa esbo\u00e7a-lhe um hor\u00f3scopo no qual lhe atribui o signo de le\u00e3o, associado ao elemento fogo. A relev\u00e2ncia destas alus\u00f5es adv\u00e9m da explica\u00e7\u00e3o de Fernando Pessoa sobre o papel de Caeiro no escopo da heteron\u00edmia. Citando a atua\u00e7\u00e3o dos quatro elementos da astrologia sobre a personalidade dos indiv\u00edduos, Pessoa escreve:<\/p>\n<p>Dos principais heter\u00f3nimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o \u00fanico a n\u00e3o escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.<\/p>\n<p>Possu\u00eda uma linguagem est\u00e9tica direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa pull off ponto de vista reflexivo. O seu ide\u00e1rio resume-se no verso <i>H\u00e1 metaf\u00edsica bastante em n\u00e3o pensar em nada<\/i>. A sua obra est\u00e1 agrupada na colet\u00e2nea Poemas Completos de Alberto Caeiro.<\/p>\n<p>Bernardo Soares \u00e9, dentro da fic\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio Livro complete Desassossego, um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Conheceu Fernando Pessoa numa pequena casa de pasto frequentada por ambos. Foi a\u00ed que Bernardo deu a ler a Fernando seu livro, que, mesmo escrito em forma de fragmentos, \u00e9 considerado uma das obras fundadoras da fic\u00e7\u00e3o portuguesa no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Bernardo Soares \u00e9 muitas vezes considerado um semi-heter\u00f3nimo porque, como seu pr\u00f3prio criador explica:<\/p>\n<p>A inst\u00e2ncia da fic\u00e7\u00e3o que se desenvolve no livro \u00e9 insignificante, porque trata-se de uma &#8220;autobiografia sem factos&#8221;, como o pr\u00f3prio Fernando Pessoa situa o livro. Dessa forma, o que interessa em sua prosa fragment\u00e1ria \u00e9 a dramaticidade das reflex\u00f5es humanas que v\u00eam \u00e0 tona na insist\u00eancia de uma escrita que se reconhece invi\u00e1vel, in\u00fatil e imperfeita, \u00e0 beira complete t\u00e9dio, do tr\u00e1gico e da indiferen\u00e7a est\u00e9tica. O facto de Fernando Pessoa considerar (em cartas e anota\u00e7\u00f5es pessoais) Bernardo Soares um semi-heter\u00f3nimo faz pensar na maior proximidade de temperamento entre Pessoa e Soares. Nesse sentido, para alguns, o jogo heteron\u00edmico ganha em complexidade e Pessoa logra o \u00eaxito da constru\u00e7\u00e3o de si mesmo como o mais instigante mito liter\u00e1rio portugu\u00eas na Modernidade.<\/p>\n<p>Entre fevereiro e outubro de 1935, \u00faltimo ano de sua vida, Fernando Pessoa produziu uma s\u00e9rie de escritos pol\u00edticos, v\u00e1rios deles contra Salazar e o Estado Novo, e dois textos sobre a invas\u00e3o da Abiss\u00ednia (atual Eti\u00f3pia) pela It\u00e1lia fascista, que a censura salazarista n\u00e3o deixou passar. Nessa produ\u00e7\u00e3o, em que Pessoa se define claramente como um opositor n\u00e3o s\u00f3 do salazarismo, como tamb\u00e9m complete fascismo, incluem-se, entre outros, o artigo &#8220;Associa\u00e7\u00f5es secretas&#8221;, em defesa da Ma\u00e7onaria, al\u00e9m de numerosos fragmentos deixados in\u00e9ditos pelo autor, relacionados com a pol\u00eamica que o artigo gerou na imprensa; uma d\u00fazia de poemas sat\u00edricos contra Salazar e o Estado Novo; diversos textos e poemas anticat\u00f3licos, nos quais criticava a crescente influ\u00eancia da Igreja na pol\u00edtica portuguesa; um longo artigo cr\u00edtico sobre o pr\u00f3prio Salazar, em franc\u00eas; uma carta ao presidente da Rep\u00fablica, \u00d3scar Carmona, protestando contra o governo; uma cr\u00edtica contundente a um discurso de cunho totalit\u00e1rio, proferido pelo ministro da Justi\u00e7a, Manuel Rodrigues, e outros textos que mostram o crescente empenho pol\u00edtico de Pessoa, no fim da vida, em defesa da liberdade e da dignidade humanas, que ele julgava ent\u00e3o amea\u00e7adas, tanto em Portugal como no resto accomplish mundo.<\/p>\n<p>Sobre a Rep\u00fablica escreve Fernando Pessoa: <\/p>\n<p>(in &#8220;da Rep\u00fablica&#8221; Recolha de textos de\u00a0: Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Mor\u00e3o. Introdu\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de Joel Serr\u00e3o. Edi\u00e7\u00f5es \u00c1tica, Lisboa, 1978.<\/p>\n<p>Em uma nota biogr\u00e1fica datilografada em 30 de mar\u00e7o de 1935, Pessoa declara ser um &#8220;Crist\u00e3o gn\u00f3stico, e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, sobretudo \u00e0 Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante est\u00e3o impl\u00edcitos, \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o Secreta complete Cristianismo, que tem \u00edntimas rela\u00e7\u00f5es com a Tradi\u00e7\u00e3o Secreta em Israel (a Santa Kaballah) e com a ess\u00eancia oculta da Ma\u00e7onaria&#8221;. Ali tamb\u00e9m declara ser um iniciado &#8220;nos tr\u00eas graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templ\u00e1ria de Portugal&#8221;.<\/p>\n<p>Em texto de 1917, Pessoa esclarece sua vis\u00e3o accomplish neopaganismo: &#8220;Eu sou um pag\u00e3o decadente, do tempo do outono da Beleza; do sonolecer [?] da limpidez antiga, m\u00edstico intelectual da ra\u00e7a triste dos neoplat\u00f3nicos da Alexandria. Como eles creio, e absolutamente creio, nos Deuses, na sua ag\u00eancia e na sua exist\u00eancia genuine e materialmente superior. Como eles creio nos semi-deuses, os homens que o esfor\u00e7o e a\u2026 ergueram ao s\u00f3lio dos imortais; porque, como disse P\u00edndaro, \u00aba ra\u00e7a dos deuses e dos homens \u00e9 uma s\u00f3\u00bb. Como eles creio que acima de tudo, pessoa impass\u00edvel, causa im\u00f3vel e convicta [?], paira o Destino, superior ao bem e ao mal, estranho \u00e0 Beleza e \u00e0 Fealdade, al\u00e9m da Verdade e da Mentira. Mas n\u00e3o creio que entre o Destino e os Deuses haja s\u00f3 o oceano turvo\u2026 o c\u00e9u mudo da Noite eterna. Creio, como os neoplat\u00f3nicos, no Intermedi\u00e1rio Intelectual, Logos na linguagem dos fil\u00f3sofos, Cristo (depois) na mitologia crist\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Os principais heter\u00f3nimos de Fernando Pessoa \u2013 Alberto Caeiro, Ricardo Reis e \u00c1lvaro de Campos \u2013 s\u00e3o diretamente ligados ao neopaganismo. \u00c1lvaro de Campos, em notas publicadas em 1931 na revista <i>Presen\u00e7a<\/i>, n\u00ba 30, escreve: &#8220;O meu mestre Caeiro n\u00e3o grow old pag\u00e3o: era o paganismo. O Ricardo Reis \u00e9 um pag\u00e3o, o Ant\u00f3nio Mora \u00e9 um pag\u00e3o, eu sou um pag\u00e3o, o pr\u00f3prio Fernando Pessoa seria um pag\u00e3o, se n\u00e3o fosse um novelo embrulhado para o lado de dentro&#8221;.<\/p>\n<p>Em texto acerca de sua heteron\u00edmia, escrito provavelmente em 1930, Pessoa explica:<\/p>\n<p>Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo, com destaque para a Ma\u00e7onaria e a Rosa-cruz, havendo inclusive defendido publicamente as organiza\u00e7\u00f5es inici\u00e1ticas no Di\u00e1rio de Lisboa (4 de fevereiro de 1935), contra ataques por parte da ditadura realize Estado Novo. O seu poema herm\u00e9tico mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se &#8220;No T\u00famulo de Christian Rosenkreutz&#8221;. Tinha o h\u00e1bito de fazer consultas astrol\u00f3gicas para si mesmo (de acordo com a sua certid\u00e3o de nascimento, nasceu \u00e0s 15h20, tinha ascendente Escorpi\u00e3o e o Sol em G\u00e9meos). Realizou mais de mil hor\u00f3scopos.<\/p>\n<p>Apreciava tamb\u00e9m muito o trabalho de Helena Blavatsky tendo traduzido, em 1916, A voz get sil\u00eancio, assim como lhe suscitava curiosidade o ocultista Aleister Crowley, tendo-lhe traduzido o poema Hino a P\u00e3. Lendo uma publica\u00e7\u00e3o inglesa de Crowley, encontrou erros no hor\u00f3scopo e escreveu-lhe para o corrigir. Os seus conhecimentos de astrologia impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, foi a Portugal conhecer o poeta. Acompanhou-o a maga alem\u00e3 Hanni Larissa Jaeger.<sup id=\"cite_ref-Castro2013_40-0\" class=\"reference\"><span>[<\/span>40<span>]<\/span><\/sup> O encontro entre Pessoa e Crowley ocorreu com algum sensacionalismo, dado o poeta ingl\u00eas ter simulado o seu suic\u00eddio na Boca reach Inferno, o que atraiu v\u00e1rias pol\u00edcias europeias e a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia da \u00e9poca. Pessoa estaria dentro da encena\u00e7\u00e3o, tendo combinado com Crowley a notifica\u00e7\u00e3o dos jornais e a redac\u00e7\u00e3o de um &#8220;romance polici\u00e1rio&#8221; cujos direitos reverteriam a favor dos dois poetas. Apesar de ter escrito v\u00e1rias dezenas de p\u00e1ginas, essa obra de fic\u00e7\u00e3o nunca se concretizou.<\/p>\n<p>A seguir apresenta-se uma cronologia abreviada da vida do poeta:<sup id=\"cite_ref-43\" class=\"reference\"><span>[<\/span>43<span>]<\/span><\/sup><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quais as vantagens de adquirir um livro Fernando Pessoa online?<\/h3>\n\n\n\n<p>Habitualmente, antes de obter um livro, mais usu\u00e1rios da internet procuram no Google a palavra chave <strong>\u201cFernando Pessoa\u201d<\/strong>. Provavelmente, Se necessita comprar online, ser\u00e1 pr\u00e1tico, r\u00e1pido e entrega na sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tudo, adquirir pela internet, poder\u00e1 consultar a opini\u00e3o de outros consumidores, obtendo, seguramente, os livros <strong>\u201cFernando Pessoa\u201d<\/strong> que receberam as melhores notas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entrega em dom\u00edcilio<\/h3>\n\n\n\n<p>O seu pedido ordenado \u00e9 enviado veloz, comprando os livros do seu tema favorito, do smartphone, tablet ou computador port\u00e1til, descomplicadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilize os beneficios do envio em casa sem a obriga\u00e7\u00e3o de ter que ir \u00e0 livraria. Em pouco tempo, o pedido vai chegar no conforto do seu lar. A maioria dos livros que escolhemos tem taxas de entrega gratuitas. Para os romances Prime, isso ser\u00e1 feito entre 24\/48 horas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hashtags associados:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desejamos que a nossa escolha tenha sido bacana para voc\u00ea. Caso tenha valido a pena, por gentileza, ajude-nos divulgando este artigo em suas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Livros de Fernando Pessoa indicados<\/li>\n\n\n\n<li>Que livro de Fernando Pessoa comprar?<\/li>\n\n\n\n<li>Melhor livro de Fernando Pessoa: coment\u00e1rios e opini\u00f5es<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Fernando Pessoa o melhor pre\u00e7o<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Fernando Pessoa ebook download<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Fernando Pessoa em oferta<\/li>\n\n\n\n<li>Livros de Fernando Pessoa recomendados<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Outras alternativas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><ul class=\"page-generator-pro-related-links page-generator-pro-related-links-columns-2 page-generator-pro-related-links-prev-next page-generator-pro-related-links-vertical\"><li class=\"prev\">\n                            <a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/fernanda-young\/\" title=\"Os mais famosos livros de Fernanda Young de todos\">Fernanda Young\n                            <\/a>\n                        <\/li><li class=\"next\">\n                            <a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/fernao-capelo-gaivota\/\" title=\"Os 3 imperd\u00edveis livros de Fern\u00e3o Capelo Gaivota de todos\">Melhores livros de Fern\u00e3o Capelo Gaivota\n                            <\/a>\n                        <\/li><\/ul><ul class=\"page-generator-pro-related-links page-generator-pro-related-links-columns-2 page-generator-pro-related-links-list-links page-generator-pro-related-links-vertical\"><li><a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/lucy-maud-montgomery\/\" title=\"Os 3 imperd\u00edveis t\u00edtulos de Lucy Maud Montgomery de todos\">Melhores livros de Lucy Maud Montgomery<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/rubem-fonseca\/\" title=\"Os melhores livros de Rubem Fonseca de todos os tempos\">Melhores livros de Rubem Fonseca<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/ricardo-terto\/\" title=\"Os 3 imperd\u00edveis bestsellers de Ricardo Terto de todos os tempos\">Melhores livros de Ricardo Terto<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/stephenie-meyer\/\" title=\"Os mais famosos livros de Stephenie Meyer de todos\">Melhores livros de Stephenie Meyer<\/a><\/li><\/ul><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quer saber qual o melhor livro de Fernando Pessoa? Oslivros.com oferece a voc\u00ea uma classifica\u00e7\u00e3o cuidadosamente preparada dos livros mais populares de Fernando Pessoa. Aqui voc\u00ea encontrar\u00e1 as melhores op\u00e7\u00f5es de livros dispon\u00edveis online. \ud83c\udfc6 Classifica\u00e7\u00e3o : Esta sele\u00e7\u00e3o se baseia sobre os livros de Fernando Pessoa mais consumidos da Amazon na \u00faltima semana. \ud83d\udcb2 &#8230; <a title=\"Os 3 imperd\u00edveis bestsellers de Fernando Pessoa de todos\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/2023\/02\/16\/fernando-pessoa\/\" aria-label=\"More on Os 3 imperd\u00edveis bestsellers de Fernando Pessoa de todos\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4138"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oslivros.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}